quarta-feira, 10 de junho de 2026

«10 de Junho - Dia de Portugal» Seguro pede “coragem” de “fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo”

António José Seguro cumpre nesta quarta-feira o primeiro 10 de Junho como Presidente da República, nos Açores. Comemorações deste ano presididas por Miguel Monjardino, que reside na Terceira.

Marcelo elogia "discurso excepcional" de Seguro
Lusa

O ex-presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa classificou como excepcional o discurso do actual chefe de Estado nas cerimónias do 10 de Junho.

"[Foi] um discurso excepcional, excepcional no que disse, excepcional na forma como disse, excepcional sobre Portugal, Camões, as comunidades, presente e futuro, excepcional", afirmou, em declarações aos jornalistas, à saída da cerimónia, que decorreu em Angra do Heroísmo, nos Açores.

Marcelo Rebelo de Sousa não fez mais comentários enquanto se afastava dos jornalistas para cumprimentar várias pessoas que o interpelavam.

PAN valoriza realização das comemorações nos Açores

A porta-voz do PAN valorizou a realização das comemorações do 10 de Junho na Terceira e alertou que a coesão territorial "não pode ser apenas um mero chavão". Segundo Inês de Sousa Real, as comemorações nos Açores são "um sinal político muito importante para todo o país em matéria de coesão territorial".

Por isso, o partido louva "o esforço da Presidência [da República] de assinalar este ano" o 10 de Junho nos Açores, por considerar que a coesão territorial "não pode ser apenas um mero chavão".

Também referiu que o contexto actual da guerra é um desafio que Portugal tem de enfrentar, "não deixando para trás nem as matérias sociais, nem a questão da saúde ou até mesmo o combate às alterações climáticas, que é também muito relevante" para os Açores.

"O Governo tem de olhar, precisamente, para essa necessidade de coesão, acima de tudo, no momento em que vamos estar a discutir a PSU [Prestação Social Única] na Assembleia da República", afirmou Inês de Sousa Real aos jornalistas em Angra do Heroísmo, no final da sessão solene comemorativa do 10 de Junho.

Salientou que as prestações sociais "são fundamentais", em zonas como os Açores, mas acima de tudo, para a população mais vulnerável do país. "E é um debate que não pode ser feito apenas pensando em cortar despesa. Tem de ser um debate pensado com a sensibilidade social que o momento nos exige."

IL sintonizada com discurso do chefe de Estado
O presidente do Conselho Nacional da Iniciativa Liberal, Pedro Ferreira, disse que o partido está sintonizado com alguns dos apelos que foram feitos pelo Presidente da República e que o país "tem tudo para melhorar".

"Relativamente à segunda parte da intervenção do senhor Presidente da República, apetece-me dizer que a determinada altura pensei estar a ouvir um dirigente da Iniciativa Liberal a discursar", declarou Pedro Ferreira aos jornalistas em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores, no final da sessão solene comemorativa do 10 de Junho.

Para o presidente do Conselho Nacional da IL, Portugal "precisa é de esperança", de "melhores remunerações", de "menos Estado e de mais liberdade" e de "liberdade com responsabilidade".

"E, portanto, sob esse ponto de vista, estamos sintonizados com a segunda parte da intervenção do senhor Presidente da República, queiram aqueles que têm governado o país desde o 25 de Abril ter a capacidade de perceber que mais governo é sinal de menos desenvolvimento, de menos economia, de menos crescimento, de menos captação de jovens talentos, de menos quadros", justificou.

Na opinião de Pedro Ferreira, "se todos conseguirem ter a capacidade de entender as palavras do senhor Presidente da República, como a Iniciativa Liberal entendeu, não há dúvidas absolutamente algumas de que o país tem tudo para melhorar".

O dirigente político disse, ainda, que hoje foi referido que "é preciso voltar a olhar a terra a partir do mar" e que os Açores fazem parte de "um triângulo estratégico nacional essencial".

Presidente do Governo dos Açores diz que discursos enfatizaram dimensão do arquipélago
O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, considerou que os discursos do 10 de Junho nas cerimónias realizadas na ilha Terceira enfatizaram a dimensão do arquipélago, cuja importância começa a ser mais valorizada.

"Eu estou muito ciente de que se começa agora a valorizar com outra consciência a importância dos Açores, com um investimento que há-de ser feito em infra-estruturas que dinamizem o crescimento e o desenvolvimento económicos, mas também infra-estruturas de duplo uso que assegurem garantias de segurança e defesa para o país, para a União Europeia, para a NATO, para o mundo", afirmou o chefe do executivo açoriano da coligação PSD/CDS/PPM.

O governante disse ter ficado satisfeito com a escolha do arquipélago para a realização das cerimónias, no ano em que se celebram 50 anos de autonomia política, e considerou que os discursos deram uma "ênfase bastante significativa" à dimensão dos Açores na projecção atlântica de Portugal.

"Os Açores estão agora numa centralidade mundial. São, para o seu desenvolvimento socioeconómico, uma ultraperiferia da União Europeia, por isso, uma região de necessidades, mas também são uma região de oportunidades para a dimensão e projecção de Portugal enquanto relevante na União Europeia e no mundo", frisou.

José Manuel Bolieiro defendeu que "a União Europeia tem de ter uma estratégia nova para o Atlântico" e para os Açores, uma "fronteira que lhe dá outra dimensão de estabilidade e de relevância geopolítica global".

Considerou ainda que a dimensão marítima do arquipélago lhe dará a "projecção de um desenvolvimento do futuro".

"Nós temos uma rica história ligada ao mar, mas temos um futuro que será inspirado no mar, na dimensão da economia azul, na dimensão das novas tecnologias e, sobretudo, também da procura de recursos que o mar profundo que temos pode apresentar", sublinhou.

CDS-PP salienta apelo do Presidente à estabilidade política
O líder da bancada parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, destacou o apelo à estabilidade política do Presidente da República, considerando-a fundamental para que o país possa implementar reformas.

"É fundamental que Portugal tenha estabilidade política para que as reformas que o Governo está a desenvolver possam efectivamente ter resultados na vida, no dia-a-dia dos portugueses. E esse apelo é também um apelo muito importante que o senhor Presidente da República deixa neste discurso do 10 de Junho", afirmou.

O deputado centrista falava em Angra do Heroísmo, em reacção ao discurso do Presidente da República nas cerimónias do 10 de Junho.

António José Seguro defendeu que este é um tempo que pede "a coragem prática de fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo" e de "de defender o interesse de longo prazo mesmo quando o ciclo eleitoral empurra para o curto prazo".

Paulo Núncio vincou o apelo que o Presidente da República fez de "colocar sempre o interesse nacional à frente dos interesses particulares e dos interesses partidários".

"Esse apelo do senhor Presidente da República vem no seguimento do seu discurso de tomada de posse, em que reafirmou a importância de Portugal ter estabilidade política, de, até 2029, a legislatura não ser interrompida com eleições antecipadas e com crises políticas desnecessárias", salientou.

O líder da bancada parlamentar do CDS-PP realçou ainda no discurso "o reforço do papel da NATO e da Aliança Transatlântica" e reconhecimento "do papel das Forças Armadas nas missões que continuam a desenvolver" em Portugal e no estrangeiro.

CP enaltece apelo ao compromisso e afirma que Portugal "tem voz própria"
O secretário-geral do PCP elogiou o apelo ao compromisso feito pelo Presidente da República e alertou que Portugal, apesar de ter "responsabilidades internacionais", tem "uma voz própria".

Em declarações à margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura (FNA), em Santarém, Paulo Raimundo enalteceu a escolha da ilha Terceira como palco das comemorações do 10 de Junho deste ano, considerando que é importante, por um lado, "valorizar o papel das autonomias" e, por outro, "relembrar a alguns de que também os Açores, também a ilha Terceira e as Lajes são território nacional".

O líder do PCP enalteceu ainda o "apelo ao compromisso" feito pelo Presidente da República, António José Seguro, salientando que o partido está disponível para "esse compromisso pelos direitos", nomeadamente ao nível dos salários, do Serviço Nacional de Saúde, da habitação ou das creches, enumerou.

Paulo Raimundo voltou ainda a referir-se à proposta de lei de alteração ao Código do Trabalho, que será discutida no dia 18 de Junho, na generalidade, no Parlamento, prometendo, numa crítica indirecta ao Governo, enfrentar todos aqueles que falam "muitas vezes em compromissos (...) e em apelos globais, mas estão ao serviço apenas de uma pequena minoria".

Questionado sobre o facto de o Chefe de Estado ter insistido que a "autonomia estratégica europeia" é conciliável com a "defesa transatlântica", o secretário-geral do PCP sinalizou que "o caminho do país é não só o da paz, da cooperação e da solidariedade, mas também de fazer tudo o que está ao seu alcance para que isso seja o caminho dos outros".

Paulo Raimundo salientou que, apesar de Portugal ter "responsabilidades internacionais" por estar inserido num mundo global e por pertencer à União Europeia, "tem uma voz própria".

Livre elogia apontar de "maior descentralização"
Isabel Mendes Lopes considera "muito simbólico" que Seguro tenha escolhido os Açores para assinalar o Dia de Portugal no ano em que se assinalam 50 anos das autonomias. A co-porta-voz do Livre destaca a ideia presente no discurso do Presidente de que, a propósito das regiões autónomas, “a descentralização não significa falta de coesão”. E para o Livre é muito relevante este ponto porque “aponta caminho de maior descentralização", o que para este partido só pode significar "uma regionalização que funcione como coesão nacional”.

Já a “mensagem de Portugal com todos” é registada como “muito forte” por Isabel Mendes Lopes, bem como a defesa de um “novo modelo de desenvolvimento baseado no talento e conhecimento científico e, para isso, é preciso reter os jovens”, o que só é possível com mercado trabalho “suficientemente recompensador”.

A deputada do Livre salientou ainda o discurso de Miguel Monjardino ao assinalar a “importância de as nações médias se unirem em torno de valores fundamentais”. “Não pode ser só o poder que gere as relações entre nações, é muito importante os direitos humanos, a ética”, argumentou.


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