O segundo secretário para a Cooperação da Rede da Juventude da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) para os Direitos Humanos, Faustino Dumbo, defendeu a participação ativa dos jovens na vida pública dos seus respetivos países, enquanto agentes de transformação social.
Destacou que a juventude deve assumir um papel preponderante e estratégico na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática. Sublinhou que a discriminação racial, a xenofobia e o acesso a um emprego digno continuam a ser alguns dos principais desafios enfrentados por jovens africanos em Portugal.
“Os jovens não devem ser vistos apenas como beneficiários das políticas públicas, assistindo a tudo de longe, mesmo quando as coisas não estão bem”, criticou.
Em entrevista à Rádio Popular, a partir de Benguela (Lobito), em Angola, no âmbito de uma iniciativa de combate à desinformação e promoção do acesso à informação de qualidade na Guiné-Bissau, Faustino Dumbo admitiu que, apesar de alguns avanços no respeito pelos direitos fundamentais, há ainda Estados-membros que continuam a violá-los flagrantemente.
PAÍSES DA CPLP ENFRENTAM POBREZA, DESIGUALDADES E DESEMPREGO JUVENIL
Questionado sobre a situação dos direitos humanos na CPLP, o responsável reconheceu avanços no cumprimento dos direitos fundamentais, mas afirmou que persistem desafios significativos.
Segundo o ativista, os países da comunidade enfrentam problemas como pobreza extrema, desigualdade social, desemprego juvenil, acesso limitado à saúde e educação, discriminação e fragilidades institucionais.
“Hoje, em alguns Estados-membros, há muitos jovens e crianças fora do sistema de ensino e com acesso limitado à saúde. As instituições chegam a violar direitos e liberdades fundamentais consagrados nas Constituições”, afirmou.
Para Faustino Dumbo, esses são desafios que devem ser enfrentados pela Rede da Juventude da CPLP em conjunto com os Estados-membros.
Reiterou que os jovens devem ter um papel central na construção de sociedades mais justas e inclusivas, defendendo uma participação ativa na vida pública.
“Ninguém nos pode tirar o direito de participar ativamente na vida do nosso país”, disse.
O ativista criticou ainda a falta de políticas eficazes de empregabilidade para a juventude nos países da CPLP, apelando à resiliência dos jovens.
ESTADOS-MEMBROS DEVEM REFORÇAR BOA GOVERNAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL
Faustino Dumbo defendeu o reforço do compromisso dos Estados-membros na promoção dos direitos humanos, da boa governação, da justiça e da inclusão social.
Apontou como prioridades: maior investimento na educação e formação juvenil criação de emprego digno fortalecimento das instituições democráticas combate à corrupção e à desigualdade promoção da igualdade de género proteção de grupos vulneráveis.
O responsável destacou que a criação da Rede da Juventude da CPLP para os Direitos Humanos surgiu da necessidade de dar voz aos jovens na promoção da dignidade humana, justiça social, paz, democracia e cidadania ativa.
Segundo explicou, a Rede pretende: promover cooperação internacional entre jovens incentivar a participação cívicafortalecer o envolvimento nos processos de decisão apoiar o desenvolvimento sustentável no espaço da CPLP.
Faustino Dumbo alertou ainda para os desafios enfrentados por jovens dos Países Africanos de Língua Portuguesa, especialmente em Portugal, incluindo dificuldades de integração social, acesso ao emprego, questões documentais, racismo e discriminação.
Diante dessa realidade, anunciou que a Rede irá lançar ações de combate ao racismo e de apoio aos jovens afetados.
“A Rede pretende atuar na defesa dos direitos humanos destes jovens, promovendo o diálogo institucional e criando mecanismos de apoio e orientação”, avançou.
Entre as medidas previstas estão: promoção da integração social e académica campanhas de sensibilização contra racismo e xenofobia defesa de políticas mais inclusivascriação de espaços de escuta para jovens emigrantes.
Segundo concluiu, estes desafios não se limitam aos jovens da CPLP, razão pela qual a Rede pretende alargar as suas ações de solidariedade para além do espaço lusófono.
Por: Filomeno Sambú
odemocratagb

Sem comentários:
Enviar um comentário