terça-feira, 3 de novembro de 2026

CONSELHO DE MINISTROS APROVA DIPLOMAS SOBRE INFRAESTRUTURAS FERROVIÁRIAS E ENSINO SUPERIOR E ANALISA PERSPETIVAS ECONÓMICAS DO PAÍS




Reunião presidida pelo Presidente da República de Transição, General Horta Inta-a, destaca os resultados da cooperação com o FMI, as perspetivas de eletrificação nacional através da OMVG e a harmonização da legislação guineense com as normas comunitárias da UEMOA.

Bissau, 3 de novembro de 2026 — O Conselho de Ministros reuniu-se esta terça-feira, em sessão ordinária, no Salão Nobre «General Umaro Sissoco Embaló», do Gabinete do Primeiro-Ministro, sob a presidência do Presidente da República de Transição, General do Exército Horta Inta-a, tendo aprovado dois importantes diplomas destinados à harmonização da legislação nacional com as diretivas da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA).

A reunião ficou igualmente marcada pela apresentação dos resultados da 12.ª e última revisão do Programa Económico e Financeiro iniciado em janeiro de 2023, pelas perspetivas de expansão da eletrificação nacional e por informações relativas à participação da Guiné-Bissau nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026.

GOVERNO PRETENDE TRANSFORMAR ESTABILIDADE MACROECONÓMICA EM CRESCIMENTO ECONÓMICO E BEM-ESTAR SOCIAL

No capítulo das informações gerais, o Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té, apresentou ao Conselho de Ministros uma síntese dos resultados alcançados no âmbito da 12.ª e última revisão do Programa Económico e Financeiro desenvolvido em cooperação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), iniciado em janeiro de 2023.

Segundo o comunicado oficial, os resultados positivos alcançados colocam a Guiné-Bissau numa posição favorável para negociar um novo programa de cooperação económica e financeira, com a perspetiva de transformar os progressos registados na estabilização macroeconómica em crescimento económico efetivo, estabilidade social e melhores condições de vida para as populações.

Esta orientação traduz uma preocupação central do Executivo: assegurar que os esforços de disciplina orçamental, consolidação das finanças públicas e realização de reformas estruturais produzam benefícios concretos para os cidadãos.
O novo ciclo de cooperação com o FMI poderá, assim, constituir uma oportunidade para reforçar as bases de uma economia mais produtiva, capaz de estimular o investimento, favorecer a criação de emprego e responder às necessidades sociais do país.

A mensagem política subjacente é a de que a estabilidade macroeconómica deve deixar de ser encarada apenas como um objetivo financeiro, passando a constituir um instrumento ao serviço do desenvolvimento nacional e da melhoria das condições de vida do povo guineense.

ELETRIFICAÇÃO NACIONAL: OMVG ABRE NOVAS PERSPETIVAS PARA O DESENVOLVIMENTO

O Ministro dos Recursos Naturais apresentou ao plenário governamental os resultados da recente reunião do Conselho de Ministros da Organização para a Valorização do Rio Gâmbia (OMVG), realizada em Bissau.

De acordo com as informações transmitidas, o encontro abriu perspetivas favoráveis ao alargamento progressivo da eletrificação a todo o território nacional.
O desenvolvimento das infraestruturas energéticas associadas à OMVG constitui um elemento estratégico para a transformação económica e social da Guiné-Bissau, particularmente no que respeita à melhoria do abastecimento de eletricidade às populações, ao funcionamento dos serviços públicos e à criação de condições mais favoráveis à atividade empresarial.

A extensão da rede elétrica às regiões do interior poderá contribuir para reduzir as assimetrias territoriais, apoiar a transformação dos produtos agrícolas, estimular pequenas e médias empresas e melhorar o funcionamento das escolas e das unidades sanitárias.

A concretização destas perspetivas dependerá, contudo, da continuidade dos investimentos, da capacidade de distribuição da energia e da sustentabilidade técnica e financeira do sistema elétrico nacional.

CONSELHO DE MINISTROS APROVA HARMONIZAÇÃO DAS NORMAS FERROVIÁRIAS DA UEMOA

Na parte deliberativa, o Conselho de Ministros aprovou o Projeto de Decreto que transpõe para o ordenamento jurídico nacional a Diretiva n.º 01/2014/CM/UEMOA, de 27 de março, relativa à harmonização das normas e padrões de reabilitação e construção das infraestruturas ferroviárias, bem como às opções institucionais de gestão das redes ferroviárias.

A aprovação deste diploma representa um passo no processo de adequação do quadro jurídico guineense às disposições comunitárias aplicáveis ao setor dos transportes ferroviários.

Embora a Guiné-Bissau ainda não disponha de uma rede ferroviária nacional operacional, a adoção destas normas poderá contribuir para criar condições jurídicas e institucionais favoráveis à futura conceção de projetos ferroviários e à integração do país em iniciativas regionais de transportes e logística.

A harmonização normativa constitui, neste sentido, um instrumento de preparação institucional para eventuais investimentos estruturantes destinados a melhorar a circulação de pessoas e mercadorias, reforçar a competitividade económica e facilitar a integração nos mercados sub-regionais.

Importa sublinhar que a aprovação do diploma não corresponde, por si só, ao lançamento de qualquer projeto de construção ferroviária, mas estabelece um enquadramento normativo relevante para futuras iniciativas.

ENSINO SUPERIOR: GOVERNO REFORÇA HARMONIZAÇÃO DO SISTEMA UNIVERSITÁRIO

Ainda na parte deliberativa, o Conselho de Ministros aprovou o Projeto de Decreto-Lei que transpõe a Diretiva n.º 03/2007/CM/UEMOA, de 4 de julho, relativa à adoção do sistema Licenciatura-Mestrado-Doutoramento (LMD) nas universidades e estabelecimentos de ensino superior dos Estados-membros da UEMOA.

A medida insere-se no esforço de harmonização dos sistemas de ensino superior no espaço comunitário, procurando favorecer uma maior compatibilidade entre os percursos académicos, os graus universitários e os mecanismos de reconhecimento das qualificações.

A adoção de um enquadramento comum poderá contribuir para facilitar a mobilidade académica dos estudantes e docentes, promover a cooperação entre instituições universitárias e reforçar a qualidade e a competitividade do ensino superior guineense.

Trata-se de uma iniciativa com particular importância para a formação de quadros nacionais e para a valorização do capital humano, considerado um dos fatores essenciais do desenvolvimento económico e social.

A eficácia desta reforma dependerá, igualmente, da capacidade das instituições de ensino superior para assegurar a sua implementação, nomeadamente através da adequação curricular, da qualificação dos docentes e do reforço dos mecanismos de avaliação e garantia da qualidade.

JUVENTUDE E DESPORTO: PARTICIPAÇÃO NOS JOGOS DE DAKAR 2026 EM DESTAQUE

A Ministra da Juventude, Cultura e Desportos apresentou uma informação sobre a sua participação nas atividades relacionadas com os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026, no Senegal, evento que o comunicado destaca como a primeira edição da competição realizada em território africano.

Foi igualmente assinalada a participação do Presidente da República de Transição, General Horta Inta-a, na qualidade de convidado de honra.

O envolvimento da Guiné-Bissau neste importante acontecimento desportivo internacional evidencia a relevância atribuída à juventude, ao desporto e à cooperação regional, num contexto em que a promoção das oportunidades para os jovens constitui um desafio central para o desenvolvimento nacional.

HARMONIZAÇÃO REGIONAL E DESENVOLVIMENTO NACIONAL NO CENTRO DAS DECISÕES GOVERNAMENTAIS

As matérias apreciadas e as decisões tomadas pelo Conselho de Ministros refletem três dimensões relevantes da ação governativa: a consolidação dos resultados económicos, o reforço das infraestruturas estratégicas e a modernização do quadro jurídico e institucional.

A cooperação com o FMI, as perspetivas de expansão da eletrificação nacional através da OMVG e a harmonização das normas ferroviárias e universitárias da UEMOA constituem instrumentos distintos, mas complementares, de integração regional e de preparação das condições necessárias ao desenvolvimento sustentável.

Num contexto de transição política e institucional, estas iniciativas demonstram a importância da continuidade da ação administrativa do Estado, da execução das políticas públicas e da cooperação com as organizações regionais e os parceiros internacionais.

O desafio fundamental permanece o de transformar as decisões governamentais, os compromissos internacionais e os progressos macroeconómicos em resultados concretos, capazes de melhorar a vida das populações, reforçar a capacidade produtiva nacional e criar oportunidades para as novas gerações.

A reunião do Conselho de Ministros decorreu sob a presidência do General do Exército Horta Inta-a, Presidente da República de Transição.

Mustafa Cassamá

GOVERNO CONSIDERA ESTRANHAS DECLARAÇÕES DE MÉDICOS ESTUDANTES GUINEENSES QUE DENUNCIAM ABANDONO NA VENEZUELA



O Ministério dos Negócios Estrangeiros considera estranhas as declarações dos 45 médicos estudantes guineenses que se encontram na Venezuela, os quais afirmam estar abandonados pelo Governo da Guiné-Bissau.

A posição foi tornada pública esta terça-feira, durante uma conferência de imprensa destinada a apresentar o plano estratégico para a emissão e renovação de passaportes dos estudantes guineenses naquele país, que deverão concluir os seus cursos em dezembro próximo.

Na ocasião, o diretor-geral das Comunidades, Braima Mané, rejeitou as acusações de abandono, justificando que o Governo mantém contacto diário com os estudantes através de um grupo de WhatsApp, por meio do qual acompanha a situação e as suas dificuldades.

O responsável recordou ainda que, durante o terramoto registado na Venezuela, o Governo disponibilizou 30 milhões de francos CFA para apoiar 135 estudantes guineenses naquele país.

Relativamente à renovação dos passaportes dos estudantes de Medicina que se encontram em especialização, Braima Mané anunciou que já foram criadas as condições necessárias para o início do processo de renovação dos documentos.

Entretanto, através de um vídeo divulgado nas redes sociais, Zito Sambo, porta-voz dos médicos estudantes guineenses na Venezuela, denunciou dificuldades relacionadas com a caducidade dos seus documentos de identificação, situação que, segundo afirmou, poderá comprometer a receção dos respetivos diplomas.

RSM 03/11/2026

DUAS JOVENS GUINEENSES VÍTIMAS DE TRÁFICO HUMANO RESGATADAS NA COSTA DO MARFIM



O Ministério dos Negócios Estrangeiros anuncia o resgate de duas jovens guineenses vítimas de tráfico de seres humanos na Costa do Marfim. As vítimas já se encontram na Guiné-Bissau e em segurança, na sequência de diligências diplomáticas realizadas pelo atual Governo.
A informação foi avançada hoje pelo secretário de Estado das Comunidades, Braima Mané, durante uma conferência de imprensa em que foram também abordadas estratégias para a emissão de passaportes guineenses no estrangeiro, nomeadamente na Venezuela.

Segundo explicou Braima Mané, as duas jovens foram identificadas pelas autoridades através de vídeos divulgados nas redes sociais, nos quais pediam ajuda para regressar à Guiné-Bissau.

De acordo com os relatos das vítimas, ambas foram atraídas para a Costa do Marfim com falsas promessas de emprego. No entanto, para conseguirem viajar, foram obrigadas a suportar despesas superiores a um milhão e quinhentos mil francos CFA. Já no destino, eram submetidas a trabalhos e pressionadas a exigir às próprias famílias o pagamento de quantias exorbitantes.

Perante a experiência vivida, Santa Caramo alerta às mulheres guineenses para que não aceitem propostas de emigração sem garantias credíveis de emprego e segurança, considerando lamentável a situação que enfrentaram no estrangeiro.

Entretanto, permanece por esclarecer se existem outras cidadãs guineenses na Costa do Marfim ou noutros países a enfrentar situações semelhantes de tráfico humano, exploração laboral e falsas promessas de emprego.

RSM: 03/10 /2026

Advogados guineenses apresentaram hoje uma queixa-crime contra a direção do Supremo Tribunal de Justiça. Acusam o presidente, o vice-presidente e o antigo presidente interino de 13 crimes, entre eles peculato e prevaricação. Pedem ao Ministério Público que abra um inquérito.

 


DW Português para África

PRESIDENTE HORTA INTA-A PRESIDE AO CONSELHO DE MINISTROS



O Presidente da República de Transição, General do Exército Horta Inta-a, presidiu esta terça-feira, 3 de novembro, a mais uma sessão ordinária do Conselho de Ministros, realizada na Primatura, em Bissau.

Durante a reunião, o Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, apresentou os resultados da 12.ª revisão do programa financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciando que esta etapa marca o fim do atual programa e abre perspetivas para um novo acordo.

A sessão teve igualmente na agenda a harmonização das normas de construção e reabilitação de infraestruturas ferroviárias no espaço da UEMOA, bem como a análise de um projeto de lei sobre o sistema de licenciatura, mestrado e doutoramento no ensino superior guineense.

Bissau, 03 de novembro de 2026.





O Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Amadu Uri Guissé, recebeu, no seu gabinete, uma missão conjunta do CILSS, da FAO e do SP-CILSS, no âmbito da avaliação preliminar da campanha agrícola 2026/2027.


Durante o encontro, foram abordadas questões relacionadas com o acompanhamento e a avaliação da campanha agrícola, estando igualmente previstas visitas de terreno às diferentes regiões do país, com o objetivo de recolher informações e avaliar a situação da produção agrícola.

A iniciativa visa reforçar o acompanhamento do setor agrícola e contribuir para uma melhor compreensão dos desafios e das perspetivas da campanha agrícola 2026/2027.

TV O PAÍS- NEWS



*PRIMEIRO-MINISTRO DEFENDE NOVO PROGRAMA COM O FMI ORIENTADO PARA O CRESCIMENTO ECONÓMICO, A CRIAÇÃO DE EMPREGO E O DESENVOLVIMENTO SOCIAL*



Ilídio Vieira Té reafirma o compromisso do Governo com a disciplina orçamental, a estabilidade macroeconómica e a continuidade das reformas, defendendo que os resultados da cooperação com o Fundo Monetário Internacional devem traduzir-se em melhores condições de vida para os guineenses. --- Bissau, 3 de Novembro de 2026 —

O Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, defendeu a abertura de negociações para um novo Programa Económico e Financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), orientado não apenas para a consolidação das finanças públicas e o cumprimento das metas macroeconómicas, mas também para a promoção do crescimento produtivo, a criação de emprego e a melhoria das condições de vida das populações.

A posição foi expressa durante a sua intervenção por ocasião da 12.ª e última revisão do Programa Económico e Financeiro iniciado em Janeiro de 2023, num encontro que contou com a presença de membros do Governo, da Directora Nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), do Chefe da Missão do FMI, do Representante Residente da instituição e de parceiros técnicos e financeiros.

Na ocasião, o Chefe do Executivo considerou que a realização desta última revisão representa um momento de particular importância para a Guiné-Bissau, assinalando a continuidade da cooperação com o FMI ao longo de quatro anos marcados por dificuldades políticas, institucionais e económicas.

Ilídio Vieira Té destacou que os resultados alcançados constituem um mérito colectivo do Estado guineense, das suas instituições e dos parceiros internacionais que acompanharam a execução do programa.

«É uma realização institucional que merece reconhecimento, não como vitória de um Governo, mas como um mérito do Estado guineense, das suas instituições e dos parceiros que acompanharam este processo», afirmou.

ECONOMIA GUINEENSE PODERÁ CRESCER 5,2% EM 2026 E 5,8% EM 2027
Ao apresentar as perspectivas económicas nacionais, o Primeiro-Ministro referiu os indicadores constantes da Nota de Enquadramento Macroeconómico e Orçamental de Setembro de 2026, que apontam para uma evolução positiva da actividade económica, embora persistam importantes desafios estruturais.

Segundo as projecções apresentadas, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá registar um crescimento real de 5,2% em 2026, podendo atingir 5,8% em 2027.

As receitas fiscais deverão igualmente conhecer uma evolução, passando de 142,5 mil milhões de francos CFA em 2026 para 164,7 mil milhões em 2027.

No domínio das finanças públicas, o défice orçamental, incluindo donativos, deverá diminuir de 7% do PIB em 2025 para 4,2% em 2026, com uma projecção de 2,8% em 2027.

Contudo, o Primeiro-Ministro reconheceu que a dívida pública, estimada em 76,9% do PIB, continua elevada, enquanto a pressão fiscal de 9,1% permanece insuficiente para responder adequadamente às necessidades de financiamento do Estado.

Perante este quadro, Ilídio Vieira Té defendeu a manutenção da disciplina financeira, a modernização da administração fiscal e aduaneira, o reforço da transparência na gestão pública e a mobilização de financiamentos concessionais.
Sublinhou, porém, que o rigor orçamental não deve comprometer o funcionamento dos serviços públicos essenciais nem os investimentos considerados prioritários para o desenvolvimento nacional.

NOVO PROGRAMA COM O FMI DEVERÁ ESTAR ARTICULADO COM O PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO

Um dos principais pontos da intervenção do Primeiro-Ministro foi a necessidade de iniciar discussões sobre um novo programa de cooperação económica e financeira com o FMI, que permita consolidar os progressos alcançados e aprofundar as reformas estruturais.

Para Ilídio Vieira Té, a continuidade desta parceria poderá contribuir para reforçar a credibilidade internacional da Guiné-Bissau perante as instituições financeiras multilaterais, os parceiros bilaterais e os potenciais investidores.

O Chefe do Executivo deixou, contudo, claro que o Governo pretende uma nova abordagem, assente numa articulação mais estreita entre a estabilidade macroeconómica e as prioridades concretas do desenvolvimento nacional.

Neste sentido, defendeu que o futuro programa esteja directamente associado ao Plano Nacional de Desenvolvimento, com particular incidência nos sectores da educação, saúde, infra-estruturas, energia, agricultura e diversificação económica.

«Não pretendemos apenas um programa que assegure o cumprimento de metas financeiras. Queremos um instrumento que contribua efectivamente para o crescimento produtivo, a criação de emprego e o desenvolvimento social», declarou.

Esta orientação, segundo o Primeiro-Ministro, deverá permitir que os esforços de consolidação orçamental sejam acompanhados por investimentos capazes de dinamizar a economia, reforçar a capacidade produtiva nacional e criar oportunidades para a juventude.

ESTABILIDADE ECONÓMICA DEVE TRADUZIR-SE EM ESTABILIDADE SOCIAL

Na sua intervenção, Ilídio Vieira Té insistiu na necessidade de estabelecer uma ligação efectiva entre os resultados macroeconómicos e o bem-estar das populações.

O Primeiro-Ministro considerou que os indicadores de crescimento, por mais encorajadores que sejam, não constituem um fim em si mesmos, devendo reflectir-se na melhoria dos rendimentos familiares, no acesso aos serviços públicos e na criação de oportunidades económicas.

«O crescimento económico só terá verdadeiro significado quando se traduzir em emprego, rendimento, melhores serviços públicos e melhores condições de vida para os guineenses», salientou.

O Chefe do Governo reafirmou igualmente que a continuidade das políticas económicas e o cumprimento dos compromissos internacionais devem constituir responsabilidades permanentes do Estado, independentemente das circunstâncias políticas e institucionais.

Reconhecendo que a Guiné-Bissau atravessa uma etapa particularmente exigente da sua vida política, defendeu a preservação da confiança dos parceiros internacionais e da credibilidade das instituições nacionais.

Para o Primeiro-Ministro, essa credibilidade deve assentar em resultados concretos, transparência na gestão dos recursos públicos e respeito pelos compromissos assumidos.

GOVERNO REAFIRMA COMPROMISSO COM A CONTINUIDADE DAS REFORMAS E A COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Na parte final da sua intervenção, Ilídio Vieira Té reafirmou a determinação do Governo em contribuir para a conclusão bem-sucedida do actual programa e em aprofundar a cooperação com o Fundo Monetário Internacional.

O Primeiro-Ministro sustentou que a estabilidade macroeconómica deve constituir uma base para transformações económicas e sociais mais profundas, capazes de responder às necessidades da população e de reforçar a confiança no futuro do país.

«O verdadeiro êxito deste programa não estará apenas nas avaliações positivas ou no cumprimento das metas financeiras, mas na nossa capacidade de transformar a estabilidade macroeconómica em estabilidade social e o crescimento económico em melhores condições de vida para o nosso povo», afirmou.

Ilídio Vieira Té concluiu a sua intervenção reiterando que a Guiné-Bissau necessita de estabilidade, confiança e investimento, mas, sobretudo, de políticas públicas capazes de transformar os progressos económicos em desenvolvimento efectivo e duradouro.

A mensagem central do Chefe do Executivo aponta, assim, para a necessidade de uma nova etapa na cooperação com o FMI, em que a consolidação das finanças públicas, a sustentabilidade da dívida e a disciplina orçamental caminhem lado a lado com o investimento produtivo, a protecção dos serviços sociais essenciais e a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

«A Guiné-Bissau precisa de estabilidade, confiança e investimento. Mas, acima de tudo, precisa de transformar os seus progressos económicos em desenvolvimento efectivo e duradouro», concluiu.

Mustafa Cassamá