Manifestantes contra a imigração clandestinha em Durban, na África do Sul, no passado dia 6 de Maio de 2026. AFP - RAJESH JANTILAL
Pelo menos quatro cidadãos moçambicanos foram mortos em ataques xenófobos na vizinha África do Sul. O caso ocorreu no fim-de-semana em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, no extremo sul daquele país.
A informação foi confirmada pelo líder da comunidade moçambicana na província do Cabo Ocidental, Manuel Canhane, que fala em mortos mas também em vários feridos.
“De momento, já perdemos quatro moçambicanos que perderam a vida. Os outros ficaram hospitalizados mas não houve mortes no hospital. Eles já estão connosco na sala de espera e também temos 311 moçambicanos que anteontem procuraram meios para voltar à nossa terra natal”, indicou o líder da comunidade.
“Usaram instrumentos, catanas, os outros foram esfaqueados e os outros também foram atingidos por pedras. É assim que os nossos irmãos moçambicanos perderam a vida no bairro de Mossel Bay”, detalhou Manuel Canhane ao referir que os incidentes começaram durante a noite de quinta-feira e culminaram com ataques a residências de moçambicanos e de outros estrangeiros.
“Quase atingiram todas as casas de moçambicanos naquele bairro. Os estrangeiros começaram a reagir para se defender também. Por isso aconteceram essas mortes”, esclareceu.
Outro grupo de moçambicanos que viu as suas casas incendiadas na sequência dos actos xenófobos deixa ainda nesta segunda-feira 1° de Junho o território sul-africano. De acordo com o Serviço Nacional de Migração de Moçambique, são cerca de 600 moçambicanos, vítimas de xenofobia, que regressam ainda hoje ao seu país de origem.
“Na parte da segurança, estamos seguros onde nós estamos, porque eles cuidam de nós. Como ontem à noite, eles conseguiram trazer comida e trazerem um pouquinho de roupa para aqueles que perderam os seus bens, as suas casas. E os moçambicanos que viviam nas suas casas, perderam as casas, foram incendiadas”, disse Manuel Canhane referindo-se aos mais de 800 moçambicanos que estão actualmente a beneficiar da protecção das autoridades municipais de Mossel Bay, na província do Cabo Oriental na África do Sul.
Nas últimas semanas, intensificaram-se os ataques contra os estrangeiros residentes na África do Sul. O país que enfrenta uma grave crise económica há largos anos, tem visto aumentar os preconceitos contra os imigrantes dos países vizinhos que são acusados de contribuir para o crescimento da taxa de desemprego no seio da população sul-africana.
No início do mês, uma marcha contra a imigração resvalou em ataques contra pequenos comércios e lojas pertencentes a estrangeiros na província do Cabo Oriental, no leste do país.
Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, onde trabalham essencialmente no sector das minas. Perante o recrudescimento da violência, de acordo com a presidência moçambicana, "milhares" de expatriados optaram por regressar ao seu país.
Por: Orfeu Lisboa
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