Sete cidadãos guineenses apresentaram, esta sexta-feira, uma denúncia criminal junto do Ministério Público contra o ex-Presidente da República Umaro Sissoco Embaló e vários responsáveis militares e civis, por alegado envolvimento num golpe de Estado ocorrido em 26 de novembro de 2025.
João Adriano Conduto Júnior, Carmelita Pires, Dionísio Simões Pereira, Néxus Faria, Sumailo Jaló, Amadú Dafé e Formoso Gomes subscrevem a queixa dirigida ao Procurador-Geral da República, Amadú Tidjane Baldé. No documento, os denunciantes invocam os artigos 176.º e 179.º do Código de Processo Penal.
A denúncia visa Umaro Sissoco Embaló, o ex-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Biaguê Na N’Tan, o Presidente de Transição, Horta N’Tan, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Tomas Djassi, o porta-voz do Alto Comando Militar, Denis N’tchama, o Primeiro-Ministro de Transição, Ilídio Vieira Té, o Procurador-Geral da República, Amadú Tidjane Baldé, o Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira, bem como “demais indivíduos” que venham a ser identificados durante a investigação.
Segundo os denunciantes, no dia 26 de novembro de 2025, por volta das 12h40, em Bissau, ocorreram atos coordenados com o objetivo de subverter a ordem constitucional. Alegam que os visados atuaram em comunhão de esforços para neutralizar órgãos de soberania, ocupar instalações públicas, mobilizar meios armados e emitir ordens consideradas ilegítimas.
A queixa sustenta ainda que esses atos resultaram na privação da liberdade do Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Domingos Simões Pereira.
De acordo com o documento consultado pelo O Democrata, Domingos Simões Pereira encontra-se sob vigilância e controlo forçados, sem base legal, situação que os denunciantes enquadram como crime de sequestro.
Os subscritores apontam a prática de vários crimes, entre os quais atentados contra a segurança do Estado, alteração da ordem constitucional e do Estado de Direito, usurpação de funções públicas, impedimento do exercício do poder político, coação contra órgãos constitucionais e abuso de poder.
A denúncia refere igualmente alegados crimes de sequestro, rapto, suspensão ilícita de direitos e associação criminosa.
Como elementos de prova, os denunciantes anexaram 12 documentos, incluindo imagens do alegado anúncio do golpe de Estado, imagens da tomada de posse de Horta N’Tan, uma carta de transição, cinco decretos presidenciais emitidos em 2025, uma declaração conjunta de observadores eleitorais da União Africana, um comunicado da plataforma PAI Terra Ranka, um comunicado do Gabinete da ANP e uma nota da direção de campanha de Fernando Dias da Costa.
Os autores da denúncia indicaram ainda cinco testemunhas: Filipe Nyusi, ex-Presidente de Moçambique; Goodluck Jonathan, ex-Presidente da Nigéria; Agnelo Regalla, deputado da ANP; Ruth Monteiro, diretora do Gabinete do Presidente da ANP; e Fernando Dias da Costa, candidato presidencial e vice-presidente da ANP.
Na queixa, os denunciantes solicitam ao Ministério Público a instauração imediata de um procedimento criminal e a abertura de um inquérito com caráter prioritário. Requerem também a identificação dos autores materiais e morais dos factos, a preservação urgente das provas, a audição das testemunhas indicadas e a realização de diligências periciais.
A denúncia conclui que os factos relatados colocam em causa a estabilidade institucional, a separação de poderes e o Estado de Direito democrático. Os subscritores pedem a admissão da queixa, a responsabilização dos eventuais autores e a reposição da legalidade constitucional.
Por Tiago Seide
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