terça-feira, 22 de setembro de 2026

CRISE ECONÓMICA E SOCIAL AMEAÇA VALORES FAMILIARES NA GUINÉ-BISSAU, ALERTA SOCIÓLOGA AUA EMBALO BARI


A escritora e socióloga guineense Aua Embalo Bari, autora da recém-lançada obra literária “Família em Perigo: Declínio de Valores e Crise Moral na Sociedade Moderna”, considera que a situação económica e social exerce uma forte influência sobre a vida das famílias guineenses.
Em entrevista à Rádio Sol Mansi, a propósito do lançamento da obra em Portugal, Aua Embalo Bari destacou que situações como o desemprego, as dificuldades financeiras, a falta de oportunidades e a insegurança social aumentam a pressão sobre as relações no seio das famílias.

Segundo a escritora, essa realidade é agravada pelos processos migratórios e pela separação dos membros da família, sobretudo quando pais e filhos permanecem afastados durante longos períodos.

Apesar das dificuldades, Aua Embalo Bari considera que os problemas económicos não determinam, por si só, o enfraquecimento dos laços familiares. Para a socióloga, mesmo em contextos adversos, existem famílias que conseguem preservar fortes relações de solidariedade, união e respeito pelos valores familiares.

A escritora sublinha, por isso, a importância de preservar valores que considera fundamentais para a convivência e a coesão social. Ao mesmo tempo, manifesta preocupação com o enfraquecimento de alguns mecanismos tradicionais de socialização que, durante gerações, contribuíram para a transmissão de valores e normas de convivência.

Entre os principais desafios apontados estão as dificuldades na educação dos filhos, os conflitos entre gerações, a violência, o aumento do consumo de álcool, drogas e tabaco, a influência das redes sociais e a redução do diálogo no seio de algumas famílias.

Aua Embalo Bari alerta, assim, para os riscos que as dificuldades económicas e as transformações sociais podem representar para a estabilidade das famílias e para a preservação dos valores sociais na Guiné-Bissau.

RSM: 22.09.2026

Ex-jogador guineense Amadu Nogueira Pinto Sambú oferece equipamentos desportivos à Academia Real Devis, em Mansoa

 

Ex-jogador guineense Amadu Nogueira Pinto Sambú 



O ex-jogador guineense de futebol Amadu Nogueira Pinto Sambú ofereceu, este sábado, um conjunto de equipamentos desportivos à Academia Real Devis, no setor de Mansoa.

A entrega dos materiais aconteceu no Estádio Corca Sow de Mansoa. Numa entrevista telefónica a partir de Portugal, Amadu Nogueira Sambú explicou que tomou esta iniciativa por acreditar que o futebol pode ajudar crianças e jovens a desenvolverem os seus sonhos e talentos.

O treinador da academia, Djipó, destacou a importância do apoio e afirmou que, com mais recursos, a instituição poderá acolher e trabalhar com um número maior de crianças e adolescentes do setor de Mansoa.

Por sua vez, o capitão da equipa masculina do Real Devis, Adramane Sani, manifestou a sua satisfação com os materiais recebidos.

Na equipa feminina, a capitã Maise Tchantchalam considerou que o gesto representa uma motivação adicional para as jovens continuarem a praticar futebol.
Em representação dos iniciados, 

Arábia agradeceu a iniciativa e apelou aos filhos e amigos do setor de Mansoa para seguirem o exemplo de Amadu Nogueira, contribuindo para o desenvolvimento do futebol juvenil na região.

Entre os equipamentos oferecidos estão seis pares de camisolas, luvas e botas, destinados ao apoio das atividades desportivas da academia.

Reportagem: TV Nha Fala 
Mansoa, 19 de setembro de 2026

«RTP África» A vice-presidente do PRS agradece à Nigéria por ter dado proteção a Fernando Dias e reclama vitória

 


Presidente senegalês concede perdão presidencial a 984 condenados

O Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, concedeu "uma graça excecional" a 984 pessoas condenadas a diferentes penas neste país vizinho da Guiné-Bissau, segundo um comunicado do Ministério da Justiça hoje publicado.

Habitualmente reservadas a ocasiões especiais ou a festas religiosas, tais medidas são excecionais neste país da África Ocidental.

Estes perdões foram concedidos para "melhorar as condições de detenção, reduzir a população prisional e favorecer a reinserção social das pessoas agraciadas", segundo o Ministério da Justiça.

A medida, decidida por decretos assinados na segunda-feira, prevê o perdão total da pena para 921 condenados, bem como para 21 detidos gravemente doentes, 19 menores e um detido com mais de 65 anos.

Dezoito condenados beneficiam, além disso, de uma redução parcial da pena, enquanto a pena de prisão perpétua de quatro condenados foi atenuada.

Em abril do ano passado, 1.121 detidos tinham beneficiado de um indulto por ocasião do dia da independência e do Korité, festa que assinala o fim do mês do Ramadão.

Em junho do mesmo ano, 1.466 pessoas foram agraciadas por ocasião da festa do Aïd el-Kébir, a segunda e maior festa do Islão.

O anúncio de hoje ocorreu, contudo, fora destes períodos especiais tradicionalmente associados a este tipo de medida.

Lusa

Posted inSociedade Ziguinchor: Estudantes guineenses pedem redução de taxas fronteiriças e acordo académico com o Senegal

A presidente da Associação dos Estudantes Guineenses em Ziguinchor (AEGBZ), Binto Seide, defende um maior acompanhamento dos estudantes guineenses por parte do Consulado da Guiné-Bissau naquela cidade senegalesa e apela ao Governo para negociar com o Senegal um acordo de bolsas de estudo.

Em entrevista aos enviados especiais do jornal O Democrata, Binto Seide reconheceu que o Consulado presta algum apoio aos estudantes, mas considera que o acompanhamento ainda é insuficiente face às dificuldades relacionadas com alojamento, alimentação e deslocações entre Ziguinchor e a Guiné-Bissau.

“O consulado apoia-nos, mas nem sempre”, afirmou, apontando também limitações de pessoal e de recursos para responder às necessidades da comunidade estudantil.

Segundo Binto Seide, a Associação tem procurado ajudar os estudantes recém-chegados a encontrar alojamento a preços acessíveis, mas os custos aumentaram significativamente nos últimos anos.

“Antes era possível conseguir um quarto por cerca de 20 mil francos CFA, através da intervenção da associação. Agora, mesmo por 25 mil francos CFA, é difícil encontrar”, explicou, acrescentando que até quartos avaliados em 30 mil francos CFA são atualmente escassos.

A dirigente estudantil apontou ainda as taxas cobradas nas fronteiras como outro obstáculo enfrentado pelos estudantes. Segundo explicou, deixaram de existir condições diferenciadas para os estudantes, que passaram a pagar os mesmos valores cobrados aos restantes viajantes.

“Agora, seja estudante ou não, é preciso pagar dois mil francos CFA”, afirmou.

De acordo com Binto Seide, a situação afeta particularmente os estudantes que necessitam de deslocar-se regularmente a São Domingos por motivos familiares ou pessoais.

“Um estudante cuja família luta diariamente para garantir a sua permanência aqui, sem qualquer apoio do Estado, tem muitas dificuldades em pagar quatro mil francos CFA por cada viagem”, declarou.

A responsável revelou que o Consulado da Guiné-Bissau já tem conhecimento da situação e apelou às autoridades para intervirem junto das entidades competentes.

“Pode não ser gratuito, mas pelo menos o valor poderia voltar a ser reduzido para mil francos CFA, como acontecia anteriormente”, defendeu.

A Associação dos Estudantes Guineenses em Ziguinchor conta atualmente com cerca de 116 estudantes inscritos. Binto Seide esclareceu, contudo, que ainda não existe um levantamento detalhado por universidade.

A área da saúde concentra uma parte significativa dos estudantes guineenses, com destaque para os cursos de Medicina, Enfermagem e Saúde Pública. Existem igualmente estudantes matriculados em Contabilidade, Administração, Transporte e Logística, entre outras áreas.

Segundo a dirigente, a proximidade geográfica entre a Guiné-Bissau e o Senegal constitui um dos principais fatores que levam muitos jovens a escolher Ziguinchor para prosseguir os estudos superiores.

“Tem a ver com a proximidade entre a Guiné-Bissau e o Senegal”, explicou, destacando também a facilidade de deslocação e a perceção de uma maior qualidade de ensino.

Binto Seide acrescentou que a formação em Ziguinchor proporciona ainda aos estudantes guineenses a oportunidade de desenvolver competências na língua francesa.

A maioria dos estudantes guineenses em Ziguinchor financia os próprios estudos.

“Posso dizer que praticamente 100% dos estudantes vieram estudar aqui com recursos próprios”, afirmou, ressalvando que alguns jovens beneficiaram de apoio da Rede Nacional dos Jovens Quadros para uma Guiné-Bissau Emergente (RENAJOQ-GB).

Para Binto Seide, as dificuldades económicas das famílias constituem um dos principais obstáculos à permanência dos estudantes na cidade.

Por essa razão, defende a criação de uma política de bolsas de estudo que permita ampliar o acesso ao ensino superior e orientar parte dos estudantes para áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

Apesar dos desafios, a dirigente considera positiva a integração dos estudantes guineenses na comunidade académica e na sociedade de Ziguinchor.

“De forma geral, a integração e o acolhimento têm sido muito bons”, afirmou.

Segundo a presidente da Associação, a relação entre estudantes senegaleses e guineenses é geralmente cordial, enquanto alguns docentes demonstram compreensão perante as dificuldades linguísticas enfrentadas pelos estudantes estrangeiros.

A responsável reconhece, contudo, a existência de pequenos conflitos, limitações no acesso à informação e situações que considera de tratamento desigual.

Questionada sobre a relação entre os cursos frequentados em Ziguinchor e as necessidades da Guiné-Bissau, Binto Seide destacou áreas como Medicina, Transporte e Logística, Contabilidade e Administração.

No entanto, entende que uma política nacional de bolsas poderia incentivar a procura de áreas consideradas estratégicas para o país, como a Agronomia.

“Se houvesse bolsas do Estado, a maioria escolheria cursos de Agronomia e outras áreas que correspondessem diretamente às necessidades do país”, afirmou.

A dirigente reconheceu, entretanto, que é difícil exigir que um estudante que financia integralmente a sua formação opte por uma área definida pelo Estado, sobretudo quando não existem garantias de emprego após a conclusão do curso.

Relativamente ao futuro dos estudantes após a conclusão dos estudos, Binto Seide afirmou que a maioria pretende regressar à Guiné-Bissau, embora alguns acabem por permanecer no Senegal devido às dificuldades de inserção profissional no mercado de trabalho nacional.

“A maioria regressa ao país, mas alguns permanecem aqui porque também é muito difícil encontrar emprego”, declarou.

Perante as dificuldades económicas enfrentadas pelos estudantes, a presidente da AEGBZ apelou ao Governo para negociar um acordo de cooperação com o Senegal na área das bolsas de estudo.

Binto Seide defende, em particular, a assinatura de um acordo com a Universidade Assane Seck de Ziguinchor, com o objetivo de facilitar o acesso dos jovens guineenses ao ensino superior.

“Há muitos jovens que pretendem vir estudar aqui, mas não têm meios financeiros. Uma bolsa ajudaria bastante esses estudantes”, afirmou.

Por outro lado, a dirigente considera que a Guiné-Bissau deve procurar estabelecer mecanismos de cooperação semelhantes aos existentes entre o Senegal e outros países. Aproveitou ainda a oportunidade para aconselhar os jovens que pretendem estudar em Ziguinchor a deslocarem-se para a cidade com objetivos definidos e espírito de disciplina.

“Apelo a todos os que querem estudar aqui para que venham com foco e disciplina”, afirmou, salientando que os estudantes devem estar preparados para enfrentar desafios relacionados com diferenças culturais e linguísticas.

Às famílias e encarregados de educação, deixou igualmente uma mensagem de encorajamento para que continuem a apoiar os seus filhos e educandos, apesar das dificuldades económicas.

“A única coisa que posso dizer aos pais e encarregados de educação dos estudantes aqui, em Ziguinchor, é que continuem a acreditar e a apoiar os seus educandos”, declarou.

Por fim, Binto Seide informou que a Associação dos Estudantes Guineenses em Ziguinchor pretende continuar a acompanhar os estudantes, particularmente na procura de alojamento e na resolução de dificuldades relacionadas com a permanência e integração na cidade senegalesa.

Por: Tiago Seide & Alison Cabral
odemocratagb

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ótimas notícias! O American Corner Bissau, no Tchico Te, está oficialmente de volta, com todas as vossas atividades e serviços habituais favoritos!

Juntem-se a nós para:
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Clube do Livro — mergulhem em ótimas leituras e discussões animadas
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Conversation Club — pratiquem o vosso inglês
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Livros e Filmes — explorem a nossa biblioteca e desfrutem de exibições de filmes
Quer sejam visitantes habituais ou novos no American Corner, há algo para todos.

Representação da Embaixada dos Estados Unidos em Bissau


‎LGDH APRESENTA MANIFESTO DE DEZ PONTOS PARA PROMOVER PAZ, DIÁLOGO E ESTADO DE DIREITO NA GUINÉ-BISSAU

‎A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) apresentou, esta segunda-feira, em Bissau, um manifesto de dez pontos que considera essenciais para a promoção da paz, da coesão nacional e do Estado de Direito na Guiné-Bissau.
‎Entre as propostas apresentadas estão a preservação da paz como património nacional, a promoção do diálogo para reconstruir a confiança entre os cidadãos e as instituições, o restabelecimento de um roteiro claro e consensual para o retorno à ordem constitucional, a redução das tensões e a rejeição da violência.
‎O documento, divulgado por ocasião do Dia Internacional da Paz, defende igualmente a colocação dos interesses nacionais acima dos interesses particulares, a restauração da justiça e o combate à impunidade, à corrupção e à criminalidade organizada, bem como a garantia dos direitos, das liberdades, da igualdade e da participação cidadã.
‎De acordo com o presidente da LGDH, Bubacar Turé, os dez pontos representam a contribuição da organização para a construção de uma agenda nacional de paz, diálogo, confiança e normalização institucional, assente na ordem constitucional, no Estado de Direito e no respeito pelos direitos humanos.
‎A Liga Guineense dos Direitos Humanos defende ainda a criação de condições para a realização de eleições transparentes, inclusivas, livres e justas, o combate às vulnerabilidades sociais e aos discursos de ódio, bem como a institucionalização de mecanismos de prevenção de conflitos e de diálogo permanente.
‎Segundo Bubacar Turé, os últimos anos têm sido marcados por desafios políticos, institucionais, económicos, sociais e de direitos humanos. O presidente da organização reiterou a preocupação da LGDH com alegados casos de detenções arbitrárias, raptos, agressões, espancamentos, intimidações e outras formas de violência.
‎Perante este cenário, a organização defende o reforço dos mecanismos de proteção dos direitos fundamentais e a promoção de soluções pacíficas e duradouras para os problemas do país.
‎A LGDH considera que a implementação das medidas propostas no manifesto poderá contribuir para reforçar a estabilidade, recuperar a confiança entre os cidadãos e as instituições e consolidar o Estado de Direito na Guiné-Bissau.
‎RSM: 21-09-2026