sexta-feira, 30 de setembro de 2022

MNE guineense e ex-presidente José Mário Vaz recebem cartões de militantes do Madem-G15

Bissau, 29 set 2022 (Lusa) – A ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa, e o antigo presidente guineense José Mário Vaz receberam hoje o cartão de militante do Movimento para a Alternância Democrático (Madem-G15), liderado por Braima Camará.
A cerimónia de adesão decorreu na sede do partido em Bissau, que se revelou pequena para a quantidade de militantes e apoiantes que quiseram marcar presença para assistir à entrada no partido da “rainha do leste”, devido ao facto de ser originária da região de Bafatá, no leste da Guiné-Bissau, como lhe chamaram vários apoiantes.

“Estou pronta a dar toda a minha energia para trabalhar. O que cansa os partidos é a rivalidade interna temos de estar juntos e unidos”, afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros, que em dezembro do ano passado foi suspensa durante cinco anos da sua militância do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

“Vou trabalhar com toda a minha força e vontade para o Madem-G15 ganhar as eleições legislativas”, acrescentou.

A Guiné-Bissau vai realizar eleições legislativas antecipadas em 18 de dezembro.

O antigo presidente José Mário Vaz, numa curta declaração, manifestou apoio a Braima Camará para ganhar as legislativas e ser o próximo primeiro-ministro guineense e para trabalhar com união, confiança e verdade, salientando, contudo, que o discurso de fundo deve ser feito no congresso do partido, que arranca sexta-feira.

O Madem-G15 inicia sexta-feira o seu segundo congresso dedicado à consolidação do partido, à promoção da unidade nacional e ao desenvolvimento do país.

Mais de 2.500 delegados vão juntar-se em Gardete, nos arredores de Bissau, até domingo, para eleger o próximo coordenador nacional do partido para um período de quatro anos, devendo reeleger Braima Camará.

Além de Suzi Barbosa e de José Mário Vaz outras oito pessoas aderiram hoje ao Madem-G15, incluindo Óscar Barbosa, conhecido por “Can Can”, também antigo dirigente do PAIGC.




























PM da Guiné-Bissau otimista com preparação das legislativas marcadas para 18 de dezembro


O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Nuno Gomes Nabiam, afirmou hoje que a preparação das eleições está a “andar muito bem” e manifestou estar otimista para a realização das legislativas antecipadas em 18 de dezembro.

“A preparação das eleições está a andar muito bem, estamos concentrados no processo de preparação das eleições de 18 de dezembro”, disse Nuno Gomes Nabiam, no final da reunião do Conselho de Ministros, que decorreu no Palácio da Presidência, em Bissau.

Questionado pela Lusa sobre como está a correr a preparação do processo eleitoral, o primeiro-ministro disse que tudo está a andar de forma a permitir “realizar as eleições a 18 de dezembro”.

“Portanto, para a semana vamos ter a possibilidade de trabalhar com os partidos políticos e a sociedade civil. Já estamos em contacto com os parceiros bilateral e multilateral sobre o processo de recenseamento e eleições”, salientou.

“Certamente vamos estar em condições de já para a semana apresentar o cronograma das eleições e do recenseamento. Portanto, estamos otimistas de que tudo correrá bem e teremos eleições no dia 18 de dezembro”, acrescentou o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro realizou quarta-feira um encontro com o coordenador residente do sistema das Nações Unidas em Bissau, Anthony Kwaku Ohemeng-Boamah, sobre o processo eleitoral, estando a organização a aguardar o “planeamento e orçamento do Governo para desencadear a operação de mobilização dos parceiros” para conseguir os “montantes necessários para a organização e realização das eleições legislativas”.

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, dissolveu em 16 de maio o parlamento da Guiné-Bissau e marcou eleições legislativas para 18 de dezembro.

A decisão foi justificada, segundo o decreto presidencial, com o facto de a Assembleia Nacional Popular “recusar de forma sistemática o controlo das suas contas pelo Tribunal de Contas” e por “defender e proteger, sob a capa da imunidade parlamentar deputados fortemente indiciados pela prática de crimes de corrupção, administração danosa e peculato”.

“Situações que tornam praticamente insustentável o normal relacionamento institucional entre órgãos de soberania e que, por conseguinte, constituem grave crise política”, refere-se no decreto.

O artigo 69.º da Constituição da Guiné-Bissau refere que o Presidente da República tem competência para dissolver o parlamento em “caso de grave crise política, ouvido o presidente da Assembleia Nacional Popular, os partidos políticos nela representados e observados os limites impostas pela Constituição”.

Segundo o artigo 3.º da lei eleitoral, compete ao chefe de Estado marcar as eleições, depois de ouvir o “Governo, os partidos políticos, e a Comissão Nacional de Eleições” por “decreto presidencial com antecedência de 90 dias”.

As anteriores eleições legislativas realizaram-se em março de 2019 e os novos deputados tomaram posse em abril do mesmo ano.

Conosaba/Lusa

Partido guineense Madem G-15 prepara congresso com onda de novos membros



 O Movimento para a Alternância Democrática (Madem G-15), que faz parte da coligação que governa na Guiné-Bissau, inicia esta sexta-feira o seu 2.º congresso, numa altura em que se assiste a uma onda de novos militantes ao partido.

"O Madem está na moda", declarou à Lusa o porta-voz do congresso, Queba Djaita.

Nos últimos dias, várias personalidades políticas guineenses, entre as quais o ex-Presidente José Mário Vaz, o filho Herson Vaz, Delfim da Silva, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e atual conselheiro político do chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, aderiram ao Madem G-15.

"Tem a ver com a credibilidade que o partido ganhou ao longo dos quatro anos desde a sua fundação", observou Queba Djaita, ao explicar a entrada em massa de pessoas no Madem, fundado em 2018 por dissidentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Djaita sublinhou ainda que vários militantes de outras formações políticas têm vindo aderir ao Madem G-15.

O porta-voz do congresso, que vai decorrer entre sexta-feira e domingo, afirmou também que a "procura massiva" pelo Madem G-15 "demonstra que os guineenses acreditaram no projeto" liderado por Braima Camará.

"Mostrámos que podemos dizer sim quando é para dizer sim, quando é para se posicionar contra o Madem não tem problema em fazê-lo. Mas também o bom desempenho dos membros de elementos do Madem que estão no atual Governo tem contribuído para esta fama do nosso partido", observou Queba Djaita.

Quanto às candidaturas para o congresso, que vai decorrer na localidade de Gardete, arredores de Bissau, o porta-voz da reunião disse que "por enquanto" apenas Braima Camará se posicionou para a sua reeleição.

O militante Adilson da Costa manifestou intenção de se apresentar como candidato, mas fontes do partido disseram à Lusa que este acabou por desistir.

O congresso, cujo lema é: "Consolidar o partido, promover a unidade nacional e desenvolver a Guiné-Bissau", juntará 2.515 delegados.

Conosaba/Lusa 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

COMENTADOR POLÍTICO, LASSANA DAABA COMENTA A GUERRA ENTRE A RÚSSIA E UCRANIA - RTP-Hora dos Ouvintes

Empresa checo-cabo-verdiana prevê 6ME para começar a produzir aviões em Cabo Verde


Praia, 27 set 2022 (Lusa) – Uma empresa checo-cabo-verdiana prevê um investimento inicial de seis milhões de euros para começar a produzir aviões em Cabo Verde para depois vendê-los ao mercado africano, disse hoje à Lusa fonte oficial.

“Venho elaborando este projeto já há dois anos, criei a empresa Aeronáutica Checo-Cabo-verdiana, empresa que irá produzir os aviões da Orličan e Air Craft Industries em Cabo Verde”, começou por explicar Mónica Sofia Duarte, diretora executiva da empresa criada recentemente na República Checa.

Mónica Duarte é também vice-presidente da Câmara do Comércio Checo-Cabo-verdiana, criada em abril de 2020, e que na semana passada realizou, na cidade da Praia, a primeira feira de negócios entre os dois países, onde lançou a ideia de começar a produzir pequenas aeronaves em Cabo Verde.

A responsável indicou que vai iniciar já no início do próximo com a instalação da fábrica, na cidade da Praia, perto do atual aeroporto internacional. “Um lugar estratégico”, frisou, dando conta que a empresa já tem dois hectares de terrenos para implementar o projeto nesse local.

Segundo a promotora, será necessário na primeira fase um investimento de cerca de seis milhões de euros, enquanto a implementação e a fabricação dos primeiros aviões com o ‘know-how’ e a licença da Orličan demoram cerca de três anos até à produção dos primeiros cinco.

“Pretendemos levar técnicos cabo-verdianos para se estagiarem na fábrica da Orličan [produtora de suplementos para pequenas aeronaves desde 1935] na República Checa e fabricar depois em Cabo Verde. O processo e a qualidade serão os mesmos que os dos aviões feitos na Europa”, salientou na entrevista à Lusa.

Quanto aos aviões da Air Craft Industries L410, indicou que inicialmente serão revendidos somente no mercado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), mas posteriormente não descarta a hipótese de fabricá-los ou montá-los em Cabo Verde.

“Cabo Verde como porta dos investidores checos a África” foi o lema da feira, daí a diretora executiva da Aeronáutica Checo-cabo-verdiana justificar a intenção de entrar no mercado da CEDEAO a partir de Cabo Verde.

“Temos parceiros em outros países de África como a Tunísia e a África do Sul que estariam disponíveis a colaborarem connosco como forma ou caminho seguro e eficiente para o mercado europeu. A posição geográfica de Cabo Verde, a estabilidade política, os incentivos da parte do Governo para com os investimentos externos são fatores imprescindíveis para motivarem os empresários a apostarem em Cabo Verde”, apontou a engenheira física e empreendedora cabo-verdiana, natural de Santa Cruz, norte da ilha de Santiago, residente há vários anos na Chéquia.

Neste momento, referiu que a Câmara de Comércio Checo-cabo-verdiana já esta a articular todos os passos necessários com a Cabo Verde TradeInvest para a implementação do projeto que considera “será uma mais-valia para Cabo Verde”, uma vez que algumas das aeronaves vão ficar no arquipélago para ajudar a resolver o problema dos transportes aéreos.

“Acredito neste projeto, por isso faço este apelo aos jovens cabo-verdianos, chegou o momento de tomar atitudes, o mundo está cheio de boas ideias e de oportunidades, mas o sucesso vem apenas por meio da ação. A maneira mais fácil de iniciar algo é deixar de apenas falar e começar a agir. Isso vale também para o seu sucesso”, incentivou Mónica Duarte, 30 anos, mestre em Finanças Corporativas pela Universidade de Finanças e Administração da República Checa, e que nos últimos anos já realizou vários projetos em Cabo Verde.

Entre elas está a criação da Fundação Nadeje em Santa Cruz, para ajudar crianças, jovens e mulheres desfavorecidas, realizou em maio de 2021, em Praga, o primeiro Fórum de Investimento entre os dois países, apoiou Cabo Verde com ventiladores, máscaras, respiradores, entre outros materiais de combate à covid-19, avaliados em 120 mil euros.

Licenciada em Engenharia Física Tecnológica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, filantropa, Mónica Duarte iniciou-se muito cedo no mundo da moda, como modelo, tendo posteriormente fundado uma marca de roupas, calçado e acessórios com o próprio nome, e tem sido um dos entusiastas para o fortalecimento das relações entre os dois países.

Conosaba/Lusa

Setores da Educação e Saúde da Guiné-Bissau protestam contra o Governo

Cerca de duas mil pessoas, maioritariamente funcionários públicos dos setores da Saúde e da Educação, protestaram hoje em Bissau, Guiné-Bissau, contra o Governo, que decidiu suspender os novos ingressos naqueles dois setores.

"O nosso trabalho é salvar vida, mandaram-nos para casa. É atentado às vidas humanas", podia ler-se em uma das várias faixas empunhadas pelos manifestantes, que marcharam entre a sede do Banco Central da África Ocidental (BCEAO) e o Palácio do Governo.

O protesto foi organizado por quatro sindicatos, dois do setor da Saúde e dois do setor da Educação, agora denominados Frente Social. Os quatro sindicatos são filiados da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau, principal central sindical do país.

Além da polémica suspensão dos novos ingressos nos setores da Saúde e Educação, os manifestantes protestaram também contra o aumento do custo de vida, os subsídios milionários dos políticos, falta de pagamento de salários e abuso de poder.

Em declarações aos jornalistas, Yoyo João Correia, presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros, Técnicos de Saúde e Afins da Guiné-Bissau, disse esperar chegar a um acordo com o Governo antes da greve marcada para os setores entre 10 e 14 de outubro.

"Somos todos guineenses e o que queremos é o melhor para a Guiné-Bissau e todos devemos fazer um esforço para chegar a um consenso. Esta marcha é uma forma de fazer pressão para chegarmos a um consenso antes da greve", afirmou Yoyo João Correia, no final de um encontro no Palácio do Governo com o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Florentino Fernando Dias.

O responsável disse que a Frente Social não está interessada em "chegar à greve nos setores da saúde e educação por causa das consequências" e que o Governo vai "fazer diligências e negociações sérias para chegarmos a um consenso".

A Frente Social reivindica exige também o cumprimento do estatuto da carreira docente, a aprovação da carreira dos profissionais de saúde, efetivações e pagamento de dívidas e o respeito da lei no acesso à Função Pública.

Segundo Yoyo João Correia, os governantes devem ser os primeiros a cumprir regras de contratação, salientando que fazem nomeações de pessoas, que depois são contratadas e integradas nos quadros da Função Pública, com salários e subsídios altos, que podiam servir para pagar a milhares de jovens.

Conosaba/Lusa