O enfermeiro colocado no Hospital "Rui Djassi", em Empada, no sul do país, afirma que a elevada taxa de desnutrição registada na região deve-se, em parte, à mentalidade de algumas famílias, que atribuem maior importância aos alimentos importados, do que aos produtos alimentares produzidos localmente.
As declarações foram feitas durante uma ação de rastreio nutricional promovida pela Cáritas Diocesana de Bafatá, no âmbito do projeto de combate à subnutrição em crianças dos zero aos 59 meses. A iniciativa é implementada nas regiões de Bafatá, Gabú, Quinara e Tombali.
Durante uma visita às tabancas do setor de Empada, concretamente à localidade de Quidon, Idelfrides Jorge Mango defendeu que a sensibilização das comunidades é essencial para mudar comportamentos e contribuir para a redução dos índices de desnutrição na região.
"Uma das principais dificuldades que temos enfrentado está relacionada com a alimentação. Muitas famílias valorizam mais os alimentos importados do que os produtos produzidos localmente, o que acaba por afetar as crianças e contribuir para casos de desnutrição", afirmou o enfermeiro.
O profissional de saúde explicou ainda que, sempre que é identificada uma criança em situação de desnutrição, é desencadeado um conjunto de medidas que inclui a sensibilização da família, o encaminhamento da criança ao hospital e a entrega de um kit nutricional para apoiar a sua recuperação.
"Primeiro fazemos um trabalho de sensibilização junto da família. Em seguida, a criança é encaminhada ao hospital, onde recebe um kit nutricional para ajudar na sua recuperação e melhorar as suas condições de vida", destacou Idelfrides Jorge Mango.
O enfermeiro apontou também a diarreia infantil como um dos principais problemas de saúde pública na área sanitária de Empada, devido à escassez de água potável. Por isso, apelou à população para ferver a água antes de a consumir e armazená-la adequadamente, como forma de prevenir doenças de origem hídrica.
"Nesta área sanitária, um dos problemas mais frequentes é a diarreia, causada pela falta de acesso à água potável. Estamos a sensibilizar a comunidade para ferver a água antes do consumo e conservá-la em boas condições, de forma a prevenir doenças", apelou o enfermeiro do Hospital Rui Djassi.
De acordo com a UNICEF, cerca de 40% da população da Guiné-Bissau enfrenta dificuldades no acesso à água potável, uma realidade que afeta diretamente a saúde da população, sobretudo das crianças.
Importa referir que a Igreja Católica da Guiné-Bissau, através do Departamento de Saúde da Cáritas Diocesana de Bafatá, continua empenhada na implementação de ações destinadas à erradicação da subnutrição nas comunidades mais vulneráveis.
RSM 05 08 2026








