quinta-feira, 23 de abril de 2026

‎MAIS DE 80% DA POPULAÇÃO RURAL SEM ELETRICIDADE: GOVERNO ASSUME DESAFIO E PROMETE AÇÃO


O ministro do Ambiente e Ação Climática, Augusto Idrissa Embaló, afirmou esta quinta-feira, em Bissau, que a eletrificação rural continua a ser um dos maiores desafios estruturais da Guiné-Bissau, revelando que mais de 80% da população nas zonas rurais vive sem acesso à eletricidade.

‎As declarações foram feitas na abertura do encontro de validação do draft da Estratégia Nacional de Eletrificação Rural. Na ocasião, o governante destacou que a falta de energia elétrica limita o desenvolvimento económico, dificulta o acesso a serviços básicos essenciais e compromete a melhoria das condições de vida das populações.
‎Apesar do cenário desafiante, Augusto Idrissa Embaló sublinhou que a situação representa também uma oportunidade para o país apostar num modelo energético mais justo, inclusivo e adaptado às realidades nacionais.
‎O Executivo reafirmou o seu compromisso em continuar a trabalhar com determinação e responsabilidade para promover o bem-estar da população guineense, com especial atenção às comunidades rurais.
‎Por sua vez, a representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexandra Casazza, reconheceu os progressos registados nos últimos anos, mas alertou que os dados ainda evidenciam a dimensão dos desafios energéticos, sobretudo fora dos centros urbanos.
‎O encontro de validação da Estratégia Nacional de Eletrificação Rural acontece semanas após a aprovação da Política Nacional de Energia, que define as orientações estratégicas para o setor até 2035 e reforça a necessidade de acelerar o acesso à eletricidade em todo o território nacional.
‎RSM: 23-04-2026

O Director-Geral da Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB), Carlos Alberto Handem, realizou esta quinta-feira uma conferência de imprensa sobre a redução dos preços praticados nos serviços de eletricidade e água no país.

TV O PAÍS | Hamadi Candé

GOVERNO E TELECEL LANÇAM PLATAFORMA STARTOCODE PARA FORMAR 4.000 JOVENS EM TECNOLOGIA


Bissau, 23 de abril de 2026 — Decorreu, na sala de reuniões do Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, a cerimónia de assinatura do Memorando de Entendimento para a implementação da plataforma STARTOCODE.
A cerimónia contou com a presença do Ministro da Educação, da Ministra da Mulher e do CEO da Telecel Guiné-Bissau, entre outras entidades governamentais e parceiros institucionais.
A iniciativa, resultante de uma parceria entre o Governo e a Telecel, tem como objetivo formar 4.000 jovens em competências tecnológicas ao longo dos próximos quatro anos, com enfoque na programação e na inclusão digital.
O projeto prevê a participação ativa de mulheres e pessoas com deficiência, reforçando o compromisso com a igualdade de oportunidades, bem como a criação de hubs de aprendizagem e o acesso a oportunidades de estágio, facilitando a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
A plataforma STARTOCODE apresenta uma metodologia já testada, agora adaptada à realidade da Guiné-Bissau, garantindo uma formação prática e orientada para as exigências do mercado atual.

Durante o acto, o Ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital afirmou:

“Este projeto vai formar 4.000 jovens ao longo de quatro anos, com foco na tecnologia, garantindo a inclusão de mulheres e pessoas com deficiência. Pretendemos criar hubs de aprendizagem e promover a inserção destes jovens no mercado de trabalho.”

O governante acrescentou ainda:
“A implementação desta iniciativa, em parceria com a Telecel e com o envolvimento de vários ministérios, permitirá não só a formação, mas também a criação de oportunidades concretas de estágio para os nossos jovens.”
Dirigindo-se à juventude, deixou uma mensagem clara:
“Os jovens devem aproveitar esta oportunidade, pois as competências digitais são essenciais para o futuro.”
Com esta iniciativa, a Guiné-Bissau dá um passo importante na promoção da inovação, inclusão e capacitação tecnológica da sua população jovem.

Assista ao vivo: à conferência de imprensa do Ministro da Justiça Carlos Pinto Pereira, que presta esclarecimentos sobre a apreensão de passaportes da Guiné-Bissau no Aeroporto de Lisboa em 2025.

CEMGFA em visita ao Brigada Mecanizada em reabilitação. A visita do Major-General Tomás Djassi coincide com a limpeza do recinto que conta com militares de diferentes Unidades de Bissau, organizada pelo Estado-Maior General das Forças Armadas, através da Divisão Central de Operações e Treinos. - IM/FA 18.04.2026


Guiné-Bissau: Defesa de Domingos Simões Pereira denuncia “sequestro”


O advogado Roberto Indeque, membro do colectivo de defesa de Domingos Simões Pereira, afirmou que o dirigente político está privado da liberdade sem base legal e sem qualquer processo judicial em curso. Em entrevista, denuncia ainda isolamento há três semanas, restrições impostas a Fernando Dias da Costa e critica a inacção da comunidade internacional perante a crise na Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau volta a mergulhar num ambiente de tensão política, marcado por versões opostas sobre o estado do país. Por um lado, o Governo de transição insiste numa mensagem de normalidade institucional, crescimento económico e diálogo entre actores políticos, e do outro a oposição denuncia restrições de direitos, detenções arbitrárias e controlo apertado sobre figuras políticas.

No centro da controvérsia está a situação de Domingos Simões Pereira. Em entrevista, o advogado Roberto Indeque, integrante do colectivo de defesa do antigo primeiro-ministro, faz acusações directas: “Estamos perante uma detenção política ou, se quiser dizer de forma mais precisa, estamos perante um sequestro”, declara.

A escolha das palavras não foi casual. Questionado sobre os fundamentos jurídicos dessa afirmação, o jurista respondeu de forma categórica: “O senhor Domingos Simões Pereira nunca teve processo no Tribunal Militar e hoje não tem processo em nenhum tribunal do país.”

Nome citado num relatório sem consequências processuais

Segundo a defesa, a origem de toda a narrativa oficial reside apenas numa menção ao nome do dirigente político num relatório de inquérito relacionado com a alegada tentativa de golpe de Estado de Outubro de 2015.

“O que aconteceu simplesmente é que o seu nome aparece num parágrafo no relatório de inquérito do suposto caso tentativa de Estado de Outubro de 2015. É só isso”, afirma Roberto Indeque.

O advogado acrescenta que, por se tratar de uma figura pública e líder de um dos principais partidos do país, as autoridades entenderam pedir esclarecimentos. “Por ser uma figura pública e por ser líder do maior partido político, a promotoria militar achou por bem que havia necessidade de se esclarecer em que circunstâncias teria aparecido o seu nome no relatório.”

Ainda assim, sustenta que nunca foi dado qualquer passo formal para abertura de processo. “Ele foi no dia 13 de Fevereiro, quando a promotoria o convocou para ir esclarecer. Foi lá, declarou tudo o que havia para declarar.” E prossegue: “A promotoria achou-se satisfeita com a declaração e ele saiu da promotoria tal como entrou.”

Para a defesa, esse detalhe é juridicamente decisivo. “Não houve despacho de suspeito, muito menos despacho de acusação. A figura de declarante não é sujeito processual. Não sendo sujeito processual significa que não há nenhum processo contra ele.”

“Prisão domiciliária não existe no nosso sistema”

Outro eixo da argumentação do advogado prende-se com as restrições impostas ao antigo governante, descritas como uma forma de reclusão informal. “Vamos admitir hipoteticamente, ainda que remota, que houvesse um processo judicial contra ele. Se se falasse de prisão domiciliária, não seria o caso aplicável”, afirma.

A razão, explica, é simples: “No nosso ordenamento jurídico, entre as medidas de coacção existentes no Código de Processo Penal, não está prevista a prisão domiciliária.” Daí a conclusão: “Isto não é detenção, não existe detenção domiciliária. Não é prisão porque também não existe prisão domiciliária. Por isso eu chamei isso de sequestro.”

E reforçou a acusação: “Quando um órgão judicial ou qualquer órgão administrativo utiliza um expediente que não esteja previamente regulado, está a cometer uma ilegalidade.”

Para o advogado Roberto Indeque, o caso ultrapassa o plano jurídico e inscreve-se numa estratégia política. “O regime está a construir essa narrativa em volta do senhor Domingos Simões Pereira”, afirma.

Três semanas sem acesso de médicos e advogados

As denúncias tornam-se mais sensíveis quando o advogado descreve o actual regime de isolamento do seu cliente. “A única pessoa que tinha acesso ao Domingos Simões Pereira era o seu médico pessoal, que também é irmão, e o colectivo dos advogados”, explicou.

Mas, segundo relata, essa situação alterou-se recentemente. “De há três semanas para cá, nem o médico, nem os advogados têm acesso ao engenheiro Domingos Simões Pereira.”

Na interpretação da defesa, trata-se de uma situação grave. “Isto significa que está num isolamento absoluto.” Questionado sobre o que motivou a mudança, responde: “Confesso, senhora jornalista, que não sei explicar, porque também não nos deram explicação. Simplesmente disseram que era ordem superior.”
Fernando Dias da Costa também alvo de restrições

As críticas do colectivo de defesa não se limitam ao caso de Domingos Simões Pereira. O advogado afirma que Fernando Dias da Costa, apresentado pelos seus apoiantes como vencedor das presidenciais contestadas, enfrenta igualmente limitações severas. “O Fernando, na sua residência, também está sob forte vigilância”, declara.

Descrevendo o dia-a-dia do dirigente, acrescenta: “Para se deslocar, a viatura está sujeita a revista. Para entrar, quando volta de onde saiu, está novamente sujeita a revista.” E lança uma interrogação: “Como é que podemos interpretar isso numa pessoa livre?”

Na sua óptica, o problema reside na diferença entre o discurso oficial e a realidade. “Talvez tenhamos pontos de vista diferentes da interpretação do que significa liberdade entre o colectivo dos advogados e o regime.”

Depois esclareceu a sua definição: “Do ponto de vista do colectivo dos advogados, liberdade significa que o senhor pode deslocar-se livremente em qualquer parte do território, sem prévia autorização, sem prévio anúncio ou permissão de qualquer outra pessoa.”

Governo insiste na normalidade

Do lado oficial, o executivo de transição liderado por Ilídio Vieira Té continua a defender uma imagem de estabilidade, diálogo político e sinais positivos na economia, incluindo previsões de crescimento e contactos com o Fundo Monetário Internacional. Mas Roberto Indeque rejeita frontalmente essa leitura: “Só o Governo pode explicar como controla essa narrativa quando, na realidade, estamos a assistir exactamente ao oposto.”

E acrescenta: “Quem está cá, mesmo estando fora mas acompanhando a actualidade, sabe que não há liberdade como se diz. Não existe de forma alguma.”
Desilusão com a comunidade internacional

O advogado mostrou frustração perante a ausência de reacção regional e internacional. Dirigiu críticas à CEDEAO, à CPLP e à União Africana. “Estou a ficar decepcionado”, acrescentando que já tinham sido anunciadas medidas para responder à crise, sem resultados visíveis. “Foi adoptada uma série de medidas e, até hoje, se não estou em erro, nenhum ponto foi cumprido.”

Perante esse quadro, avança com uma explicação possível: “Talvez a comunidade internacional esteja cansada e queira virar as costas.”

Apesar do cenário traçado, Roberto Indeque rejeita a ideia de resignação interna. “Os guineenses não podem estar cansados”, respondeu, confrontado com a pergunta e clarificou: “Estão desanimados, mas não estão cansados. Vamos batalhar até que haja legalidade", concluiu.

Por: Lígia ANJOS
rfi.fr/pt/

STARTOCODE VAI FORMAR 4.000 JOVENS EM PROGRAMAÇÃO E COMPETÊNCIAS DIGITAIS


O Governo da Guiné-Bissau e a empresa de telecomunicações Telecel rubricaram, esta quinta-feira, 23 de abril de 2026, um memorando de entendimento para o lançamento da plataforma STARTOCODE no país. A iniciativa visa formar 4.000 jovens em áreas digitais ao longo dos próximos quatro anos, com enfoque no acesso à plataforma, licenciamento e suporte através de canais online e centros locais, privilegiando a participação feminina e de pessoas com deficiência.

O programa tem como objetivo promover uma formação digital inclusiva e sensível ao género, capacitando os jovens guineenses com competências essenciais para a economia digital.

Após a assinatura do acordo, o Ministro dos Transportes e Economia Digital, Florentino Mendes Pereira, destacou que o memorando representa um contrato de responsabilidade juridicamente vinculativo, com metas anuais, indicadores de desempenho e obrigações claramente definidas para ambas as partes.

No seu discurso, o governante explicou que o STARTOCODE é uma plataforma digital de aprendizagem (edtech), desenvolvida pelo Grupo Telecel, concebida para oferecer formação acessível e de qualidade em programação e competências digitais.

Segundo o ministro, a plataforma foi criada com o propósito de capacitar não apenas os jovens, mas todos os interessados, fornecendo ferramentas que lhes permitam participar ativamente na economia digital, promovendo a inclusão digital e a empregabilidade.

O titular da pasta dos Transportes e Economia Digital garantiu que o Governo assegurará a formação de mil jovens por ano, totalizando quatro mil beneficiários ao longo de quatro anos, nas áreas de programação, ciência de dados e computação em nuvem.

Acrescentou ainda que 40% dos beneficiários serão mulheres e pessoas com deficiência. Sublinhou igualmente que o papel do Governo será assegurado através de um processo colaborativo entre os Ministérios da Educação, da Mulher e Solidariedade Social, da Juventude e da Administração Pública, cabendo ao Ministério dos Transportes a coordenação geral do programa.

Florentino Mendes Pereira afirmou esperar que a assinatura do memorando constitua o primeiro passo para a criação de uma geração de jovens guineenses preparada para enfrentar os desafios da economia digital.

Por sua vez, o diretor-geral da Telecel na Guiné-Bissau, Walid Akkaoui, assegurou que a empresa pretende lançar o programa STARTOCODE com o objetivo de oferecer, gratuitamente, formação em literacia digital e programação aos jovens do país.

O responsável explicou que a Telecel prevê formar 4.000 estudantes ao longo de quatro anos, através de uma abordagem faseada que inclui acesso à plataforma, licenciamento e suporte por meio de canais online e centros locais.

Na sua intervenção, Walid Akkaoui enfatizou que o programa STARTOCODE visa dotar os participantes de competências técnicas, pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas e espírito empreendedor, preparando-os para carreiras na indústria tecnológica, um setor em constante crescimento.

Por: Carolina Djeme
odemocratagb