terça-feira, 6 de outubro de 2026

Guarda Nacional recupera em São Domingos gado bovino furtado no Senegal


A Guarda Nacional (GN) procedeu, na tarde desta segunda-feira (5), à entrega formal de três cabeças de gado bovino às autoridades senegalesas. Os animais foram devolvidos ao legítimo proprietário, o cidadão senegalês Ibraim Diouf, num ato oficial testemunhado por autoridades administrativas e policiais nacionais.

Os gados bovinos restituídos integram um total de quatro animais cujo furto ocorreu na República do Senegal, no passado dia 2 de outubro. Após o crime, a vítima deslocou-se ao Grupo Regional da GN - Guarda Nacional de São Domingos, reportando que os rastros indicavam a entrada dos animais em território nacional através da via de Djegue.

A denúncia resultou numa pronta resposta da GN, que ativou diligências imediatas de busca e patrulhamento.


A operação culminou na localização de três dos animais no dia 04 de outubro, domingo (4), que deambulavam soltos pelas matas de Djegue, correspondendo na íntegra às características descritas.

Com esta restituição formal, os animais recuperados regressam à posse da vítima.
Os autores do crime permanecem, até ao momento, desconhecidos, prosseguindo os trabalhos de investigação no terreno para identificar os suspeitos e localizar o último animal em falta.

A GN permanece firme no policiamento de proximidade, na proteção das nossas comunidades e no combate intransigente à criminalidade transfronteiriça!


O Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Sua Excelência João Bernardo Vieira, participou hoje, em Bissau, na cerimónia de abertura do “Fórum Nacional de Liderança Feminina, Participação e Transformação Social”, organizado pelo Ministério da Mulher e Solidariedade Social, em parceria com o PNUD e as Organizações da Sociedade Civil.

O Ministro felicitou a Senhora Yessenia Suad de Brito Arif Ibrahim, Ministra da Mulher e da Solidariedade Social e reafirma o compromisso do MJDH com a igualdade de género e a justiça inclusiva, enaltecendo o trabalho do Ministério da Mulher e Solidariedade Social, dos parceiros e da Sociedade Civil no combate à Mutilação Genital Feminina (MGF), na implementação efetiva da Lei da Paridade e na promoção da liderança feminina como pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento do Estado de Direito



16 de Outubro de 2026 - Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo” de Nely Nyaka na UCCLA

 Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo” na UCCLA

A solidariedade e o apoio aos mais necessitados ocupam um lugar de destaque nas memórias de Nely Nyaka, reunidas no livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”, que será apresentado no dia 16 de outubro, pelas 18 horas, no auditório da UCCLA.

 

Relatada na primeira pessoa, a obra cruza o percurso pessoal da autora com as transformações históricas e sociais do país onde nasceu, incluindo o processo revolucionário. Entre experiências, desafios e vivências, sobressai a atenção dedicada aos outros e à ajuda a quem mais precisa, conferindo ao seu testemunho uma forte dimensão humana e solidária.

A sessão será moderada por Fernando Jorge Cardoso, especialista em assuntos africanos, e contará com a presença de Gita Honwana Welch, coautora e apresentadora da obra, e de José Manuel Lopes de Castro, editor da Blue Book.

 

O lançamento do livro será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa/ 

 

Biografia:

Nely Nyaka nasceu no dia 2 de novembro de 1920, na Catembe, Moçambique. O seu ativismo social começou cedo, primeiro no seio da Igreja Metodista Wesleyana e, mais tarde, no Instituto Negrófilo (que depois assumiu a designação de Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique). Esteve na criação e foi uma das mais notáveis dinamizadoras da Associação Pfuna, dedicada a mitigar a pobreza e a miséria de crianças órfãs.

Em 1939, casou-se com Raul Bernardo Honwana e foram viver para a Moamba, tiveram oito filhos.

Raul, que militou no Grémio Africano nos tempos de Karel Pott, publicou, em 1984, um livro de memórias, que vem constituindo referência em muitos trabalhos académicos.

Inspirada pelos trabalhos do seu marido, que faleceu em 1994, Nely decidiu também deixar, por escrito, o seu legado às novas gerações. Estas memórias percorrem uma longa e enriquecida vida de uma extraordinária personagem deste século moçambicano, mulher dotada de uma memória prodigiosa, exemplo de probidade e repositórios de valores.

Profunda conhecedora de Lourenço Marques (Maputo) e, mais particularmente, dos seus bairros periféricos, onde cresceu, Nely Nyaka fala-nos, em Mahanyela - A vida na periferia da grande cidade, dos marcos geográficos e sociológicos da sua cidade, das famílias que a habitavam, das práticas e dos costumes da comunidade e dos artifícios a que se recorria para mitigar a pobreza, e para vencer as enormes barreiras criadas pelo poder colonial a todos os que não fossem brancos.

Estendendo-se até aos nossos dias, o relato da Vovó Nely, como era carinhosamente chamada, acompanha com muito humor e surpreendente lucidez - que desmente os seus quase 100 anos de idade - as profundas transformações que ocorreram na história recente do país. Pelo seu ineditismo, este livro é um acervo imprescindível para o conhecimento e estudo futuros, transformando-se assim num referencial importante da moçambicanidade.

Faleceu a 5 de abril de 2024, aos 103 anos. 

 

Sinopse:

O livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”, da autoria da minha Mãe, Nely Nyaka, abrange um período de cerca de 100 anos.  Nasceu a 2 de novembro de 1920, em Ka Tembe, e veio a falecer a 5 de abril de 2024, aos 103 anos.

Mahanyela é uma palavra na língua Ronga (uma das mais de 40 línguas nacionais em Moçambique) que se traduz literalmente por ´Forma de Viver´/Forma de Ser/Forma de Estar.

O livro foi inicialmente publicado em outubro de 2018, uma semana antes de autora completar 98 anos, com o título ´Mahanyela: a Vida na Periferia da Grande Cidade´, sob chancela da editora Moçambicana Marimbique.  

Através da sua história pessoal, a autora põe o leitor em contacto com a vida nos bairros suburbanos da grande cidade de Ka Mpfumo, mais tarde Lourenço Marques e hoje Maputo.  

Ela fá-lo assinalando os principais marcos geográficos e sociológicos da ‘sua’ zona da cidade. Mahanyela presenteia o leitor com uma cartografia urbana em que as referências importantes sãos os caminhos, as casas de famílias e os moradores,  as cantinas, as escolas, os locais de culto, os mercados, as relações entre os diferentes grupos de moradores, no contexto de mudanças profundas, convulsões sociais e transformações sociopolíticas e culturais que, ao longo de várias décadas foram influenciando as formas de viver dos habitantes de Ka Mpfumo/Lourenço Marques/Maputo, nos subúrbios da grande cidade e não só. 

Os meus pais, acreditavam fervorosamente na importância de mandar os filhos à escola, custasse o que custasse, mas isso não diminuía a necessidade que sentiam de nos equipar, com outras formas de conhecimento, especialmente aquelas que nos dessem a consciência de quem somos e donde viemos. 

Inspirada pela publicação, em 1985, do livro de Memórias do seu marido, Raúl Bernardo Honwana, Nely Nyaka achou importante deixar também por escrito a sua história de vida, como parte do um legado comum. 

Neste livro ela refere também alguns dos temas que foram tratados no livro Memórias do meu pai, consequência inevitável dos 54 anos que tiveram de vida em comum e que a ambos marcaram profundamente. Mas no livro Mahanyela esses temas têm um tratamento diferente por ser também diferente a perspetiva do narrador. No relato da minha mãe (ao invés da dimensão política claramente presente em Memórias), ela ressalta a perspetiva local, o lado doméstico, da comunidade, a abordagem feminina, a candura da observação.

Dos 54 anos do seu casamento com o meu pai (falecido em outubro de 1994), 27 foram vividos na Moamba, uma vila localizada a 75 quilómetros da capital, onde o meu pai era o intérprete da administração. Segundo a autora, a Moamba moldou-nos de uma forma muito especial, a nós e aos nossos filhos.

Foi efetivamente na Moamba aonde ela começou a sua vida de mulher adulta, casada e mãe de família. Nesse percurso, ela invoca e reconhece a importância do apoio e solidariedade dos locais, nomeadamente amigos, compadres, régulos, comerciantes, pessoal para as crianças da saúde e caminhos de ferro. Mas é também nesse período que ela aprofunda laços de parentesco e amizade com famílias que viviam nas proximidades da Moamba, no Sábie, em Ressano Garcia, Pessene, Dingue, Tenga, entre outros.

A vila de Ressano Garcia próximo da fronteira de Komatipoort entre Moçambique e a África do Sul, tinha para nós um charme especial que incluía as compras anuais de Natal. Depois do ritual das compras em Komatipoort, havia os almoços e jantares em casa dos nossos familiares, os Mognes, e frequentemente a convivência com amigos de família como os Garridos, os Pintos, os Isaías, entre tantos outros. No fim da visita a Ressano Garcia havia sempre um refresco, na esplanada do glamoroso Hotel Costa Pereira. 

A autora esteve no centro de grandes realizações e sucessos, que partilha connosco na sua narrativa - o seu ativismo social, capacidade de organização, carácter de grande frontalidade e coragem e extrema facilidade de criar empatia e se relacionar com outros seres humanos, incluindo, de origens, raças e culturas diferentes da sua. Mas ela esteve também no centro de grandes tragédias pessoais que partilha igualmente connosco, em Mahanyela - a cegueira do seu filho Raúl, aos seis anos, resultado de uma febre meningite, a prisão pela PIDE do seu marido, Raul Honwana em 1962, do seu filho Luís a 23 de dezembro de 1964, a morte trágica do seu filho Fernando, no desastre aéreo que igualmente vitimou o primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, e tantos outros episódios.

Nesta obra, a autora não se limitou a contar como eram as coisas no antigamente. Ela expressa preocupação com questões candentes da nossa sociedade, como a relação dos diferentes grupos linguísticos no mosaico nacional e os resquícios de tribalismo que ainda existem. Discute também temas da vida política do país, não hesitando em exprimir discordância ou desagrado em relação a certos posicionamentos oficiais no processo de governação de Moçambique. 

Este livro contém histórias que ultrapassam, na sua dimensão, a memória de uma só família ou de uma só pessoa. 

Coube-me a mim o privilégio de recolher da minha mãe esta narrativa, que é inteiramente sua, para a transformar num livro, que é agora publicado em Portugal. 

 

Que privilégio!

Gita Honwana Welch


Com os melhores cumprimentos,

Anabela Carvalho

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FUNCIONÁRIOS DA CMB PERDEM CONFIANÇA NO PRESIDENTE E EXIGEM AUDITORIA


Um grupo de funcionários da Câmara Municipal de Bissau diz ter perdido a confiança no presidente da instituição e exige a realização de uma auditoria.
A posição foi manifestada esta terça-feira por Agostinho Monteiro, em nome do coletivo, à porta da Câmara, à margem da conferência de imprensa da comissão eleitoral do sindicato dos funcionários.
Segundo Monteiro, os trabalhadores estão descontentes com o comportamento do presidente da Câmara, acusado de descer ao nível de arrancar cartazes de manifesto dos candidatos à direção do sindicato, apesar de ter afirmado que não iria interferir nos assuntos dos funcionários.

"Pedimos ao Governo para tirar o presidente da CMB porque não reúne condições para o cargo. Não se preocupa em pagar os dois meses de salários em atraso, fez promessas falsas e intimida os funcionários", afirmou.

O porta-voz pediu ainda aos diretores que sirvam os funcionários e trabalhem com dignidade, alertando que o presidente poderá um dia afastá-los para colocar no seu lugar elementos da sua organização "Green Boys".

Agostinho Monteiro afirmou também que foi a direção cessante que propôs a criação da comissão eleitoral, mas que os seus membros não reúnem os requisitos para se candidatarem por terem pouca instrução escolar. Denunciou ainda que o presidente da Câmara está a ostentar bens da instituição.

Recorde-se que, na segunda-feira, o diretor-geral do Serviço de Saneamento da Câmara Municipal de Bissau, Juca Intchama, admitiu a falta de pessoal para garantir a cobertura das necessidades de saneamento na cidade de Bissau.

RSM: 06.10.2026

«DE REGRESSO À NOSSA PÁTRIA!» Bissau, 6 de outubro de 2026 — O Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, regressou esta manhã a Bissau, após ter estado em Lisboa, onde assistiu ao funeral da sua tia. O Chefe do Executivo presidirá, ao início da tarde, à reunião do Conselho de Ministros, retomando assim a sua agenda governativa.

Mustafa Cassamá

MINISTÉRIO DO COMÉRCIO: Conferência de imprensa sobre o abastecimento e a disponibilidade de produtos de primeira necessidade no mercado nacional.

TV O PAÍS

BAD considera “remessas de emigrantes” ferramenta financeira crucial para a Guiné-Bissau


(ANG) – O Banco Africano de Desenvolvimento(BAD) indica em relatório que “Remessas de Emigrantes” são “ferramenta financeira crucial” para a Guiné-Bissau.

No seu relatório sobre Perspectivas Económicas Africana 2026, à que a ANG teve acesso, o BAD apela a criação de “títulos da diáspora” (diaspora bonds) e mecanismos de partilha de risco para captar e canalizar os fluxos financeiros provenientes de Emigrantes para o financiamento do desenvolvimento a longo prazo.

Recomenda a Guiné-Bissau a diversificação das suas fontes de financiamento.

O relatório sugere a rentabilização do envio de remessas através de . emissão de obrigações ou títulos destinados especificamente aos emigrantes guineenses no exterior, convertendo a ajuda familiar direta em investimento público estrutural.

O BAD e relatórios parceiros da ONU sublinham que a Guiné-Bissau tem um acesso quase inexistente aos mercados privados internacionais de capitais, que eleva a importância das remessas como uma das poucas fontes de moeda externa estável e previsível que entra no país.

Apesar da fragilidade institucional, o BAD prevê um crescimento económico para a Guiné-Bissau de 4,9% em 2026 e 5,1% em 2027.

Acrescenta que esse crescimento é impulsionado pelos setores primário (campanha do caju) e secundário, mas que o consumo interno que sustenta estes números continua fortemente dependente do dinheiro enviado pelos emigrantes.

O BAD refere que uma percentagem significativa das remessas para a Guiné-Bissau flui através de canais informais (mão em mão ou redes não registadas).

O relatório de 2026 destaca a necessidade de aprofundar o setor financeiro nacional e acelerar a digitalização para trazer estes fundos para o circuito bancário formal.

Segundo o relatório, as remessas enviadas pela diáspora guineense representam uma parcela estrutural profunda, equivalendo a perto de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da Guiné-Bissau.

“Isto coloca o país entre as pequenas economias lusófonas mais dependentes deste fluxo de capital externo para a sobrevivência das famílias e entrada de divisas”, refere o relatório do BAD..

ANG/ÂC//SG

Futebol: França goleou a Bélgica na Liga das Nações

Les Bleus euphoriques après le but d'Olise poussé à terre par ses coéquipiers. © AP Photo/Teresa Suarez

A quarta jornada da fase de grupos da Liga das Nações europeias prosseguiu na segunda-feira, 05 de Outubro, com o triunfo da França por 4-1 diante da Bélgica.

No Stade de France, situado no Norte de Paris, a capital francesa, a selecção gaulesa recebeu e goleou a Bélgica por 4-1 num jogo que não foi fácil para os jogadores comandados por Zinédine Zidane.

A França esteve a perder durante grande parte do encontro visto que os belgas abriram o marcador com um tento apontado pelo avançado Dodi Lukebakio, jogador que actua no SL Benfica em Portugal.

Durante todo o encontro os franceses tiveram dificuldades na finalização, mas a situação ficou resolvida com os jogadores que saíram do banco de suplentes.

Désiré Doué, Rayan Cherki e Michael Olise, este último bisou, acabaram por marcar os quatro tentos da França entre os minutos 77 e 90+1. Todos eles eram suplentes no arranque da partida e entraram no decorrer do jogo.

A era do novo seleccionador, Zinédine Zidane, arrancou com três vitórias em quatro jogos: Triunfos por 1-0 diante da Turquia, igualmente por 1-0 frente à Bélgica em território belga e por 4-1 em Paris diante novamente da selecção belga.

O único percalço foi o empate na capital francesa a uma bola diante dos italianos.

A França lidera o grupo 1 com 10 pontos, à frente da Itália com sete, esta última tendo vencido por 3-1 a Turquia.

A Bélgica está na terceira posição com seis pontos, enquanto os turcos ocupam o quarto e último lugar sem nenhum ponto.

Recorde-se que os dois primeiros dos quatro grupos desta fase apuram-se para os quartos-de-final da prova. Por enquanto a única nação apurada é a Selecção Portuguesa, detentora do título da Liga das Nações.

Por: Marco Martins
rfi.fr/pt/

África e o desafio da auto-suficiência em combustíveis até 2030



Vista da refinaria de Aliko Dangote em Lagos, na Nigéria, que começou a exportar os seus combustíveis para vários países da África Ocidental. © Sunday Alamba / AP


África poderá alcançar a auto-suficiência em combustíveis até 2030, segundo o empresário nigeriano Aliko Dangote. O empresário, que inaugurou, no final de Setembro, uma nova unidade de processamento de petróleo no Quénia, defende que o continente tem condições para reduzir significativamente a dependência das importações de combustíveis. Para o economista angolano Carlos Rosado, a meta é ambiciosa, mas pode ser alcançada. O especialista considera que, com investimentos em infra-estruturas e logística, o continente africano poderá tornar-se praticamente autónomo na produção de combustíveis.

África conseguirá tornar-se auto-suficiente em combustíveis até 2030 ou a falta de capacidade de refinação continuará a obrigar o continente a depender das importações?

Com estas refinarias da Nigéria, já temos 700.000 barris e, para expandir a do Quénia, também são mais 700.000 barris. Em Angola temos em perspectiva mais três refinarias. Angola será auto-suficiente e a Nigéria também já será auto-suficiente. Agora vamos ver, relativamente aos outros países, como é que vai acontecer. Mas eu diria que, de facto, 2030 é uma meta bastante ambiciosa.

Mas ainda há vários desafios, e refiro-me às questões logísticas e à falta de infra-estruturas?

Pois, justamente. A própria construção da refinaria é um desafio, embora tenha corrido relativamente bem Aliko Dangote. Angola, por exemplo, tem a refinaria do Lobito, a maior delas, com 200.000 barris de petróleo, que há muitos anos está em construção. Em Angola, pelo menos em projecto, tem havido avanços e recuos. Portanto, construir uma refinaria leva sempre algum tempo.

Temos uma refinaria que está a ser construída em duas fases, de 100.000 barris, e temos 30.000 em Cabinda, que estamos a construir. Também temos enfrentado vários problemas com as infra-estruturas e a falta de financiamento.

Mas, repito, temos que ser ambiciosos quanto ao petróleo, seja em produção, sejam descobertas para satisfazer as necessidades. A África também está empenhada em transformar as matérias-primas no continente e, portanto, [isso aplica-se também ao petróleo].

Vários especialistas defendem a necessidade de produzir combustíveis mais competitivos face aos produtos importados. O grande problema é que o continente vende o petróleo bruto a um baixo preço e depois vai comprá-lo a um preço superior, quando é transformado…

O baixo preço também não existe, porque o preço do petróleo é internacional. Agora, o que está aqui em causa, efectivamente, é que nós exportamos o petróleo sem qualquer valor acrescentado. E, portanto, se nós, se África, refinar o petróleo, o valor acrescentado que fica no país, em África, fará com que o balanço das divisas também seja positivo, porque, se se refina aqui, a margem que ia para o estrangeiro, para as refinarias estrangeiras, fica em África.

É o caso concreto de Angola. Angola precisa de mais ou menos 150.000 barris por dia, com o nível de desenvolvimento actual. Nós só refinamos 50.000, um bocadinho menos, mas à volta de um terço do que Angola precisa.

E, portanto, isto já acontece há anos. Temos essa capacidade de refinar para satisfazer a procura interna, mas também para exportar para outros países vizinhos. Naturalmente que as infra-estruturas são um desafio, mas essa, creio eu, que deve ser a ambição e que, finalmente, as lideranças africanas estão a perceber: efectivamente, precisamos de transformar as matérias-primas em África. E o petróleo será, naturalmente, a primeira delas.

A crise no Médio Oriente veio mostrar esta urgência?

Claro que sim. Veio criar essa urgência e veio criar a oportunidade. Nós estávamos, enfim, ainda antes, talvez, da crise do Médio Oriente, com a subida de Trump ao poder, perante uma questão da transição energética que foi, de alguma maneira, repensada.

A guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia, digamos, puseram um bocadinho em causa a transição energética, quando já se falava de acabar com os carros a gasolina e a diesel. E, portanto, a transição energética sofreu um forte revés.

África vai precisar de combustíveis durante muito, muito tempo. E, portanto, além da urgência para África por causa da guerra no Irão, há também uma oportunidade para África no negócio da refinação.

Agora, é preciso dizer também que a refinação é um negócio complicado. Portanto, construir refinarias por construir refinarias não me parece que deva ser esse o objectivo, porque elas têm, naturalmente, que ser eficientes, têm que respeitar o ambiente. A qualidade dos produtos refinados também tem que ser boa e cumprir as melhores práticas internacionais.

Mas, sem dúvida nenhuma, a guerra no Médio Oriente abriu uma oportunidade para África, não apenas para a auto-suficiência, mas também para a exportação. O que é, naturalmente, por exemplo, o caso de Angola.

Como disse, nós produzimos 1 milhão de barris por dia. E as refinarias, todas as existentes e em projecto, são 450.000 barris. Portanto, nós só precisamos de um terço da capacidade de refinação e vamos seguramente exportar para os países vizinhos.

Há projectos de pipeline, inclusivamente a possibilidade de os países vizinhos serem eles próprios accionistas de, pelo menos, uma refinaria em Angola. E, portanto, há essa possibilidade. A meta é ambiciosa, mas o mundo é feito de ambição.

Mas isso também mostra que os combustíveis fósseis, como o petróleo, ainda têm um papel importante no sistema energético de muitos países africanos. Isto mostra que África ainda não está preparada para abrir mão dos combustíveis fósseis?

Eu acho que nem África, nem o mundo inteiro. O anúncio da morte do petróleo creio que foi um bocado precipitado. A divisa de Trump é “drill, baby, drill”, não é? Portanto, a transição energética foi posta em “espera”.

Mas África claramente não está [preparada]. África está mais atrasada, embora nós vamos adoptar as melhores práticas. Toda a gente concorda com isso, mas também África está muito longe de preencher a sua quota de poluição.

A poluição não é o problema dos combustíveis fósseis em África. São outros países: os Estados Unidos, a Europa e a China. Nós ainda não preenchemos a nossa quota de poluição e, portanto, eu acredito mesmo que, mesmo que corra bem, a transição energética vai durar ainda algum tempo. Portanto, temos, enfim, muito tempo ainda pela frente para rentabilizar as refinarias que vêm aí.
rfi.fr/pt/

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

«COMUNICADO DE IMPRENSA» A FFGB não recebeu, até à presente data, qualquer notificação, decisão, relatório ou comunicação da CAF relativa à interdição do Estádio Nacional 24 de Setembro, nem tem conhecimento de qualquer pedido de desculpas dirigido pela CAF a outra federação.

Federação de Futebol da Guiné-Bissau

Sobre as notícias relativas à alegada interdição do Estádio Nacional 24 de Setembro e a um suposto pedido de desculpas da CAF à Federação Nigeriana de Futebol
A Federação de Futebol da Guiné-Bissau tomou conhecimento das notícias postas a circular nas últimas horas, originárias de uma conta de redes sociais da imprensa desportiva nigeriana e reproduzidas por alguns órgãos nacionais, segundo as quais a Confederação Africana de Futebol teria interditado o Estádio Nacional 24 de Setembro e apresentado desculpas à Federação Nigeriana de Futebol. Perante a perturbação que tais notícias causaram na opinião pública, a FFGB vem esclarecer o seguinte:
A FFGB não recebeu, até à presente data, qualquer notificação, decisão, relatório ou comunicação da CAF relativa à interdição do Estádio Nacional 24 de Setembro, nem tem conhecimento de qualquer pedido de desculpas dirigido pela CAF a outra federação.
As notícias em causa não provêm de nenhum canal oficial da CAF. Assentam numa publicação de uma conta de redes sociais nigeriana, e os próprios órgãos de comunicação que as reproduziram apresentam-nas como meras informações alegadas, sem documento, sem comunicado e sem qualquer fonte institucional identificada.
A CAF é uma instituição que se rege por regras e procedimentos próprios. Uma decisão sobre a homologação ou interdição de um recinto desportivo pressupõe, nos termos da regulamentação aplicável, uma inspeção técnica realizada no terreno pelos serviços competentes, a elaboração do respetivo relatório e a sua comunicação prévia à federação membro interessada, à qual é sempre assegurado o direito de se pronunciar. Nenhum destes passos ocorreu. A CAF não decide através da imprensa, nem por intermédio de terceiros, matérias que dizem respeito a uma federação sua associada.
Recorda-se que o Estádio Nacional 24 de Setembro foi inspecionado e homologado pela CAF para acolher os jogos das eliminatórias do Campeonato Africano das Nações de 2027, e que o encontro entre a Guiné-Bissau e a Nigéria se realizou com a aprovação do Comissário de Jogo e da equipa de arbitragem designados pela CAF, sem que tenha sido determinada qualquer medida em contrário.
O resultado desportivo de 3-0 foi conquistado em campo, com mérito e de forma inequívoca. O próprio selecionador e jogadores da Nigéria reconheceram publicamente a superioridade da seleção guineense e assumiram a responsabilidade pela derrota. Nenhuma narrativa posterior altera esse facto.
A FFGB lamenta que se procure desvalorizar uma vitória legítima dos Djurtus através da difusão de informações não confirmadas, e apela aos órgãos de comunicação social nacionais para que, antes de publicarem matérias desta gravidade, procedam à confirmação junto das fontes oficiais, em respeito pelo dever de rigor e pela confiança do público.
A FFGB mantém com a CAF um relacionamento institucional regular e permanece em contacto com os seus serviços. Caso venha a ser recebida qualquer comunicação oficial sobre esta matéria, a FFGB exercerá os direitos que lhe assistem e informará de imediato a opinião pública.
A FFGB tranquiliza toda a sociedade guineense, os adeptos e a família do futebol nacional: as notícias em causa não têm, até ao momento, qualquer suporte oficial. A Federação continuará a trabalhar, em articulação com o Governo e as entidades competentes, na melhoria contínua das condições do Estádio Nacional, e a seleção prossegue serenamente a sua preparação para os próximos compromissos.
Os Djurtus lideram o Grupo L com mérito. Unidos, seguimos rumo ao CAN 2027.
Bissau, 5 de outubro de 2026
Rivaldo Cá
O Comité Executivo da FFGB

Guineenses na Diáspora discutiram o futuro do país em encontro nas Caldas da Rainha - 26/09/2026.

Festa do Dia Nacional da Guiné-Bissau, em Caldas da Rainha, dia 26 de setembro, organizada pela PDG, Plataforma das Associações da Diáspora Guineense, com o apoio da Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal e da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. - 26/09/2026

CÂMARA MUNICIPAL DE BISSAU ADMITE FALTA DE PESSOAL E DIFICULDADES FINANCEIRAS



O diretor-geral do Serviço de Saneamento, João Intchama, admite a falta de pessoal para garantir a cobertura das necessidades de saneamento na cidade de Bissau.
À margem da conferência de imprensa do Sindicato de Base dos Funcionários da Câmara Municipal de Bissau, João Intchama anunciou que, perante as necessidades registadas, a instituição decidiu contratar, nesta primeira fase, 50 trabalhadores, por um período de três meses.

A conferência de imprensa reuniu dezenas de funcionários da Câmara Municipal de Bissau e teve como objetivo, segundo o sindicato, esclarecer a situação financeira da organização, bem como outros aspetos relacionados com a eleição da nova direção sindical.

Na ocasião, João Intchama reconheceu que a Câmara Municipal de Bissau enfrenta atualmente dificuldades financeiras, situação que tem condicionado a capacidade da instituição para fazer face a algumas das suas despesas.

O diretor-geral do Serviço de Saneamento lamentou ainda as dificuldades financeiras e a falta de pessoal, considerando que estes fatores dificultam a resposta às necessidades de saneamento na cidade de Bissau.

RSM: 05.10.2026

«Sumaila da Guiné - Opinião» Porquê que se deve ficar com um pé e meio atrás sobre o alegado impedimento do Único Chefe fugitivo regressar à Guiné-Bissau pelo seu próprio Comando Militar?


1. Quando se viu encurralado em 2022 com uma forte oposição parlamentar ao acordo secreto sobre uma suposta Zona de Exploração Conjunta com o Senegal, então nas mãos do seu cúmplice Macky Sall, Umaro Sissoco Embaló inventou cenários que apagassem essa derrota política. Fabricou uma tentativa de golpe de Estado para caçar os militares que não lhe eram convenientes e para silenciar os efeitos da derrota política que lhe era a resolução do parlamento a anular o acordo às escondidas com o governo senegalês.

2. Após a retumbante derrota da sua família política nas legislativas de 2023, o ditador Sissoco foi obrigado a baixar a guarda e procurar um momento oportuno para, depois de esfriar a revolta popular traduzida na maioria absoluta parlamentar para a PAI-Terra Ranka, aplicar a esta coligação o golpe que só uma oposição ingénua e iludida com o legalismo face a um ditador não antevia. Seis meses depois daquelas eleições, voltou a fabricar uma ridícula tentativa de golpe de Estado que culminou, de novo, com uma caça às bruxas nas forças armadas e na dissolução contra-constitucional do parlamento.

3. Em Novembro de 2025, diante do histórico capote que levou nas presidenciais em que o povo elegeu Fernando Dias da Costa Presidente logo na primeira volta, combinou o golpe cerimonial com aqueles a quem entregaria o poder: militares e políticos ao serviço da sua ditadura sanguinária de seis anos. A partir daqui ele aprendeu a lição capital: sempre que as eleições forem transparentes, perderá mesmo que contra um Zé Qualquer. Por isso, mandou os seus capangas no exercício do poder prepararem o terreno para o seu regresso com a garantia de voltar ao comando sem grandes obstáculos. E a solução foi a alteração cuidadosamente pensada da Constituição da República e da Lei Eleitoral.

4. Umaro Sissoco Embaló sabe que não conseguiu vender à opinião pública guineense e internacional que fora vítima de um golpe de Estado, quando todos sabiam e sabem que levou uma grande paulada eleitoral do povo. Desta vez a inventona morreu à nascença e foi o Goodluck Jonathan a fixar o epitáfio: foi apenas um golpe cerimonial. Para contornar esta derrota na opinião pública, Umaro Sissoco Embaló não deixará de imaginar novas fintas que lhe permitam entrar nas próximas eleições como vítima (bem nos alerta o Professor Fode Mané) e não como o vilão que é.

Mais pistas que justifiquem os meus pé e meio atrás não consigo dar, porque não entro em exercícios de gurus e nunca tentei ser djambakus. Perguntam-me: então o que explica o meio pé à frente? Explico-me a seguir.

5. Não devemos ignorar o comunicado do Alto Comando Militar golpista que diz não haver segurança para o regresso do seu chefe. Até pelo facto de o Sissoco não voltar hoje a Bissau, contrário do que anunciara. E é aqui que nasce outra reserva aguda da minha parte. Falta ao Comando Militar golpista dizer-nos: O que continuam a fazer os militares presos na sequência das inventonas de 2022 e 2023 nas celas da ditadura sissoquista, se há sentenças a provar as suas Inocências? Desarmou ou não a milícia sissoquista corpo do esquadrão de raptos, espancamentos e assassinatos dos últimos sete anos? Em que condições são organizadas as próximas eleições no sentido de garantir a segurança, justiça e transparência ao processo?

Antes de o Comando Militar ter posições públicas sobre estas três questões de fundo, continuamos no terreno de especulação, onde não sei navegar. Por isso, manter a resistência ao golpismo cerimonial e reforçar cada vez mais o nosso combate pelos meios ao nosso dispor é a melhor forma de responder às suas movimentações especulativas. Uma ruptura com o Umaro Sissoco Embaló não assumida publicamente pelos militares golpistas é uma casca de banana no nosso caminho.

Antigo capitão dos Djurtus, Bucundji Cá eleito novo presidente do Clube de Nhacra


O antigo capitão da Seleção Nacional da Guiné-Bissau, os Djurtus, Bucundji Cá, foi eleito novo presidente do Clube de Nhacra, para um mandato de quatro anos.

A eleição decorreu durante uma Assembleia-Geral Extraordinária realizada neste domingo, 4 de outubro, e marca o início de uma nova etapa na liderança do clube.

O Ministro dos Recursos Naturais, Eng.º Júlio Mamadú Baldé, recebeu hoje, 5 de outubro de 2026, em audiência , uma delegação da KUBOL, S.A., no quadro de uma visita de cortesia e de apresentação das perspetivas de desenvolvimento dos projetos que a empresa pretende implementar, a curto prazo, na zona de Farim.

Durante o encontro, o chefe da delegação apresentou as principais linhas do projeto, destacando a intenção de construir infraestruturas mineiras num horizonte de cerca de 18 meses, incluindo uma unidade destinada à transformação local do fosfato antes da sua exportação.

A empresa manifestou ainda a intenção de privilegiar a transformação e valorização local do recurso, incluindo o fornecimento de produtos derivados do fosfato ao mercado nacional, contribuindo assim para a criação de valor acrescentado, emprego e dinamização da economia.

No domínio social, foram igualmente apresentados projetos de infraestruturas em benefício das comunidades de Farim. A KUBOL solicitou ainda a colaboração do Governo relativamente aos futuros processos de deslocamento e reassentamento das comunidades que eventualmente venham a ser afetadas pelo desenvolvimento do projeto.

Na ocasião, o Ministro sublinhou que as futuras infraestruturas rodoviárias, portuárias, mineiras e outras associadas ao projeto deverão estar articuladas com os instrumentos nacionais de ordenamento do território e desenvolvimento do país, de forma a garantir benefícios duradouros para a população e para a economia nacional.

O Eng.º Júlio Baldé manifestou a disponibilidade do Ministério dos Recursos Naturais para acompanhar e apoiar, no âmbito das suas competências, a concretização de um projeto que promova a exploração responsável dos recursos minerais, a transformação local e o desenvolvimento sustentável da Guiné-Bissau.





CEMGFA, Major-General Tomás Djassi preside Reunião Geral das Chefias das Forças de Defesa e Segurança. 05/09/2026.

LGDH: "O desarmamento das forças irregulares deve marcar o início de uma mudança efetiva"

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) saudou, esta segunda-feira (05.10), o desarmamento de militares afetos ao antigo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e defende que esta decisão das autoridades nacionais deve marcar o início de "mudança efetiva" da situação que o país tem vivido.

A organização reagiu em comunicado após o Alto Comando Militar, que governa a Guiné-Bissau, ordenar na semana passada o desarmamento de forças leais a Umaro Sissoco Embaló, apelidadas por alguns de "milícias".

"O desarmamento das forças irregulares deve marcar o início de uma mudança efetiva, e não constituir um ato isolado. Os sinais dados devem agora traduzir-se em medidas capazes de devolver aos cidadãos a liberdade, a segurança e a confiança nas instituições da República", defende na nota enviada à CFM.

A Liga justifica a posição de saudar o desarmamento de "militares de Umaro Sissoco Embaló", recorrendo ao passado conturbado da Guiné-Bissau, que registou inúmeros casos de violência contra cidadãos. Para a organização, nos últimos seis anos, o país atravessou um período particularmente preocupante em matéria de direitos humanos e liberdades fundamentais.

"Cidadãos, ativistas, políticos e, sobretudo, vozes discordantes foram vítimas de atos de violência, incluindo raptos, espancamentos e alegadas execuções sumárias, sem que, até à presente data, se tenha verificado uma responsabilização efetiva dos respetivos autores", recorda o comunicado.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos sublinha que a persistência destes atos "ilegais e criminosos", desde 2020, instalou um clima generalizado de medo e intimidação, levando vários cidadãos ao exílio. "Paralelamente, assistiu-se ao progressivo enfraquecimento das instituições democráticas e judiciárias, pilares essenciais do Estado de Direito e da proteção dos direitos e liberdades fundamentais", destaca a nota.

Para a LGDH, é preciso mudar de página com a promoção de um processo de reconciliação nacional, mas deixa claro quais os requisitos são necessários para concretizar esse desiderato.

"Neste sentido, qualquer processo sério de reconciliação exige a libertação imediata e incondicional de todos os civis e militares detidos arbitrária ou ilegalmente, bem como o afastamento das estruturas de poder e a responsabilização perante a justiça, no respeito pelas garantias legais, de todos aqueles sobre os quais recaiam responsabilidades ou suspeitas pela prática de atos criminosos, nomeadamente raptos, espancamentos e alegadas execuções sumárias", alvitrou.

Para a Liga, não pode haver verdadeira reconciliação sem justiça, estabilidade duradoura sem respeito pelos direitos humanos e pelo Estado de Direito. "A normalização da vida nacional exige o fim da violência e da impunidade, o regular funcionamento das instituições e a recuperação da confiança dos cidadãos", afirma.

Por CFM