sexta-feira, 5 de junho de 2026

“Não há petróleo descoberto, nem condições para vender” – diz o ministro de recursos naturais




O ministro dos Recursos Naturais, Júlio Mamadu Baldé, afirmou que o país não possui nenhuma descoberta de petróleo e que ainda não é possível pensar na produção, muito menos na venda.

O governante pediu calma perante as especulações, sublinhando que “na indústria do petróleo não se pode esconder nada”.

O ministro reconheceu, contudo, a qualidade dos funcionários da Petroguim — Empresa Nacional de Pesquisa e Exploração Petrolífera.

Júlio Mamadu Baldé falava esta sexta-feira, 5 de junho de 2026, após uma visita de cortesia às instalações da Petroguim, com o objetivo de se inteirar sobre o funcionamento da empresa.

Baldé afirmou que o país se encontra numa fase de transição energética, mas isso não significa que as indústrias fósseis, como o petróleo, deixem de ter importância.

Segundo o ministro, o mundo está atualmente atento à região, nomeadamente aos países vizinhos como a Mauritânia, o Senegal, a Gâmbia, a Guiné-Bissau e a Guiné-Conacri.

“Até ao momento, existem apenas seis descobertas nestas zonas: três na Mauritânia e três no Senegal. Essas grandes descobertas demonstram que a nossa bacia é próspera. Entretanto, Guiné-Bissau, Gâmbia e Guiné-Conacri ainda estão na fase de exploração”, afirmou.

Júlio Mamadu Baldé explicou que a produção de petróleo exige várias etapas. A primeira é a fase de exploração, que inclui aquisição sísmica, interpretação de dados, análise da estrutura geológica e realização de furos de prospeção.

“Caso haja descobertas, realiza-se uma avaliação económica e, sendo positiva, avança-se para outras análises até à segunda fase, que é a produção”, esclareceu.

O ministro assegurou que a Guiné-Bissau se encontra numa zona promissora, razão pela qual várias companhias têm demonstrado interesse no país.

“A nossa esperança é melhorar o ambiente económico para que possamos tornar-nos um país produtor, como o Senegal e a Mauritânia, que já estão a produzir. Estamos confiantes de que, com os novos parceiros e a dinâmica observada na Petroguim, será possível testar estruturas brevemente. Se os resultados forem positivos, o país poderá conhecer mudanças significativas”, afirmou.

Baldé reforçou que, sem produção, não é possível vender petróleo, explicando que qualquer descoberta deve estar devidamente identificada, incluindo o campo, os responsáveis e a localização.
“Esses elementos ainda não existem no nosso caso”, sublinhou. Acrescentou, no entanto, que após uma eventual descoberta, o país pode levar cerca de cinco anos para iniciar a produção.

“Veja-se o exemplo da Guiné Equatorial, que descobriu o campo Ceiba, ‘bão-bão’ na sua linguagem, e o do Senegal, que iniciou a produção cerca de quatro e oito anos respectivamente após a descoberta”, concluiu.

Por: Natcha Mário M’bundé
odemocratagb.

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