O ministro dos Negócios Estrangeiros declarou hoje à Antena 1 que a CPLP empenha-se no regresso à normalidade da Guiné-Bissau, apoiando a realização de novas eleições, e reiterou o pedido de libertação do político Domingos Simões Pereira.
Numa entrevista feita para o 'podcast' da Antena 1 "Política com Assinatura", o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, questionado sobre a Guiné-Bissau, respondeu que a situação está "a ser tratada em três instâncias".
"Em primeiro lugar, é um problema interno da Guiné-Bissau. E, portanto, temos que respeitar a soberania do Estado guineense. Mas, quer a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], quer a União Africana, quer a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], têm envidado esforços, essencialmente para (...) que se possam organizar eleições - uma vez que as anteriores ficaram prejudicadas", contextualizou o chefe da diplomacia portuguesa.
"Pena, porque o processo tinha decorrido francamente bem, mas enfim, os resultados ficaram inviabilizados porque foram destruídos os cadernos eleitorais e, portanto, nós não podemos (...) regressar ao estado anterior", acrescentou o governante.
Rangel reforçou que se tem pedido às atuais autoridades guineenses que libertem o líder do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira - que está em prisão domiciliária por alegada tentativa de golpe de Estado -, e que permitam aos partidos políticos que voltem às suas sedes.
Para o ministro, em Bissau já foram dados sinais positivos, concretamente no que diz respeito ao candidato presidencial da oposição que alegadamente venceu as eleições de 23 de novembro, Fernando Dias, e ao facto de se terem marcado eleições para dezembro deste ano.
"Houve uma marcação de eleições para 06 de dezembro, mas estamos à espera de ver quais são as condições para que elas se possam desenrolar", referiu.
Por outro lado, o diplomata disse esperar que a próxima reunião da CPLP, a ocorrer em julho, em Díli, para se assinalarem os 30 anos da organização, traga "algum progresso" relativamente ao tema da Guiné-Bissau.
Sobre as delegações da RTP e da agência Lusa expulsas da Guiné-Bissau em agosto do ano passado, o ministro respondeu que não têm existido, agora, conversações no sentido de restabelecimento dessas relações, mas salientou que essas já ocorreram no passado e que poderiam ter "dado frutos".
Para o ministro, é importante que haja abertura, em Bissau, à comunicação social que lá queira estar e que a CPLP ajude nesse sentido.
Rangel frisou ainda que o Governo português tem um respeito enorme pelo país, e pelo seu povo, e que esta nação, apesar de, pela primeira vez, estar suspensa, é um "membro imprescindível da CPLP".
"Eu acho que, (...) se forem dados sinais por parte das autoridades, nós poderemos progressivamente restaurar um diálogo frutuoso que leve a que ela [Guiné-Bissau] possa retomar a sua participação a 100% na vida da CPLP", indicou.
Sobre a CPLP, referiu que a organização é muito importante - prova disso, sublinhou, é a quantidade de países que querem ser seus observadores - e que os Estados-membros estão concertados nos seus objetivos.
A 26 de novembro de 2025, um autodenominado Alto Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.
O golpe interrompeu o processo eleitoral, o Presidente da República e recandidato, Umaro Sissoco Embaló, foi deposto, e os militares nomearam para chefe de Estado de Transição, o general Horta Inta-a, substituíram o parlamento, encerrado desde dezembro de 2023, por um Conselho Nacional de Transição e prenderam o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira, impedido de concorrer às eleições, assim como o PAIGC, que lidera.
A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo que este país detém a presidência rotativa da organização desde a suspensão da Guiné-Bissau.
Lusa

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