terça-feira, 19 de maio de 2026

*Conselho de Ministros aprova diplomas estratégicos sobre concorrência, caju e competências digitais*


O Conselho de Ministros reuniu-se esta terça-feira, 19 de maio de 2026, em Sessão Ordinária, no “Salão Nobre General Umaro Sissoco Embaló”, no Gabinete do Primeiro-Ministro, em Bissau, sob a presidência de Sua Excelência o Presidente da República de Transição, General do Exército Horta Inta-a.

No início dos trabalhos, o Conselho observou um minuto de silêncio em memória do Dr. João Manuel Gomes, antigo Secretário de Estado da Comunicação Social, recentemente falecido em Bissau, vítima de doença prolongada. O Governo confirmou igualmente que o funeral do malogrado dirigente será realizado com honras fúnebres, conforme já deliberado anteriormente.

Na parte deliberativa da sessão, o Conselho de Ministros aprovou, com alterações, três importantes instrumentos legislativos e estratégicos considerados fundamentais para o reforço da economia nacional, da competitividade e da modernização do país.

Entre os diplomas aprovados destaca-se a Proposta de Lei da Concorrência Nacional, destinada a criar um quadro concorrencial moderno, seguro e regulado, permitindo aos operadores económicos nacionais actuarem num ambiente de maior transparência e competitividade.

O Conselho aprovou igualmente o Projeto de Decreto relativo à Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Setor do Cajú, documento estratégico que prevê medidas para revitalizar os pomares de caju, incentivar a transformação local da castanha e criar uma Fábrica-Escola, visando aumentar o valor acrescentado nacional e fortalecer a cadeia produtiva do principal produto de exportação do país.

Outro diploma aprovado foi o Projeto de Decreto sobre a Política Nacional de Competências Digitais, cuja finalidade é capacitar os cidadãos guineenses em matéria de competências digitais, preparando o país para os desafios da economia digital, da modernização administrativa e da inclusão tecnológica.

No capítulo das nomeações, o Conselho de Ministros deu anuência ao movimento do pessoal dirigente da Administração Pública, efectuado por Despacho do Primeiro-Ministro.

No âmbito dessas decisões, foi nomeado para o cargo de Director-Geral do Turismo o Senhor Paulo Alberto da Silva, ficando automaticamente cessada a comissão de serviço do anterior titular do cargo.

As decisões tomadas durante esta sessão reflectem, segundo fontes governamentais, a continuidade das reformas estruturais em curso e a aposta do Executivo na modernização económica, na valorização dos recursos nacionais e na preparação da Guiné-Bissau para os desafios do desenvolvimento sustentável e da transformação digital.

Mustafa Cassamá

Angola inicia este ano fabrico de mosquiteiros para combater a malária – Governo


Angola vai contar este ano com uma fábrica de mosquiteiros para o combate à malária, iniciativa que visa reforçar a soberania sanitária do país e reduzir a dependência externa, anunciou hoje a ministra da Saúde.

"Vamos iniciar ainda este ano o processo de fabrico de mosquiteiros em Angola", afirmou Sílvia Lutucuta, que discursava em Genebra, durante o Encontro Ministerial sobre a Malária, realizado à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A iniciativa é apoiada pelo África CDC (Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana), segundo a ministra, citada numa nota do gabinete de Comunicação Institucional do Ministério da Saúde, e o Governo angolano está a trabalhar com o apoio desse organismo na transferência de tecnologia para produção local de redes mosquiteiras de nova geração com dupla ação inseticida.

Sílvia Lutucuta garantiu, na sua intervenção, que a iniciativa permitirá reforçar a soberania sanitária de Angola, reduzir a dependência externa e criar oportunidades para a indústria têxtil nacional.

Durante a reunião ministerial, a governante angolana considerou também que África enfrenta uma "verdadeira tempestade perfeita" de ameaças no combate à malária, agravadas pela redução do financiamento internacional, alterações climáticas, resistência aos medicamentos e fragilidade dos sistemas de saúde.

"Zero malária começa comigo. Zero malária começa com todos nós", declarou Sílvia Lutucuta, defendendo uma "mobilização continental urgente" para se evitar retrocessos no combate à doença.

Nesta reunião, os parceiros internacionais alertaram que África "continua a representar cerca de 95% dos casos e mortes por malária no mundo, apesar dos progressos registados nas últimas duas décadas", salienta-se na nota.

A reunião decorreu subordinada ao tema "Delivering Africa´s Big Push Against Malaria", e congregou ministros africanos, representantes da União Africana, OMS, Banco Mundial e da Agência Africana de Medicamentos).

A OMS, a ALMA e o Banco Mundial reconheceram "avanços significativos", incluindo: mais de um milhão de mortes evitadas; expansão do acesso ao diagnóstico e tratamento; crescimento da utilização de redes mosquiteiras tratadas e redução da incidência em vários países africanos".

Contudo, acrescenta o comunicado, os parceiros advertiram para o risco de retrocesso devido à redução do financiamento internacional, num contexto em que dois terços dos programas africanos de combate à malária continuam dependentes de ajuda externa.

A malária é a principal causa de mortes e de internamentos hospitalares em Angola.

A Comissão da União Africana apresentou o chamado "Roteiro Africano 2030 e além" e defendeu, no encontro, o reforço dos cuidados primários de saúde, cooperação transfronteiriça, sistemas de alerta precoce, planeamento adaptado às alterações climáticas, liderança africana e financiamento sustentável.

Lucutuca realçou ainda que África importa atualmente cerca de 70% dos medicamentos, 90% dos dispositivos médicos e 99% das vacinas utilizadas no continente, tendo salientado que para Angola o fabrico local representa "não apenas uma questão de saúde pública, mas também uma estratégia económica e de segurança sanitária".

A ministra angolana defendeu o fortalecimento da Agência Africana do Medicamento, da harmonização regulatória continental e do Mecanismo Africano de Aquisição Conjunta como instrumentos essenciais para garantir acesso sustentável a produtos de saúde.

Lusa

China: “Império do Meio” passou a “patamar superior” ao qual “todos batem à porta”

Presidente da Rússia, Vladimir Putin e Presidente da China, Xi Jinping, Tianjin, China, 31 de Agosto de 2025. AP - Sergei Bobylev

Quatro dias depois de Donald Trump, Vladimir Putin chega esta terça-feira a Pequim, onde vai ser recebido, quarta-feira, pelo Presidente chinês Xi Jinping. Os líderes chinês e russo já se trataram publicamente como “velhos amigos”, mas a Rússia está altamente dependente, a nível económico, da China, o primeiro comprador do petróleo russo sob sanções internacionais. Simbolicamente, as duas visitas com poucos dias de intervalo confirmam Pequim como estando num “patamar superior”, a quem “todos batem à porta”, considera José Palmeira, especialista em Relações Internacionais e com quem conversámos sobre o tema.

Menos de uma semana depois de Donald Trump ter sido recebido com pompa e circunstância em Pequim, Vladimir Putin chega esta terça-feira à China para se encontrar com Xi Jinping, descrito como um “bom amigo de longa data”, e para reafirmar a robustez das relações sino-russas. Trump foi o primeiro Presidente americano a deslocar-se à China desde 2017, Vladimir Putin vai cumprir a 25.ª visita, de acordo com a diplomacia chinesa. No espaço de um ano, todos os líderes das grandes potências do planeta foram a Pequim, como os do Brasil, da Índia, do Canadá, da União Europeia, de França, da Alemanha, de Itália, do Reino Unido e de Espanha. Agora, a visita de Trump e de Putin, intercalada de apenas quatro dias, confirma o estatuto de Pequim como estando num “patamar superior”, a quem “todos batem à porta”, resume José Palmeira, director da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade do Minho, em Portugal.

No fundo, “a China considera-se a potência em ascensão e os Estados Unidos são vistos como uma potência em declínio”. Do outro lado, a China “tem beneficiado das importações de gás natural e de petróleo, num contexto em que a Federação Russa está a ser objecto de sanções”, deixando Moscovo altamente dependente, a nível económico deste que é o primeiro comprador das energias russas sob sanções internacionais. Por outro lado, Vladimir Putin leva na bagagem o dossier do gasoduto “Força da Sibéria 2” que, se for fechado, pode ligar a Rússia à China via Mongólia. Também em cima da mesa, de acordo com a presidência russa, está “a troca de opiniões sobre as grandes questões internacionais e regionais”. Pode a Rússia usar a sua influência para tentar travar a guerra na Ucrânia e desbloquear a situação no Estreito de Ormuz? Estas são algumas das questões sobre as quais falámos com o nosso convidado José Palmeira.

RFI: O que está em jogo nesta visita de Vladimir Putin à China, apenas quatro dias depois de Xi Jinping ter recebido Donald Trump?

José Palmeira, Director da Licenciatura em Relações Internacionais da Universidade do Minho: “Eu diria que em causa estão questões bilaterais, mas também globais. 

A China cada vez se assume mais como uma superpotência. A visita recente de Donald Trump evidenciou isso mesmo. A China e os Estados Unidos colocam-se no mesmo patamar em termos de poder global, com uma diferença: é que a China considera-se a potência em ascensão e os Estados Unidos são vistos como uma potência em declínio. A referência que XI Jinping fez a Tucídides simboliza isso mesmo.

Relativamente à Federação Russa, é verdade que, nos últimos anos, houve uma aproximação muito significativa. Essa relação é nomeada como sendo uma parceria especial e, no ponto de vista bilateral, a China tem beneficiado sobretudo das importações de gás natural e de petróleo, num contexto em que a Federação Russa está a ser objecto de sanções e, portanto, precisa de ter alternativas para exportar hidrocarbonetos. Isso tem sido útil quer à Federação Russa quer à China, que está a fazer uma compra a preço muito mais reduzido do que aquele que seria o preço de mercado. Por outro lado, a China lida, neste momento, com uma Rússia debilitada em função da guerra que a Rússia está a desenvolver na Ucrânia, onde está a empregar muitos meios militares e onde está a ter muitas baixas. A situação económica da Federação Russa também é bastante difícil neste momento e a China pode ser um aliado importante para Moscovo, na medida em que, de um plano económico, lhe permite sair desse tal bloqueio.”

De certa forma, Moscovo quer ter garantias quanto ao facto de que a Rússia ocupa ainda um lugar privilegiado com a China?

“O que é que nós tínhamos até há pouco tempo? Tínhamos uma Rússia que é uma potência militar, mas que no plano económico tem ficado debilitada, e tínhamos uma China que era o contrário, que era uma potência económica, mas ainda não tinha capacidade militar, sobretudo no plano nuclear equiparado à Rússia (tem armas nucleares, é verdade, mas o número de ogivas da Federação Russa é muito superior). E o que é que estamos a assistir? Estamos a assistir que a China está também no plano militar a assumir-se como uma potência cada vez mais completa, enquanto a Federação Russa, no plano militar, está a ficar bastante debilitada com o conflito e como já não era uma potência económica no mesmo patamar, acaba por ficar numa situação de inferioridade.

A China é conhecida como Império do Meio e, no fundo, está-se a assumir também como uma potência acima da Federação Russa e num patamar equivalente aos Estados Unidos. E, portanto, isto quer no plano interno para XI Jinping, quer no plano externo, coloca a China, de facto, como uma potência que nunca teve este esplendor. Isto para Pequim não deixa de ser uma excelente notícia.”

Por que é que a China não usa da sua influência para tentar travar a guerra na Ucrânia?

“Essa é uma dúvida de que não temos propriamente uma resposta objectiva. Podemos criar cenários. Será que à China lhe interessa uma Rússia debilitada para poder continuar a tirar partido, por exemplo, dos hidrocarbonetos russos a um preço muito inferior ao de mercado? Será que a Rússia, por seu turno, continuando este conflito desta forma, vai tentar junto da China alguma reabilitação via não só da China, mas também dos BRICS (porque são, no fundo, a única alternativa que Rússia tem)?

É isto que é o isolamento que o Ocidente lhe tem vetado. É verdade que este isolamento é muitas vezes, de certa forma, diluído, porque Donald Trump quer ter uma relação com Putin e quer criar aqui um certo equilíbrio com o intuito de mediar o conflito na Ucrânia, mas não tem conseguido até agora alcançar esse objectivo. Pode ser que mais tarde seja a China a aparecer com uma chave para a solução do conflito.

Aliás, esta ambiguidade da China mantém-se também em relação ao Médio Oriente. Embora tenha uma boa relação com o Irão, não tem tido um papel activo no Médio Oriente, mas já teve no passado: a China reatou as relações entre o Irão e a Arábia Saudita, por exemplo. Será que vai emergir também como um desbloqueador do conflito, até porque também está a ser afectada pelo bloqueio do estreito de Ormuz? Portanto, há aqui várias questões onde a China não tem sido assertiva. Eu diria que a única matéria onde a China foi assertiva foi em relação a Taiwan, onde na recente visita [de Donald Trump] vincou bem que é um assunto interno e que não admite que os Estados Unidos ou qualquer país interfira.”

Fala-se na construção de um gasoduto que ligue a Rússia e a China, através da Mongólia. Seria uma alternativa à via marítima oriunda do Médio Oriente, da qual a China acaba por também estar dependente. O conflito no Irão poderá fazer com que as possibilidades deste gasoduto se concretizar sejam ainda maiores?

“Eu diria que, apesar de tudo, a China é muito prudente, isto é, a China não quer ficar dependente da Federação Russa também em termos desse tipo de abastecimentos. Agora, pode ser que o gasoduto seja interessante porque, sobretudo em situações de crise, uma boa relação com a Rússia garante sempre essa alternativa.

Mas, apesar de tudo, a política chinesa é uma política de diversificação. Isto é, a China tem várias alternativas em termos de abastecimento e, nesse sentido, para a China é muito positivo ter essa possibilidade. Em caso de crise no Médio Oriente, a Federação Russa dará garantias, mas a China nunca quererá, penso eu, ficar muito dependente do Kremlin. A China quer ter uma política autónoma em matéria de política económica, tecnológica e a diversificação é a sua principal estratégia. Agora, poderá haver avanços nessa iniciativa relativamente ao gasoduto porque pode ser uma alternativa positiva para Pequim.”

Tanto a China como a Rússia acabariam por, de certa forma, ganhar com a guerra no Médio Oriente?

“Eu diria que o enfraquecimento dos Estados Unidos interessa a Pequim e a Moscovo. Agora, há aqui um problema que afecta mais a China do que a Rússia. É que a China, apesar de tudo, depende bastante do preço de mercado dos combustíveis e, estando esses preços em alta, isso é uma má notícia para Pequim. Agora, é verdade também que a China é um actor global e, nesse sentido, se os outros países da economia global estiverem mal, isso vai afectar também as exportações chinesas e a China não quer isto. Portanto, no curto prazo, o conflito pode não afectar a China, mas no médio e longo prazo afecta também a China que vai querer que o conflito no Médio Oriente termine e que o Estreito de Ormuz deixe de estar bloqueado. Portanto, também fará alguma pressão no sentido de o Irão não prolongar este braço-de-ferro muito tempo.

Interessa também à China que o Irão saia desta guerra não derrotado, na medida em que é um aliado importante. Aliás, a China tem um número de aliados cada vez maior na região, lá está, no âmbito da sua política de diversificar. A China quer ter compradores em todo o lado e, na sua perspectiva de importador de energia, quer também ter países que lhe vendam essa energia e de uma forma o mais diversificada possível.”

Para terminarmos, ligando estas duas visitas em menos de uma semana de líderes de potências mundiais a uma outra potência mundial, qual é a principal conclusão que se tira da visita de Trump à China e qual é a principal expectativa desta visita de Putin?

“A China coloca-se aqui num patamar superior em que é objecto do interesse das duas potências. Uma maior, é verdade, uma super que são os Estados Unidos e outra que é uma superpotência militar, mas não tanto económica, que é a Rússia. E com isso vê-se como o líder desejado, o líder ao qual todos batem à porta. No caso concreto da Rússia, aquilo que certamente Vladimir Putin pretenderá é receber apoio da China daqueles equipamentos que são de duplo uso, que são vendidos alegadamente com objectivos civis, mas podem ter utilização militar. No plano económico, naturalmente, interessa à Rússia continuar a escoar o seu petróleo e gás natural para a China e também alargar as relações em todos os domínios que poderão ser úteis. Por exemplo, neste momento não é só o bloqueio económico, também há um bloqueio cultural e um bloqueio desportivo e é muito interessante para toda a cultura russa, que é muito vasta, e para os grupos desportivos russos poderem desenvolver a sua as suas práticas no território chinês ou no espaço mais amplo dos BRICS. E nesse sentido, a China funciona como um pivô.”

Em relação ao aos Estados Unidos, qual é que foi a conquista desta visita de Trump? Conseguiu o que queria?

“Ainda não estamos muito esclarecidos sobre aquilo que Trump terá conseguido. A priori, não conseguiu grande coisa, isto é, conseguiu levar uma comitiva, sobretudo constituída por líderes de empresas tecnológicas, e ainda não está muito claro em que é que isso resultou, porque foram anunciadas a compra por Pequim de alguns Boeings, mas, de qualquer forma, esse número não é confirmado por ambas as partes, os tais 200. E é verdade que Donald Trump especulou que a visita correu muito bem e foi um sucesso, mas isso não está dado como garantido. Vamos ver se é possível ou não que a China exerça alguma influência relativamente ao conflito no Médio Oriente porque Donald Trump já mostrou que não quer voltar a atacar o Irão, quer é um acordo diplomático. Mas para isso é preciso cedências e até agora estas cedências ainda não foram alcançadas. Vamos ver se Pequim exerce alguma influência nesse sentido ou não.”

Por: Carina Branco
rfi.fr/pt

UNICEF REVELA QUE CERCA DE 300 MIL CRIANÇAS NA GUINÉ-BISSAU VIVEM SEM IDENTIDADE LEGAL

A representante adjunta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Sandra Martins, afirmou que cerca de 265 mil crianças menores de cinco anos que vivem na Guiné-Bissau não têm acesso à identidade legal.

Sandra Martins fez esta declaração na terça-feira, 19 de maio de 2026, na abertura de uma formação sobre o registo de crianças no sistema escolar, no âmbito da parceria com os Ministérios da Justiça e da Educação para a promoção do registo de nascimento.

Na sua comunicação, destacou que, sem uma identidade legal, a criança torna-se invisível perante a sociedade e o Estado.

“As crianças sem identidade legal são invisíveis para a sociedade e para o Estado, o que coloca os seus direitos em risco, tornando-as mais vulneráveis à exclusão, à exploração e à violência, em especial ao casamento infantil, ao envolvimento nas piores formas de trabalho infantil e ao risco de serem julgadas como adultas”, reforçou.

Segundo Sandra Martins, estima-se que essas 265 mil crianças menores de cinco anos representam cerca de 15,7% da população na Guiné-Bissau.

Indicou ainda que, apesar dos esforços realizados, a taxa de registo de crianças menores de cinco anos aumentou de 24% para 46%, o que significa que mais de metade das crianças guineenses ainda não possui identidade legal.

“Os anuários de estatísticas vitais indicam que, entre 2018 e 2024, de um universo de crianças em idade de frequentar o ensino básico (dos 6 aos 14 anos), cerca de 73.500 foram registadas nos últimos sete anos. Contudo, o sistema ainda não dispõe de dados detalhados por idade que permitam identificar o número de crianças que permanecem nas escolas sem registo de nascimento. No contexto africano e regional, é necessário um esforço acelerado para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16.9 até 2030”, acrescentou.

Sandra Martins informou ainda que a Guiné-Bissau já está a implementar estratégias em parceria com o UNICEF, nomeadamente no setor da saúde, que passou a integrar serviços de registo de nascimento.

Acrescentou que o país está em processo de transição para o novo sistema digital de registo civil, o SIREC, e que o objetivo é garantir que, até ao ano letivo 2026/2027, todas as crianças em idade escolar tenham o seu certificado de nascimento no momento da matrícula.

Por sua vez, o diretor-geral da Identificação Civil, Registo e Notariado, Hélder Rumano Cruz Vieira, assegurou que o registo de nascimento constitui o primeiro reconhecimento legal da existência de uma pessoa perante o Estado.

Segundo explicou, trata-se de um direito fundamental consagrado em instrumentos jurídicos nacionais e internacionais, representando também a porta de entrada para o exercício de outros direitos essenciais, como o acesso à educação, à saúde, à proteção social e à cidadania.

“Registar uma criança à nascença é garantir a sua dignidade, identidade e futuro. É investir numa sociedade mais justa, organizada e humana”, afirmou.

O responsável enfatizou ainda que o setor da educação assume um papel estratégico na implementação do protocolo de parceria com o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, por manter contacto direto com as crianças e suas famílias.

Segundo disse, esse setor desempenha uma função essencial na sensibilização, identificação e encaminhamento de crianças não registadas para os serviços de registo mais próximos.

Por: Jacimira Segunda Sia
odemocratagb

Conselho de Ministro nesta terça-feira presidido pelo presidente da República de transição General do Exército Horta N’ta..






A Escola de Formação Militar "General Biaguê Clussé Na N'tan" Acolhe a abertura de curso de Línguas e Informática (Linfor/2026) com a duração de nove meses.


A Escola Militar General Biaguê Clussé Na N'tan acolhe no dia 13/05, abertura de curso de aperfeiçoamento em Línguas e Informática (LINGFOR), destinada aos 50 formandos provenientes dos três Ramos das Forças Armadas, nomeadamente, de Estado-Maior d'Armada, Estado-Maior de Exército e Estado-Maior da Força Aérea Nacional.
A Cerimónia foi presidida pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Major General dos Comandos Tomas Djassi, que no seu discurso, enfatizou que a defesa da soberania não se faz apenas com armas, mas também se faz com conhecimento, com domínio da tecnologia e com capacidade de comunicar. Pois segundo ele, um militar que não domina a informática e língua internacional está limitado no teatro das operações moderno e na cooperação regional e internacional.
Para o Chefe maximo da classe castrense, formar os militares em informática e línguas, é prepará-los para três missões principais, nomeadamente, de servir melhor a Guiné-Bissau, a Região e o Futuro.
Considerando também que a língua portuguesa, francesa e inglesa são elos de ligação da Guiné-Bissau à CPLP, CEDEAO e ao mundo, aos formandos, General Djassi exige disciplina, dedicação e dignidade, garantindo que o Estado-Maior General das Forças Armadas assume o compromisso de criar condições para o sucesso do curso e de continuar a reforma estrutural da condição militar.
Ainda durante a sua intervenção, afirma que as Forças Armadas estão em estreita articulação com o Conselho Nacional de Transição (CNT) e o Governo, para que ainda nesta IIª Sessão Ordinária do ano Legislativo 2025/2026 sejam aprovadas varios pacotes Propostas-Lei como a Condição Militar e Estatutos dos Militares, entre outros, como forma de preencher lacunas legais na classe.
Texto: 2º Sargento Fianço Buande Nora.

Foto: Alferes Joaquim F. da Costa
IM/FA 13.05.2026




PJ DESMANTELA REDE DE TRÁFICO DE PESSOAS E DETÉM 40 ESTRANGEIROS EM BÔR

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma rede de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal durante uma operação de grande escala realizada na zona de Matadim, em Bôr, onde foram detidos 40 cidadãos estrangeiros, na sua maioria provenientes da Guiné-Conacri.

A informação foi avançada esta segunda-feira pelo chefe do núcleo da Polícia Judiciária à imprensa, durante a apresentação das vítimas nas instalações de Bandim.

Segundo Braima Cissé, os quatro presumíveis autores da rede encontram-se detidos e deverão ser apresentados amanhã ao Ministério Público para a conclusão do processo judicial.

“A maioria deles são de nacionalidade da Guiné-Conacri, sendo que quatro dos autores já estão na cela da PJ, por isso posso vos informar que amanhã serão entregues ao Ministério Público”, salientou Cissé.

Por outro lado, o chefe do núcleo da Polícia Judiciária afirmou que, dentro em breve, a direção da PJ irá informar as embaixadas dos respetivos países de origem das vítimas e dos suspeitos envolvidos no caso.

“A Direção da Polícia Judiciária em breve comunica às embaixadas dos respetivos detidos”, garantiu Braima Cissé.

Cissé apelou ainda aos cidadãos para optarem pelas vias legais de emigração para a Europa, alertando que, caso contrário, poderão cair nas mãos deste tipo de redes criminosas.

“A melhor via de fazer a viagem para a Europa é a via legal, porque temos as embaixadas para regularizar os processos e pedidos de vistos”, apelou o chefe do núcleo da PJ.

Importa recordar que, em 2025, a Polícia Judiciária havia promovido uma megaoperação em vários bairros da cidade de Bissau, do mesmo género, na qual desmantelou uma estrutura criminosa altamente organizada, liderada por cidadãos estrangeiros, dedicada ao tráfico de pessoas e ao auxílio à imigração ilegal.

RSM 18 05 2026