Khaled Mohamed Ali el-Hishri, nas instalações do TPI, Maio de 2026. © Julie EZVAN / AFPTV / ICC / AFPO antigo director de uma prisão na Líbia, apelidado de "Anjo da morte", vai ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por 17 acusações, incluindo homicídio, violação e tortura.
De acordo com os procuradores do TPI, o líbio Khaled Mohamed Ali El Hishri, 48 anos, foi um "notável torturador" na prisão e Mitiga, perto de Tripoli, responsável por cimes de guerra e crimes contra a humanidade, entre 2015 e 2020.
Durante audiências realizadas em Maio, a procuradora adjunta do TPI, Nazhat Shameem Khan, citou um testemunho afirmando que Ali El-Hishri contava "entre os piores instigadores de violência", enquanto outro testemunho referiu que ele era apelidado "Anjo da morte".
"Um dos seus métodos de tortura preferido, tal como descrito pelos testemunhos, consistia em alvejas as pessoas nas pernas, ou nos joelhos", indicou a procuradora adjunta. "Também pendurava as pessoas de cabeça para baixo, com as mãos amarradas nas costas e dava golpes com uma pá".
O suspeito violou, assassinou e torturou vários detidos, mostrando "o exemplo" aos restantes guardas prisionais, afirmou a procuradora.
O advogado de Ali El Hishri indicou que o seu cliente nega todas as acusações e contesta a competência do Tribunal Penal Internacional. Contestação essa que não foi aceite, abrindo o caminho à realização de um processo.
Este será o primeiro processo decorrente da investigação sobre a Líbia, mandatada pela ONU e iniciada em 2011. A data ainda não foi fixada.
A Líbia continua a enfrentar as consequências do conflito armado e do caos político que se seguiram à revolta de 2011, apoiada pela NATO, a qual derrubou o ditador Muammar Kadhafi.
O país, rico em petróleo, permanece dividido entre um governo reconhecido pela ONU, no oeste, e seu rival no leste, apoiado pelo comandante militar Khalifa Haftar.
O TPI julga indivíduos pelos crimes mais graves do mundo, incluindo crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Por: RFI com AFP