Ataques mútuos contra instalações petroquímicas e bases militares marcaram mais um episódio de escalada entre Israel e o Irão, apesar dos apelos internacionais à contenção. A deterioração da situação ameaça comprometer os esforços diplomáticos em curso e já provocou uma subida significativa dos preços do petróleo.
Israel declarou, esta segunda-feira, 8 de Junho, ter realizado ataques contra uma fábrica petroquímica e vários alvos militares no Irão, numa nova escalada do conflito regional. Em resposta, os Guardas da Revolução Islâmica anunciaram ter atingido uma instalação petroquímica em Israel e duas bases aéreas israelitas, ignorando os apelos do Presidente norte-americano, Donald Trump, para evitar um agravamento das hostilidades.
Segundo as autoridades israelitas, os bombardeamentos tiveram como alvo o complexo petroquímico de Mahshahr, localizado no sudoeste do Irão. Trata-se do primeiro ataque contra uma infra-estrutura energética iraniana desde a entrada em vigor do cessar-fogo há dois meses. Um responsável iraniano confirmou à agência Fars que a instalação sofreu danos.
Do lado israelita, a agência noticiosa Tasnim informou que a infra-estrutura visada pelo Irão se situa em Haifa, no norte do país. As autoridades de Teerão indicaram ainda que os ataques incluíram a base aérea de Ramat David, nas proximidades de Nazaré.
Israel afirmou ter detectado vários mísseis lançados a partir do território iraniano, acrescentando que os seus sistemas de defesa aérea conseguiram interceptá-los. O exército israelita revelou igualmente ter accionado os meios de defesa para neutralizar um míssil proveniente do Iémen, naquela que descreveu como a primeira acção deste tipo desde o cessar-fogo.
Os Houthis, movimento rebelde do Iémen apoiado pelo Irão, reivindicaram um ataque com mísseis contra Israel e prometeram impedir a navegação israelita no Mar Vermelho.
«Consideramos todos os movimentos inimigos como alvos militares legítimos para as nossas forças armadas», declararam os Houthis em comunicado.
A retoma dos confrontos teve impacto imediato nos mercados energéticos. O preço do petróleo Brent valorizou cerca de 5% durante a sessão desta manhã aproximando-se novamente da barreira psicológica dos 100 dólares por barril, num reflexo das preocupações dos investidores relativamente à estabilidade da região.
Entretanto, Donald Trump tentou evitar um novo ciclo de retaliações. De acordo com o portal Axios, o Presidente norte-americano pediu ao Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para que não respondesse aos mísseis disparados anteriormente por Teerão. Esses lançamentos ocorreram após uma ofensiva israelita sobre Beirute, a capital libanesa.
Em declarações ao Financial Times, Donald Trump manifestou confiança na possibilidade de alcançar um acordo para pôr termo ao conflito.
«Isto não terá qualquer impacto sobre o acordo», afirmou, referindo-se aos ataques israelitas nos arredores de Beirute. «Sou eu quem decide. Eu decido tudo. Ele não tem qualquer poder de decisão», acrescentou, numa referência a Benjamin Netanyahu.
Um representante israelita revelou que Donad Trump e Benjamin Netanyahu mantiveram uma conversa telefónica de cerca de trinta minutos ontem à noite. Nem a Casa Branca nem o gabinete do chefe do Governo israelita prestaram esclarecimentos adicionais sobre o conteúdo do contacto.
O recrudescimento da violência surge numa altura em que os esforços diplomáticos enfrentam dificuldades. O acordo de tréguas anunciado na semana passada para o Líbano, separado do cessar-fogo temporário entre os Estados Unidos e o Irão, fracassou após a rejeição dos termos pelo Hezbollah e a continuação das operações militares israelitas no sul do território libanês.
Israel mantém forças militares naquela região desde o início de Março, justificando a sua presença com a necessidade de neutralizar o Hezbollah, movimento apoiado por Teerão.
As autoridades iranianas tinham previamente advertido que responderiam a qualquer ataque israelita contra Beirute. Na sequência dos bombardeamentos realizados no domingo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão classificou como «defensiva» a resposta militar desencadeada contra Israel.
Na semana passada, Israel reiterou que não prevê retirar as suas tropas do Líbano, onde lançou uma vasta ofensiva terrestre e aérea a 2 de Março. Desde então, o conflito provocou milhares de mortos no Líbano e mais de 1,2 milhões de deslocados. Em Israel, quatro civis perderam a vida em ataques atribuídos ao Hezbollah.
A intensificação dos confrontos durante o fim-de-semana e esta segunda-feira ameaça agora comprometer ainda mais as negociações entre Washington e Teerão, numa altura em que o Irão insiste que qualquer acordo futuro dependerá do fim das hostilidades em todas as frentes do conflito.

Sem comentários:
Enviar um comentário