domingo, 15 de fevereiro de 2026

Chefes de Estado deixaram, no encerramento da cimeira da União Africana (UA), a mensagem de "tolerância zero" para mudanças inconstitucionais de governo no continente e sublinharam a necessidade de pôr fim aos conflitos.


Chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países participaram na cimeira da UA em Adis Abeba

Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana (UA), destacou, na sessão de encerramento da cimeira, que estas foram posições "claramente assumidas", na Assembleia da UA, órgão supremo, composto pelos chefes de Estado e de Governo dos países membros, que se reúne anualmente em cimeira para definir políticas, prioridades e estratégias continentais.

Umaro Sissoco Embaló "Said Raïs" participa na Cimeira da União Africana

Ao longo de dois dias de trabalhos, a situação na Guiné-Bissau, suspensa da UA após golpe de estado militar de novembro de 2025 foi várias vezes referidos, com apelos ao regresso da ordem institucional.

Trabalhar para a paz e segurança no continente, "silenciar as armas" foi também sublinhado na conferência de imprensa de encerramento do evento pelo Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que nesta cimeira assumiu a presidência rotativa, sucedendo a Angola, prometendo ter como foco em paz, estabilidade e desenvolvimento industrial.

Évariste Ndayishimiye referiu-se em particular ao conflito na República Democrática do Congo (RDC) e ao terrorismo na região do Sahel.

"Há um acordo para cessar (na RDC) que está assinado, foi assinado pelas partes, então é preciso cumpri-lo", afirmou, alertando que pô-lo em ação implica também que as forças estrangeiras regressem aos seus países, numa referência ao Ruanda, que apoia os combatentes do movimento M23 no conflito contra as forças armadas do país, e "que nenhuma das partes retome os combates".

Acesso a água e Sahel na agenda

Sobre o Sahel, o novo Presidente da União Africana qualificou a situação como "complexa" ainda mais porque o terrorismo na região se propaga a outros países, salientou, e por isso precisa da atenção e ajuda da organização e dos seus países-membros.
João Lourenço defendeu investimentos significativos que tragam resultados no setor da água e saneamento Foto: Adrian Dennis/AFP/AP/picture alliance

Durante esta cimeira, a UA lançou também o tema que escolheu como central para 2026: "Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objetivos da Agenda 2063".

A África enfrenta uma profunda crise de água e saneamento, com mais de 400 milhões de pessoas sem acesso a água potável básica e mais de 700 milhões sem saneamento gerido de forma segura, contextualiza a UA.

A este propósito, no decorrer dos trabalhos desta 39.ª cimeira, a presidência cessante da União Africana, exercida pelo Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu investimentos significativos que tragam resultados no setor da água e saneamento, para garantir aos africanos o "acesso universal e equitativo" a estes serviços.

Antes, no balanço do mandato de um ano, João Lourenço disse que procurou reforçar o papel da UA como plataforma de concertação política e de ação concreta, promovendo maior articulação entre os Estados-membros e as comunidades económicas regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva face aos impactos das alterações climáticas e a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes.

Chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países participaram na cimeira da UA, realizada sábado e hoje na capital etíope, para abordar temas como a paz e segurança, a integração económica ou a crise climática, sob a sombra dos múltiplos conflitos que afetam países como o Sudão ou a República Democrática do Congo (RDC).

Além dos líderes africanos, estiveram presentes na sessão de abertura o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os primeiros-ministros de Itália, Giorgia Meloni, que falou como convidada de honra, e da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mohammad Mustafa. 

Deputado da Nação e membro do conselho nacional de transição, Aladje Buli koyo Camará, efetuou este domingo uma visita ao hospital regional de Bafatá, para solidarizar e prestar o seu apoio às vítimas do incêndio, cujos últimos dados atualizados apontam para um óbito e 163 feridos com queimaduras graves.

 

Rádio Djumbay

«Oio»Cerca de 154 Líderes Comunitários reúnem-se para Resgatar Tradições e Fortalecer a Cultura

Cerca de 154 líderes comunitários das comunidades locais da região de Oio participaram num encontro considerado histórico, com foco na preservação da identidade cultural e no resgate das tradições ancestrais.
As lideranças provenientes de diversas aldeias do setor de Mansabá marcaram presença no evento, promovido pela Célula de Anciãos Nacionais das Culturas Unidas por Raízes Africanas e da Nação Guineense, no âmbito da realização do primeiro encontro de divulgação do projeto junto às comunidades locais.

O principal objetivo do encontro é resgatar conhecimentos, rituais e práticas ancestrais que vêm se perdendo ao longo do tempo, reforçando o papel das tradições na construção da identidade nacional.

Aladji Sanhá, Secretário-Geral do projeto, explicou que a iniciativa visa valorizar as potencialidades culturais de cada grupo étnico, promovendo a união e o fortalecimento das raízes africanas.

Durante a sua intervenção, o responsável apelou às comunidades para evitarem a interrupção da educação dos filhos devido à prática de fanados, defendendo o equilíbrio entre tradição e acesso à educação formal.

Os participantes ouvidos pela nossa reportagem manifestaram satisfação com a realização do encontro e apelaram ao respeito e à valorização das culturas locais.

Além do resgate cultural, o evento reafirmou o papel das lideranças comunitárias na defesa do território, dos costumes e do modo de vida tradicional.

Betegb

Liceu Sub-Regional de Bubaque em reabilitação



A ASAD arrancou com a primeira fase das obras de melhoria das infraestruturas escolares em Bubaque, dando início à reabilitação do Liceu Sub-Regional de Bubaque e à construção de um novo edifício destinado à formação técnico-profissional.

A intervenção enquadra-se no Projeto Tanka Mas!, uma iniciativa que visa reforçar a qualidade do ensino e ampliar as oportunidades de qualificação para os jovens da ilha. O objetivo é criar melhores condições de aprendizagem, promovendo um ensino mais inclusivo, moderno e alinhado com as exigências do mercado de trabalho.
Além do Liceu Sub-Regional, o projeto contempla a reabilitação de seis outras escolas públicas, incluindo a instalação de sistemas de energia solar e de abastecimento de água através de furos, assegurando melhores condições de funcionamento e maior bem-estar para alunos e professores.
As obras representam igualmente uma oportunidade prática para antigos formandos dos cursos de Construção Civil, Carpintaria de Cofragem e Montagem de Ferro, que iniciam agora os seus estágios profissionais. Estes jovens foram capacitados no âmbito do Projeto Tanka Mas!, implementado pela ASAD em parceria com o Centro de Formação Industrial (CENFI).


A iniciativa conta ainda com o apoio da CEDEAO e do banco alemão de desenvolvimento KfW, reforçando o compromisso conjunto com o progresso educativo e o desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.
Com este investimento, reafirma-se a aposta na educação como motor de transformação social e económica, abrindo novos horizontes para a juventude de Bubaque.

ASAD

PR DE CABO VERDE ACREDITA NO DIÁLOGO PARA SOLUCIONAR CRISES COMO A DA GUINÉ-BISSAU


O Presidente de Cabo Verde acredita que diplomacia e trabalho de mediação ajudam a encontrar o melhor caminho para solucionar crises como a da Guiné-Bissau, incluindo no diferendo com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

José Maria Neves fez esta afirmação em declarações aos jornalistas à margem dos trabalhos da 39.ª cimeira da União Africana, hoje, em Adis Abeba, e falando de um encontro bilateral com o seu homólogo angolano, João Lourenço, durante o qual abordou vários temas da CPLP, incluindo a situação da Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de novembro de 2025.

“Há todo um trabalho que de mediação que está a ser feito pela CEDEAO”, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, e em que a CPLP quer participar, disse o Presidente de Cabo Verde, manifestando-se convicto de que será possível “encetar o melhor caminho” para a Guiné-Bissau.

Uma missão de alto nível da CPLP, cuja presidência foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado militar, tendo passado para Timor-Leste, deveria ir a Bissau na próxima semana, mas Dili anunciou que a tinha cancelado.

Contudo, o governo de transição da Guiné-Bissau anunciou depois ter sido sua a iniciativa de cancelamento da missão da CPLP, por não reconhecer legitimidade à presidência de Timor-Leste na comunidade de países lusófonos.

Questionado se há um fosso irreparável entre a Guiné-Bissau e a CPLP, José Maria Neves defendeu que “não há nada irreparável” e que com diálogo tudo é possível, mas também deixou a mensagem de que “é importante que a diplomacia não se faça na praça pública”.

No decorrer da cimeira, o Presidente de Angola referiu-se às mudanças inconstitucionalidade de governo, referindo Madagáscar e Guiné-Bissau” num discurso em que afirmou que falar da necessidade “do restabelecimento da ordem constitucional após a tomada do poder por meios inconstitucionais” não quer dizer “que ela fica restabelecida desde que os autores do golpe de Estado realizem eleições e se façam eleger”.

O Presidente de Cabo Verde, instado a comentar e dizer se concorda com a posição de João Lourenço, respondeu apenas que “o Presidente de Angola disse tudo”.

Falar de soluções negociadas para os conflitos, armados e outros, em África foi também tema num encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, adiantou João Maria Neves.

Lusa

Chefe da diplomacia europeia volta a rejeitar ideia de um exército europeu

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Conferência para a Segurança de Munique. 15 de Fevereiro de 2026. AFP - THOMAS KIENZLE

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, voltou a rejeitar a ideia da criação de um Exército europeu, que classificou como “pensamento ilusório”. Kaja Kallas defendeu, antes, o reforço das Forças Armadas dos países europeus.

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, disse, este domingo, na Conferência de Segurança de Munique, que a criação de um Exército europeu "é, de certo modo, neste momento, uma forma de pensamento ilusório" e apelou para que “não se perca tempo a falar de coisas novas” quando “o que é realmente urgente é reforçar os exércitos" dos diferentes países-membros da UE. Kaja Kallas defendeu que os Estados-membros devem reforçar-se militarmente para também fortalecer o pilar europeu na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

A chefe da diplomacia europeia já tinha manifestado anteriormente a sua rejeição à ideia de criar um Exército europeu, proposta defendida por países como Espanha.

As declarações foram feitas no último dia da Conferência de Segurança de Munique, onde estão mais de 60 líderes mundiais e cerca de 100 ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa.

No encontro, Kaja Kallas também afirmou que “ao contrário do que dizem alguns, a Europa não está ameaçada de um apagamento civilizacional”, uma alusão a recentes declarações de Donald Trump. Por outro lado, ela saudou a mudança de tom do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que, este sábado, defendeu “uma aliança revigorada” com a Europa, depois de meses de relações transatlânticas tensas devido, nomeadamente, às ameaças expansionistas de Donald Trump sobre a Gronelândia, um território autónomo que pertence à Dinamarca.

Por: RFI

Presidente brasileiro assina lei que distribuirá gás gratuito a 15 milhões de famílias


O presidente brasileiro, Lula da Silva, aprovou a criação de um programa - batizado de "Gás do Povo" - que garante o abastecimento gratuito de botijas de 13 kg a famílias vulneráveis, medida deverá beneficiar 50 milhões de pessoas.

O plano tem como objetivo combater a pobreza energética que afeta as famílias com menos recursos, atendendo especialmente às dificuldades de acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como 'gás de cozinha?.

O programa é destinado às pessoas inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), e os requerentes têm de comprovar um "rendimento por pessoa até metade do salário mínimo", informou a Presidência brasileira num comunicado divulgado pela Agência Brasil.

A execução da iniciativa envolverá os ministérios de Minas e Energia e de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, bem como a entidade financeira pública Caixa Económica Federal.

A presidência brasileira anunciou a acreditação de "10.000 pontos de venda em menos de dois meses" e que "um em cada seis revendedores de GLP do país ficou vinculado à iniciativa".

O Executivo brasileiro, que espera que o projeto - Lei n.º 15.348 - esteja totalmente operacional em março, estima que o programa alcance aproximadamente 15 milhões de famílias que cumpram os requisitos estabelecidos.

Por exemplo, qualquer família que pretenda aceder ao programa deverá ser previamente beneficiária do `Bolsa Família` com, pelo menos, dois membros e ter mantido o cadastro atualizado no CadÚnico nos últimos 24 meses.

As famílias requerentes vão poder verificar se cumprem os requisitos exigidos através de uma aplicação - 'Meu Social - Gás do Povo' -, na qual também terão acesso a dados relacionados com vales de recarga ou a localização de estabelecimentos autorizados, números de telefone e endereços.

Para quem não tem acesso à internet ou telemóvel, o programa permite a utilização do vale através do cartão `Bolsa Família` com chip, ou simplesmente através do fornecimento do número de identificação fiscal do responsável pela família no ponto de venda credenciado.

Lusa