Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos. AP - Mark Schiefelbein
O Irão lançou mísseis contra Israel na madrugada de terça-feira, 24 de Março, poucas horas depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado existir um canal de diálogo com Teerão com vista ao fim da guerra, declarações desmentidas por Teerão que denuncia o fosso entre a retórica diplomática e a realidade no terreno.
Ontem, o Presidente dos Estados Unidos anunciou um adiamento por cinco dias de todos os ataques militares dirigidos às infra-estruturas energéticas iranianas. Segundo o próprio, a decisão surgiu na sequência de “discussões positivas” com o Irão, centradas numa eventual “cessação completa e total das hostilidades”. Donald Trump referiu ainda a existência de negociações com um responsável iraniano, cuja a identidade não foi revelado.
Contudo, o Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros rejeitou as afirmações e negou a existência de contactos ou qualquer acordo implícito sobre a suspensão de ataques, denunciando o fosso entre a retórica diplomática e a realidade no terreno.
Teerão que voltou a endurecer o tom, ameaçando lançar minas navais no Golfo Pérsico caso a costa iraniana seja atacada. As autoridades iranianas já tinham advertido que poderiam atingir infra-estruturas estratégicas no Médio Oriente e encerrar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, se as suas centrais eléctricas fossem alvo de ofensivas. Estas ameaças surgem como resposta directa a um ultimato previamente emitido por Washington.
Do lado israelita, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou que Israel continuará as operações militares no Irão e no Líbano, sublinhando a determinação do país em defender os seus “interesses vitais em todas as circunstâncias”.
Na noite de segunda-feira para terça-feira, Israel levou a cabo ataques aéreos contra os subúrbios do sul de Beirute. As forças armadas israelitas indicaram ter detectado vagas de mísseis lançados a partir do Irão em direcção ao seu território, agravando ainda mais o cenário de confronto directo.
Israel vai assumir controlo de uma área no sul do Líbano
O ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou que exército israelita que vai assumir o controlo de uma área no sul do Líbano, que se estende desde a fronteira até ao rio Litani, a cerca de 30 quilómetros (19 milhas) a norte, para garantir a sua segurança.
As forças israelitas estão a "manobrar dentro do território libanês para tomar uma linha de defesa avançada. As cinco pontes sobre o Litani que o Hezbollah utilizava para contrabandear terroristas e armas foram destruídas, e o exército vai controlar as restantes pontes e a zona de segurança até ao Litani", referiu.
Entretanto, a Guarda Revolucionária do Irão advertiu que Israel poderá enfrentar ataques “pesados” com mísseis e drones caso prossiga com acções contra civis no Líbano e na Palestina. Em comunicado, esta força, considerada o braço ideológico do regime iraniano, afirmou ter já avisado o “exército criminoso” israelita de que a continuação dessas operações terá consequências severas.
O conflito intensifica-se também no Líbano, onde Israel tem aumentado os seus ataques contra o Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerão, abrindo mais uma frente num cenário regional cada vez mais volátil.
ONU realiza reunião de emergência
O Conselho de Direitos Humanos da ONU vai realizar uma reunião de emergência na quarta-feira, 25 de Março, para discutir os ataques do Irão contra vários países do Golfo e o impacto nos direitos humanos na região, anunciou a ONU.
"Um grupo de países pretende apresentar uma resolução ao Conselho como parte deste debate urgente", disse o porta-voz do Conselho dos Direitos Humanos, Pascal Sim, numa conferência de imprensa em Genebra.
Este projecto de resolução aborda as "consequências para os direitos humanos do ataque perpetrado pela República Islâmica do Irão contra o Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia", acrescentou.
Por: RFI com AFP