O diretor do Serviço de Maternidade do Hospital Regional de Bafatá alertou que, caso as autoridades nacionais não adotem medidas sérias para combater o uso de tabaco, conhecido localmente por “tababa”, por parte de algumas mulheres da sociedade guineense, dentro de dez anos muitas mulheres poderão enfrentar problemas de cancro do colo do útero.
O alerta foi feito pelo médico clínico geral, Faimac Armando Sambu, estudante do último ano de especialização em medicina familiar, numa entrevista só à Rádio Sol Mansi. De acordo com este responsável, o uso desta substância pode provocar abortos espontâneos em grávidas devido à sua elevada toxicidade e aos efeitos nocivos que produz no organismo.
“Recebemos muitas mulheres que procuram os nossos serviços para consultas e, por acaso, várias delas apresentam problemas relacionados com o uso da tababa. Esta substância contém componentes presentes em qualquer tipo de tabaco, além de outros produtos tóxicos utilizados na sua preparação, o que a torna ainda mais perigosa. Pode provocar abortos em mulheres grávidas, dificultar a gravidez e causar outros problemas de saúde", alerta o médico que avança que muitas mulheres também confirmaram que os seus maridos começaram a apresentar dificuldades na vida sexual depois delas terem iniciado o uso desta substância.
Na mesma entrevista, Faimac Sambu afirmou que não existe qualquer benefício comprovado associado ao uso de tababa.
“Algumas mulheres que trabalham comigo declararam que foram aconselhadas por outras pessoas a utilizar esta substância, sob a alegação de que ela aumenta o prazer sexual ou ajuda a combater infeções. No entanto, estão a criar sérios problemas de saúde para si próprias, porque a introdução de tabaco na vagina destrói a flora vaginal, responsável pelo equilíbrio natural e pela produção de secreções necessárias ao organismo feminino”, explicou o clínico geral.
O responsável pela Maternidade do Hospital Regional de Bafatá aconselhou ainda as mulheres a abandonarem esta prática, considerando-a altamente prejudicial para a saúde.
“Apesar de existirem homens e mulheres no país que comercializam esta substância, talvez por falta do conhecimento das suas consequências, o mais importante é saber que ela é prejudicial à saúde humana e não oferece qualquer benefício”, advertiu.
O uso de tabaco, conhecido na sociedade guineense como “tababa”, por parte de algumas mulheres da Guiné-Bissau, tem vindo a ganhar cada vez mais espaço no país. Apesar dos alertas de especialistas e técnicos de saúde sobre os riscos associados a esta prática, muitas utilizadoras continuam a ignorar os conselhos médicos e a manter um hábito considerado nocivo para a saúde, que, segundo profissionais do setor, já terá contribuído para problemas graves e até para a morte de algumas pessoas.
RSM: 12 06 2026


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