domingo, 30 de agosto de 2026

Guiné-Bissau: referendo sob forte contestação e baixa participação

Safim, perto de Bissau, 30.08.2026. © Fodé Mané

A consulta decorre num contexto de forte divisão política, com sectores da sociedade a apelarem ao boicote e outros a defenderem a participação.

Conforme disseram os próprios agentes das mesas de voto, o processo decorre com uma participação reduzida do eleitorado.

Há casos em que, dos 300 eleitores inscritos, compareceram apenas 10.

A situação verifica-se um pouco por todo o país, segundo relatos de jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social contactados pela RFI.

No entanto, alguns guineenses já exerceram o seu direito cívico, apoiando sem reservas a nova Constituição. É o caso de Badilé Sami, director-geral da Coordenação da Ajuda Não Governamental, no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Votei convictamente "sim" pela paz e estabilidade. O país não pode continuar neste ciclo de instabilidade, que impede o país de se desenvolver", diz Badilé Sami, membro do Conselho Nacional de Transição.

As autoridades em Bissau, que tomaram o poder pela força a 26 de novembro de 2025, repudiaram os apelos ao boicote feitos por líderes da oposição e por algumas organizações da sociedade civil.

Depois de votar em Bissau, o general Horta Inta-a, Presidente da transição, apelou à participação no referendo e rejeitou que a consulta prepare o regresso de Umaro Sissoco Embaló ao poder.

O general Horta Inta-a afirmou que Embaló, Braima Camará e Domingos Simões Pereira têm direito a viver na Guiné-Bissau.

"Isto não tem nada a ver com os partidos. Estamos aqui a discutir o problema do nosso país. Jovens, o vosso futuro está a ser adiado por um certo grupo. Estão-vos a dizer para que fiquem em casa, para que não vão votar, eu apelo a todos os cidadãos para que vão votar. Que ninguém diga que não tem nada a ver com esse assunto. Todos nós temos algo a dizer sobre este assunto. Estão a dizer que este referendo é para permitir o regresso ao poder de Umaro Sissoco Embalo. Umaro é cidadão guineense, Braima Camará é cidadão guineense e Domingos Simões Pereira também é cidadão guineense. Aqui é a terra deles, podem cá viver", disse o Presidente da Transição.

A participição no referendo é fraca a meio da tarde, e a chuva que se registou na zona de Bissau não ajudou. Nos arredores de Bissau, o jurista Fodé Mané constatou que algumas mesas de voto estão mesmo "vazias":

"Em nenhuma assembleia de voto encontrei duas ou três pessoas a votarem. Há uma ausência total. Isso mostra que as coisas não estão como os organizadores pretendiam. Em algumas zonas está a chover muito. Mesmo aqueles que queriam ir votar vão ter alguma reticência. Vendo as imagens dos principais centros de aglomeração da população, nota-se que o povo deu resposta com um boicote total", afirma Fodé Mané.

Diáspora guineense excluída do referendo

Enquanto uns podem votar, outros são proíbidos de exercer o mesmo direito. Uma exclusão à qual o dirigente do PAICG do sector da diáspora Mariano Quadé, em Lisboa, reage com "indignação".

"É retirar um direito aos guineenses que têm toda a vontade de contribuir para o destino do seu país e que se vêem vedados desse direito! Os cidadãos na diáspora têm uma grande responsabilidade, porque convivem com outras realidades políticas e conseguem ver o que é contra-natura. Estão a negar este direito de voto a uma parte dos cidadãos nacionais. Estas autoridades sabem que não têm legitimidade nenhuma para referendar uma Constituição após um golpe de Estado. Isto tudo é uma fflagrante violação dos direitos políticos, civis e humanos", aponta o responsável, contactado pela RFI.

Por: RFI| Mussá Baldé

Referendo Popular: CNE regista ambiente calmo e sem incidentes nas primeiras horas de votação


O secretário-executivo adjunto da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Idriça Djaló, afirmou que, nas primeiras seis horas do processo de votação, não foi registado qualquer incidente no terreno.

Em declarações aos jornalistas, na sede da CNE, Idriça Djaló disse que a afluência de eleitores tem sido significativa em algumas regiões e moderada noutras zonas do país.

Segundo o responsável, as informações disponíveis indicam que os cidadãos estão a exercer o seu direito de voto de forma ordeira, sem registo de perturbações e sem longos períodos de espera.

De acordo com Idriça Djaló, a CNE continua a acompanhar a evolução da participação ao longo do dia. Contudo, salientou que, nesta fase, ainda não é possível avançar uma taxa consolidada de participação, uma vez que são necessários dados mais representativos para uma avaliação rigorosa.

“O ambiente geral nos locais de votação e nas respetivas imediações tem sido caracterizado pela calma, tranquilidade e civismo. Os eleitores têm demonstrado respeito pelos procedimentos estabelecidos e pelas orientações dos membros das mesas das assembleias de voto”, referiu.

O responsável acrescentou que as mesas de voto dispõem dos materiais necessários para a realização das operações eleitorais.

“Qualquer situação pontual de insuficiência ou necessidade de reposição de materiais que venha a ser comunicada será tratada pelas estruturas competentes, de modo a assegurar a continuidade das operações de votação”, assegurou.

Idriça Djaló garantiu ainda que a CNE continuará a acompanhar permanentemente a situação em todo o território nacional, mantendo contacto com as suas estruturas no terreno e intervindo, dentro das suas competências, sempre que necessário.

Por fim, apelou aos cidadãos para que participem no processo eleitoral e exortou igualmente as forças de defesa e segurança, os órgãos de comunicação social e os demais intervenientes a continuarem a pautar a sua atuação pela responsabilidade, serenidade e respeito pela lei.

Por: Jacimira Segunda Sia
odemocratagb.

Horta destaca importância do voto dos jovens para o futuro da Guiné-Bissau


O Presidente de Transição, General Horta Inta-a, apelou aos eleitores guineenses, em particular à juventude, para que participem massivamente no referendo, alertando os jovens para não permitirem que o seu futuro seja adiado mais uma vez.

“Apelo aos cidadãos guineenses e, sobretudo, aos jovens, para que saiam de casa e votem massivamente. Este processo não é uma questão de partidos, mas sim uma questão da Guiné-Bissau, que estamos a decidir através deste referendo”, afirmou o Chefe de Estado aos jornalistas, após votar na mesa de voto n.º 02, do distrito eleitoral n.º 51, círculo eleitoral n.º 25, no bairro de Empatcha, em Bissau.

O Presidente Horta compareceu acompanhado pela Primeira-Dama, por membros do seu gabinete, pela presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Carmem Isaura Tavares Batista Lobo, e pelo vice-presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Fodé Caramba Sanhá.

Ao todo, 914.428 eleitores guineenses começaram, na manhã deste domingo, a votar sobre a adoção da nova Constituição da República, aprovada pelas autoridades de transição através do Conselho Nacional de Transição.

O processo eleitoral, organizado pela Comissão Nacional de Eleições, decorre por sufrágio universal, direto, secreto e pessoal em todo o território nacional, através de 3.562 mesas de voto distribuídas por 2.036 secções eleitorais. A maioria das assembleias de voto abriu às 07h00 e permanecerá em funcionamento até às 17h00.
O Presidente de Transição explicou que o referendo visa, essencialmente, pôr fim aos constantes conflitos políticos e bloqueios institucionais registados no Parlamento, permitindo que os futuros governos completem os respetivos mandatos.

“O futuro dos jovens está a ser adiado por um grupo de pessoas. Estão a dizer-vos para ficarem em casa e recusarem votar. Apelo a todos os guineenses para que saiam e votem, para que ninguém diga que a sua voz não conta, porque todos nós estamos envolvidos neste processo. Digo sempre que ninguém virá de fora para desenvolver esta terra; somos nós que temos de desenvolver este país”, afirmou.

Horta Inta-a referiu ainda que existem especulações de que o referendo estaria a ser realizado para permitir o regresso de Umaro Sissoco Embaló ao país. No entanto, salientou que Sissoco Embaló é cidadão guineense, tal como Braima Camará e Domingos Simões Pereira, pelo que todos têm o direito de regressar e viver na Guiné-Bissau.

“Cumpri o meu dever de cidadão ao votar. Apelo a todos para que saiam em massa e participem neste referendo”, concluiu.

Por: Assana Sambú / Jacimira Segunda Sia
odemocratagb.

sábado, 29 de agosto de 2026

NOVO CARTÃO DE IDENTIDADE DA GUARDA NACIONAL


A Guarda Nacional deu início hoje, 28 de agosto, à emissão do novo Cartão de Identidade dos seus militares.

Esta importante iniciativa reforça o nosso compromisso com a modernização, a transição digital e a segurança institucional.

O processo teve o seu início oficial com a entrega do primeiro Cartão de Identidade ao Comandante-Geral da Guarda Nacional, Major-general Orlando Pungana Nam Cobna.

O novo documento incorpora tecnologia de vanguarda para inviabilizar a contrafação, salvaguardar a proteção de dados e conferir total celeridade à validação da identidade dos nossos operacionais no cumprimentodas suas missões.

Guarda Nacional: Uma força humana, moderna e digital, sempre ao serviço dos cidadãos.

Como não sou político nem candidato guineense, e muito menos “cunhado” ou “familiar” de líderes partidários, nem tive qualquer participação na redação do texto, tenho toda a imparcialidade para desejar que a Guiné-Bissau vote a nova Constituição - texto muito melhor que a atual, de 1984 e com uns “remendos” - em paz, liberdade e honestidade, num referendo que é quase inédito no Constitucionalismo Lusófono!

 Jorge Bacelar Gouveia


Jorge Bacelar Gouveia: O Povo da Guiné-Bissau vai referendar a nova Constituição, texto com 152 artigos e muito mais completo do que o atual, de 1984 e remendado várias vezes, e aqui duas verdades que têm sido objeto de manipulação na opinião pública e nada como mostrar os artigos (das duas Constituições): a nova Constituição nada muda no sistema de governo porque a (i) nomeação do Governo e a (ii) dissolução do Parlamento submetem-se às mesmas regras, e já antes o PR sempre podia presidir ao CM. Agora venham dizer que isto é falso!

 Que a Guiné-Bissau decida em paz, liberdade e honestidade este referendo, são os meus sinceros votos!






QUALIFICAÇÃO CAN 2027: SELECIONADOR NACIONAL ANUNCIA LISTA DE JOGADORES PRÉ-CONVOCADOS PARA A DUPLA JORNADA FRENTE À TANZÂNIA E À NIGÉRIA

O Selecionador Nacional, Emiliano Té, anunciou a lista dos jogadores pré-convocados para a dupla jornada da Qualificação para o CAN 2027, diante da Tanzânia e da Nigéria.

A Seleção Nacional fará a sua estreia na fase de qualificação no dia 25 de setembro, frente à Tanzânia, em Zanzibar, em jogo referente à 1.ª jornada.

Na 2.ª jornada, os “Djurtus” regressam a Bissau para defrontar a Nigéria, no dia 29 de setembro, no Estádio Nacional 24 de Setembro.

A dupla jornada marca o início da caminhada da Guiné-Bissau rumo à CAN 2027