Domingos Barrone, representante da direcção provincial do Sernic na Zambézia, em declarações à imprensa nesta quinta-feira 11 de Junho de 2026. © Facebook
A polícia moçambicana anunciou nesta quinta-feira a detenção de três suspeitos no âmbito da investigação sobre o assassínio de Dom Osório Citora, Bispo de Quelimane, na sua residência no sábado passado por indivíduos armados. Após um primeiro interrogatório judicial, as autoridades decidiram mantê-los em detenção preventiva, conforme esclareceu o Serviço Nacional de Investigação Criminal em declarações recolhidas pela agência Lusa.
“O Sernic deteve alguns cidadãos potencialmente suspeitos do cometimento deste crime hediondo, havendo, por isso, até aqui três detidos”, avançou Domingos Barrone, representante da direcção provincial do Sernic na Zambézia, numa conferência de imprensa durante a qual detalhou que os suspeitos foram encaminhados nesta quinta-feira para um primeiro interrogatório judicial, tendo sido a detenção “legalizada e os arguidos retidos sob prisão preventiva”.
Ao apelar "a todos os que tenham informação que consideram relevantes a partilhem com o Sernic”, Domingos Barrone informou ainda que no âmbito do inquérito, foi efectuada uma perícia médico-legal que inclui audições a pessoas de “interesse operativo e outras diligências investigativas” para apurar as circunstâncias da morte.
Este responsável avançou ainda que, de acordo com os primeiros dados do inquérito, “se trata de uma morte violenta com recurso a arma de fogo”, confirmando deste modo o já havia dito a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), sobre as circunstâncias do assassínio do Bispo de Quelimane, na madrugada de sábado.
Uma fonte da polícia afirmou à Lusa que um dos suspeitos detidos é um padre daquela paróquia.
Depois do funeral eclesiástico oficial ter lugar nesta sexta-feira de manhã, na Paróquia Nossa Senhora do Livramento, na Sé Catedral de Quelimane, a urna contendo os restos mortais de Osório Afonso deve ser levada para Nampula, onde vai decorrer neste sábado o funeral familiar. Em seguida, o sacerdote será sepultado naquela cidade, no cemitério do Clero arquidiocesano, em Nampaco.
O assassínio do Bispo de Quelimane cujos motivos e circunstâncias continuam por esclarecer colocou Moçambique bem como a própria igreja em estado de choque.
Numa nota da Santa Sé, o Papa Leão XIV expressou a sua profunda dor e apelou ao fim dos actos de violência em Moçambique.
Na passada quarta-feira, a Igreja Católica de Moçambique qualificou, por sua vez, o sucedido de “crime gravíssimo”, e apelou ao seu rápido esclarecimento.
No mesmo dia, após deslocar-se à Nunciatura Apostólica, em Maputo, para apresentar condolências à Igreja Católica e ao Vaticano, o Presidente moçambicano considerou que a morte de Dom Osório Citora como "uma perda para o país", e reiterou o compromisso das autoridades em encontrar os culpados.
No sábado 6 de Junho, dia em que o religioso foi morto, o porta-voz do Sernic na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que ele foi abatido na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que terão escalado um muro, após vandalizar a segurança eléctrica. Segundo este responsável, os indivíduos dispararam contra o bispo na “parte do peito, no coração”.
Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso tinha sido nomeado bispo da Diocese de Quelimane em Julho do ano passado e, em ainda recentemente, em Abril, tinha passado a assumir igualmente o cargo de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, por nomeação do Papa Leão XIV, tornando-se uma das principais figuras da Igreja Católica moçambicana.
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