terça-feira, 2 de junho de 2026

Senegal: Presidente Diomaye Faye nomeia Governo boicotado por Ousmane Sonko

Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye (à esquerda) e antigo primeiro-ministro Ousmane Sonko (à direita). © Brian Inganga, AP & Patrick Meinhardt, AFP - Montage RFI

O Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, nomeou, esta segunda-feira, um novo Governo que inclui alguns membros e aliados do partido de Ousmane Sonko, o primeiro-ministro que ele destituiu. Sonko tinha dito que o seu partido não entraria no novo executivo.

O anúncio do novo governo surge cerca de dez dias depois de o Presidente Bassirou Diomaye Faye ter demitido o primeiro-ministro Ousmane Sonko, que entretanto se tornou presidente da Assembleia Nacional. A ruptura dos antigos aliados deu-se após meses de conflito e abriu um período de incerteza política no país, que já enfrenta uma grave crise financeira.

Ousmane Sonko foi substituído por Ahmadou Al Aminou Mohamed Lô que anunciou, esta segunda-feira, uma lista de 30 ministros, apesar de o ex-primeiro-ministro ter anunciado, num comunicado publicado nas suas redes sociais, que o seu partido, Pastef - Les Patriotes, não participaria no novo governo.

Mesmo assim, aliados e membros do partido, menos conhecidos do público em geral, foram incluídos na lista do novo governo, entre os quais o ministro do Planeamento Urbano, Moussa Bala Fofana, e o ministro das Forças Armadas, Yankhoba Diémé. Por outro lado, o Presidente Faye reconduziu vários ministros do governo anterior, incluindo o ministro das Finanças, Cheikh Diba, o ministro da Educação, Moustapha Mamba Guirassy, ​​​​e o ministro do Saneamento, Cheikh Tidiane Dièye.

O novo primeiro-ministro, Amadou Al Aminou Lô, disse que o novo Governo foi formado após as "consultas habituais com todos os envolvidos", incluindo o líder do Pastef, Ousmane Sonko.

Este é um novo passo na ruptura de Faye e Sonko, antigos aliados e vencedores das eleições presidenciais de Março de 2024 sob o slogan Sonko é Diomaye”. Sonko tinha sido impedido de se candidatar à presidência devido a uma condenação por difamação e designou Diomaye Faye, o seu braço direito, para o substituir na corrida. Porém, as tensões começaram a vir à tona há quase um ano, quando o primeiro-ministro criticou o Presidente, denunciando um "problema de autoridade" no país. Há um mês, foi o Presidente quem criticou a "personalização excessiva" do Ousmane Sonko dentro do partido no poder.

Por: RFI com AFP

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