O Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros defende a urbanização da cidade como uma das principais medidas para evitar mortes provocadas por fossas inacabadas e valetas a céu aberto.
A ideia foi defendida esta segunda-feira, 27 de julho, pelo Comandante da Corporação de Bombeiro durante o programa “Nô Segurança” da Rádio Sol Mansi dedicado ao tema "Perigo das Fossas Inacabadas e Valetas a Céu Aberto no Período das Chuvas".
Para Francisco Correia a falta de urbanização na cidade constitui perigo em todos aspectos, sobretudo as casas de banhos que são construídas sem fossas rotas.
"Primeiro, posso apontar o fator da urbanização, porque quando não há urbanização estamos em perigo em todos os aspetos. Num bairro urbanizado ninguém precisa de passar por cima de uma fossa", afirmou o comandante da corporação.
O comandante considera que Bissau continua a crescer de forma desordenada e afirmou que a capital se assemelha a "uma tabanca mais vasta da Guiné-Bissau", devido à falta de urbanização.
"Quando esta situação continua a ceifar vidas, já não pode ser vista apenas como um perigo, mas como um problema grave. As pessoas são obrigadas a passar por caminhos improvisados para chegar ao destino, o que demonstra a falta de urbanização. Na minha opinião, Bissau é uma tabanca mais vasta, escolhida como capital, mas em termos de urbanização estamos a zero", acrescentou Francisco Correia.
Os Moradores da capital denunciam que a existência de fossas inacabadas e valetas a céu aberto tem colocado em risco a vida da população, sobretudo das crianças, durante o período das chuvas.
"A situação das fossas inacabadas representa um perigo para todos, mas para as crianças é ainda mais grave nesta época das chuvas. Eu próprio sou vítima desta realidade, porque o filho do meu tio morreu numa fossa há dois anos", lamentaram os moradores.
Para diminuir os riscos, o comandante dos serviços nacionais da proteção civil e Bombeiros defende ainda a construção de fossas fixas que permitam ser esvaziadas.
"Para acabar com esta prática, é preciso construir fossas fixas com tampas, que possam ser esvaziadas quando estiverem cheias. Infelizmente, continuamos a construir casas de banho inadequadas, como acontece nas tabancas", criticou Francisco Correia.
Nos últimos tempos, têm sido registadas e denunciadas várias mortes de crianças e também de adultos que caíram em fossas a céu aberto ou inacabadas nos bairros, especialmente durante a época das chuvas.
RSM: 27.07.2026







