segunda-feira, 6 de julho de 2026

PRESIDENTE DA REPÚBLICA CONVOCA REFERENDO NACIONAL SOBRE A NOVA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.


O Presidente de Transição da República da Guiné-Bissau, General de Exército Horta Inta-a, assinou hoje o Decreto Presidencial n.º 19/2026, que convoca um referendo nacional para que os cidadãos eleitores se pronunciem sobre a entrada em vigor da nova Constituição da República, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição.

A realização do referendo enquadra-se no processo de consolidação da transição política e permitirá que o povo guineense exerça, através do voto, o seu direito de decidir sobre a adoção da nova Lei Fundamental do Estado.

A consulta popular decorrerá no dia 30 de agosto de 2026, por sufrágio universal, direto, secreto e pessoal, nos termos da legislação em vigor.

Bissau, 06 de julho de 2026

Sua Excelência Senhor Embaixador Ibraima Sanó recebeu hoje, dia 06 de Julho, visita de cortesia de uma Delegação Técnica Multissetorial da Guiné -Bissau. A Delegação encontra-se em Cabo Verde para Missão Técnica e de Estudo sobre Migração Laboral, no âmbito da cooperação entre o Governo da Guiné-Bissau e a Organização Internacional para as Migrações-OIM.

China efectua tiro de míssil no Pacífico, suscitando condenações dos países da região

Mísseis balísticos DF-41 num desfile militar por ocasião da celebração dos 70 da China Popular no dia 1 de Outubro de 2019, em Pequim. (Imagem de ilustração) AP - Mark Schiefelbein.

A China anunciou nesta segunda-feira ter efectuado hoje um ensaio de lançamento de "mísseis estratégicos" sem ogiva nuclear no Pacífico a partir de um submarino, uma operação que suscitou reacções de condenação de vários países da região.

Foi a primeira vez em quatro décadas que Pequim realizou um teste deste tipo em águas internacionais, mas este não foi o primeiro disparo efectuado por este país com este tipo de engenho. Já em Setembro de 2024, Pequim já tinha lançado um míssil balístico intercontinental para o Pacífico, novamente sem ogiva nuclear

"Um submarino estratégico com propulsão nuclear e lançador de engenhos" realizou na segunda-feira, 6 de Julho, às 12h01 (04h01 GMT), o teste de lançamento de um "míssil estratégico equipado com uma ogiva de treinamento de carga simulada, em direcção às águas internacionais do Pacífico", informou a marinha chinesa, sem indicar a localização exacta.

"Uma notificação prévia foi enviada aos países em questão (...) Este tiro não visa nenhum país nem nenhum alvo específico", ressaltou.

Apesar de indicar ter sido informado, o governo da Nova Zelândia, lamentou que o teste tenha sido realizado apenas "horas" após o aviso chinês.

"O Pacífico é um oceano de paz e estamos profundamente preocupados com os testes da China de armas nucleares no Pacífico Sul", acrescentou ainda Wellington.

A Austrália que acaba precisamente hoje de assinar com as Ilhas Fiji um importante tratado de defesa mútua para tentar conter a crescente influência chinesa no Pacífico Sul, classificou o teste efectuado por Pequim como sendo "desestabilizador para a região".

No mesmo sentido, o Japão expressou a sua "profunda preocupação com a intensificação das actividades militares da China".

Em Taiwan, o Conselho de Assuntos Continentais, responsável pelas relações com Pequim, considerou que esta iniciativa chinesa "agrava as tensões na região e compromete a paz e a estabilidade regionais".

Pequim justifica contudo que o disparo foi "realizado em condições de segurança, de forma regulamentada e profissional".

Por sua vez, o principal aliado da China, a Rússia, argumentou que "é o direito soberano da China testar os seus mísseis (...). A China não ameaça ninguém no mundo".

Em declarações jornalistas, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin também esclareceu antecipadamente que os exercícios navais anuais iniciados nesta segunda-feira pelas marinhas chinesa e russa, ao largo de Qingdao, grande porto militar e balneário do leste da China, não ameaçam "nenhum estado da região".

No âmbito destas manobras denominadas "Joint Sea-2026" que decorrem até ao dia 13 de Julho, os dois países referem que irão realizar exercícios de reconhecimento, defesa aérea e antimíssil, bem como tiro de treinamento com munições reais.

Organizados anualmente desde 2012, desconhece-se se estes exercícios militares terão algum elo com o disparo de míssil efectuado hoje pela China.

O que se sabe é que esta iniciativa chinesa acontece num contexto em que Pequim tem vindo a reforçar as suas capacidades militares em sintonia com o seu desenvolvimento económico e peso diplomático.

De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Estocolmo para a Investigação da Paz (SIPRI), em 2025, a China tinha 600 armas nucleares, mais 100 do que em 2024.

Os Estados Unidos, que possuem 3.700 armas deste tipo segundo o SIPRI, acusam regularmente o exército chinês de querer reforçar significativamente o seu arsenal.

Por: RFI com AFP

Guiné-Bissau: "Mais de 50% da população não tem acesso à água potável"


Relatório "Observando os Direitos na Guiné-Bissau", elaborado pelo Observatório dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau. © https://www.facebook.com/photo?fbid=1355360206798805&set=a.401109685557200


Os direitos humanos estão consagrados na lei, mas continuam fora do alcance de grande parte da população da Guiné-Bissau. O novo relatório Observando os Direitos na Guiné-Bissau revela um país marcado por profundas desigualdades no acesso à água, saúde, educação, justiça, energia e habitação. Para o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, a ausência do Estado está a empurrar a população para o limite da sobrevivência.

Na Guiné-Bissau, os direitos humanos continuam, muitas vezes, a existir apenas no papel. Embora a Constituição e a legislação reconheçam um vasto conjunto de direitos económicos, sociais, culturais e cívicos, a realidade diária de milhares de famílias continua marcada pela falta de acesso aos serviços mais básicos.

É esta a principal conclusão do relatório Observando os Direitos na Guiné-Bissau, elaborado pelo Observatório dos Direitos Humanos a partir de um inquérito realizado em todo o país junto de 632 famílias, escolas, centros de saúde, estabelecimentos prisionais e outras instituições. O estudo conclui que a pobreza, a fragilidade das instituições públicas e as desigualdades territoriais continuam a impedir que uma parte significativa da população exerça direitos que já lhe são reconhecidos por lei.

"O relatório mostra que tem havido uma proclamação formal dos direitos humanos ao nível constitucional e legal, mas, do ponto de vista prático, há uma grande distância e os cidadãos têm um acesso deficiente aos serviços sociais básicos", resume Bubacar Turé, presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos. Para o responsável, o documento pretende também "interpelar as autoridades nacionais sobre a necessidade de inverter esse rumo".

Água imprópria, hospitais degradados

O acesso à água potável surge como um dos indicadores mais preocupantes. Bubacar Turé afirma que "mais de 50% da população não tem acesso à água potável" e depende de água retirada de poços que, "na sua esmagadora maioria, não têm condições higiénicas". Uma situação que, segundo o dirigente, está associada ao aumento de doenças de origem hídrica e da mortalidade materno-infantil.

As dificuldades repetem-se no sector da saúde. Apesar dos progressos registados nas últimas décadas, o acesso aos cuidados continua condicionado pela escassez de profissionais, pelos custos suportados pelas famílias e pela distância aos centros de saúde. "Há regiões em que os cidadãos percorrem mais de 30 quilómetros para ter acesso aos primeiros cuidados médicos", refere Bubacar Turé, acrescentando que muitos estabelecimentos de saúde continuam a funcionar sem acesso regular à água potável ou à energia eléctrica. "São situações extremamente preocupantes."

O nascimento continua a determinar oportunidades

O relatório mostra, ainda, que o acesso aos direitos varia entre regiões. O Sector Autónomo de Bissau e Biombo apresentam os melhores indicadores, enquanto Gabú, Bafatá e Quinara continuam entre as zonas mais desfavorecidas. Para Bubacar Turé, não existem "cidadãos de primeira e de segunda", mas sim uma profunda falta de coesão territorial.

"O Estado não consegue cumprir a sua função de proporcionar o bem-estar social", afirma. Segundo o dirigente, a concentração de investimentos públicos e de projectos das organizações não governamentais em determinadas regiões acaba por aprofundar as desigualdades existentes, quando deveria existir uma estratégia nacional que garantisse um desenvolvimento mais equilibrado.
A resiliência já não é suficiente

Apesar das dificuldades, o relatório destaca a capacidade de resistência das famílias e das comunidades, que continuam a criar mecanismos próprios de solidariedade para responder à ausência dos serviços públicos. Mas Bubacar Turé alerta para o risco de transformar essa capacidade de adaptação numa desculpa para a inacção do Estado. "O povo guineense tem travado uma luta titânica pela sua própria sobrevivência, mas essa resiliência tem limites. O povo está neste momento no limite dos seus esforços", afirma.

Na sua perspectiva, esse desgaste já está a produzir consequências visíveis. "As pessoas entram em desespero", diz, apontando a crescente emigração de professores, médicos e outros quadros qualificados, que procuram melhores condições de vida no estrangeiro, agravando ainda mais a fragilidade dos serviços públicos.

Questionado sobre as causas desta realidade, Bubacar Turé aponta directamente à instabilidade política crónica. "A classe política não tem correspondido às expectativas do povo", afirma. Apesar de a Guiné-Bissau realizar eleições consideradas livres e pacíficas, o dirigente lamenta que estas sejam frequentemente seguidas por "má governação, corrupção, instabilidade, golpes e violações sistemáticas dos direitos humanos".

Na sua opinião, apenas uma governação transparente, estável e respeitadora da Constituição permitirá transformar os recursos naturais do país em desenvolvimento efectivo e reduzir a pobreza. Para Bubacar Turé, não existe uma prioridade única, porque os défices se acumulam. "Temos urgência de colocar milhares de crianças na escola, de transformar o sistema de saúde, de garantir água potável, energia eléctrica e de reduzir drasticamente a pobreza extrema", enumera.

Sem esse investimento, conclui, continuará a existir uma Guiné-Bissau onde os direitos são amplamente reconhecidos na lei, mas permanecem inacessíveis para uma grande parte da população.
.rfi.fr/pt/

Adeus México: épica Inglaterra com 'Speedy' Bellingham manda mais um anfitrião para o sofá.

Jogador do Real Madrid bisou em dois minutos, segunda parte foi louca.

A Inglaterra garantiu a passagem aos quartos de final do Mundial 2026 após uma vitória dramática por 3-2 sobre o México, num jogo disputado no Estádio Azteca.

A seleção inglesa, que agora defrontará a Noruega em Miami no próximo sábado, superou a expulsão de Qansah no início da segunda parte, a altitude e a pressão dos anfitriões para alcançar um triunfo memorável.

Este resultado marca a primeira derrota de sempre do México no Estádio Azteca em jogos do Mundial, onde até então somava oito vitórias e dois empates. A equipa da casa não sofria três golos no seu reduto desde um jogo contra o Brasil em agosto de 1999. De salientar que os três golos sofridos nesta partida superam o total de golos concedidos (dois) nos dez jogos anteriores do Mundial disputados neste estádio.

No final do encontro, o capitão Harry Kane, rouco e quase sem voz, descreveu a partida como «um jogo louco, louco». Em declarações à BBC Radio 5 Live, acrescentou: «Tantas coisas contra nós como equipa, vir a esta fortaleza e ter de superar tudo. No jogo, o cartão vermelho, o penálti e tantas decisões contra nós, mas aguentámos. Isto só nos dará mais confiança e mais ímpeto. Que noite especial para a Inglaterra».

Apesar do triunfo, o selecionador inglês, Thomas Tuchel, teceu duras críticas à equipa de arbitragem liderada por Alireza Faghani.

«Simplesmente não é bom o suficiente. Os árbitros não são bons o suficiente, os quartos árbitros não são bons o suficiente. Essa é a conclusão», afirmou o técnico à BBC Sport. Tuchel questionou a decisão do VAR de assinalar um penálti, considerando que não se tratava de um «erro claro e óbvio».

O treinador elogiou ainda a sua equipa: «Que drama desde o primeiro minuto. Que montanha-russa de emoções. Foi uma luta durante muito tempo com 10 homens. Há muito para amar nesta equipa. Se há uma equipa com coração e crença, é esta. Fizeram-no por pura vontade. É um jogo icónico, num estádio icónico. Superámos muitas adversidades hoje», declarou, acrescentando que a equipa se recusou a ceder «a um nível absolutamente admirável».

No entanto, Tuchel admitiu que a exibição podia ter sido melhor. «Acho que podemos jogar muito melhor. Há uma desconexão em relação ao que realmente colocamos em campo em termos de desempenho futebolístico, posse de bola, encontrar espaços», analisou. A noite ficou ainda marcada pela lesão de Jordan Henderson, cujo prognóstico «não parece bom» após uma queda que resultou numa lesão no pulso.

//sapo.pt/

CÂMARA MUNICIPAL DE BISSAU, EM AÇÃO | OPERAÇÃO DE LIMPEZA E SENSIBILIZAÇÃO REALIZADA - DOMINGO - 05/07/2026

Câmara Municipal de Bissau

‎JOÃO BERNARDO VIEIRA DEFENDE REFORÇO DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA CONSOLIDAR O ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira, afirmou esta segunda-feira que a consolidação do Estado de Direito Democrático não constitui apenas um princípio constitucional, mas sim uma escolha estratégica para o futuro da Guiné-Bissau, para a estabilidade das instituições e para o reforço da confiança dos cidadãos no Estado.
‎O governante falava na cerimónia de abertura do retiro institucional destinado à elaboração do Plano Estratégico do Ministério Público para o período 2026-2030, realizado sob o lema “Fortalecer o Ministério Público para a Consolidação do Estado de Direito Democrático”.
‎Na sua intervenção, João Bernardo Vieira destacou que os sistemas de justiça enfrentam atualmente desafios cada vez mais complexos, resultantes das rápidas transformações globais.
‎“Vivemos tempos de rápidas mudanças e desafios complexos. A globalização, a revolução digital, o crime organizado internacional, as crises ambientais, os conflitos armados, as migrações em massa e as pandemias são apenas alguns dos fenómenos que moldam o nosso presente e influenciam diretamente os sistemas de justiça”, afirmou.
‎Segundo o ministro, perante este contexto multifacetado, o Ministério Público assume um papel central para garantir que a justiça seja uma instituição dinâmica, capaz de se adaptar às novas exigências da sociedade.
‎O documento orientador do retiro estabelece como principais objetivos a análise e validação do Relatório Diagnóstico do Ministério Público e a elaboração participativa do Plano Estratégico 2026-2030.
‎Para João Bernardo Vieira, estas metas refletem uma visão clara de avaliação rigorosa da situação atual da instituição, permitindo identificar constrangimentos, reconhecer oportunidades e definir um caminho sólido para o futuro.
‎“O país exige um Ministério Público mais forte, mais preparado e mais comprometido com o interesse público. Um Ministério Público capaz de enfrentar com determinação desafios como a criminalidade organizada, a corrupção, a ineficiência processual e a fragilidade dos mecanismos de controlo”, sublinhou.
‎O titular da pasta da Justiça considerou ainda que a modernização da justiça constitui um compromisso assumido ao mais alto nível do Estado e defendeu que o setor deve ser encarado como parte integrante da estratégia nacional de governação, segurança e desenvolvimento.
‎Durante a sua intervenção, João Bernardo Vieira alertou igualmente para os desafios colocados pela criminalidade organizada transnacional, apontando o tráfico de drogas, de pessoas e de armas, o terrorismo e o crime cibernético como ameaças que ultrapassam fronteiras e exigem uma resposta coordenada entre os países.
‎Para enfrentar estes fenómenos, o governante defendeu o fortalecimento das instituições, a implementação de programas de prevenção e tratamento das dependências e o reforço da cooperação internacional.
‎O ministro assegurou ainda que o Governo de Transição tem vindo a trabalhar no reforço do quadro legal nacional. Nesse âmbito, revelou que foram elaborados projetos de revisão dos principais códigos jurídicos do país, nomeadamente os códigos Penal, de Processo Penal, Civil e de Processo Civil.
‎RSM: 06-07-2026