sábado, 13 de junho de 2026

Sob o olhar das autoridades: PROSTITUIÇÃO A CÉU ABERTO E AUMENTO DO VIH/SIDA ALARMAM CIDADE GAGÚ


A prostituição a céu aberto, em troca de mil a dois mil francos CFA por ronda, e o aumento dos casos de VIH/Sida e tuberculose na cidade de Gabú constituem uma enorme preocupação para as organizações da sociedade civil e organizações juvenis. Estas acusam as autoridades e o poder tradicional de cumplicidade e criticam a sua passividade, em especial das autoridades, solicitando o encerramento urgente das áreas onde se pratica a prostituição a céu aberto em Gabú.

A região de Gabú, localizada a leste da Guiné-Bissau, a mais de 200 quilómetros da capital Bissau, é considerada a segunda maior capital económica do país, devido à dinâmica da sua atividade comercial. O aumento da atividade comercial na cidade deve-se também à sua posição geográfica, uma vez que faz fronteira com o Senegal, de um lado, e com a Guiné-Conacri, do outro — países com intensa atividade comercial.

A região serve como porta de entrada para mercadorias e para estrangeiros que entram no país em busca de melhores oportunidades, facto que, segundo as organizações da sociedade civil local, contribui para o aumento de certas práticas nefastas que não dignificam a região.

O aumento do fenómeno da prostituição, de acordo com ativistas sociais consultados, está na raiz do crescimento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis na região, bem como de casos da tuberculose.

Uma equipa de reportagem do nosso jornal esteve em Gabú, onde constatou a realidade da prostituição que afeta a região e representa uma ameaça à saúde pública. A prática de sexo a céu aberto em Gabú é visível e foi testemunhada pela nossa equipa, que interagiu com uma das trabalhadoras do sexo, a qual confidenciou o seu envolvimento na prática, afirmando que obteve ganhos que não a fazem arrepender-se.

Na cidade de Gabú, tudo parece acontecer de forma inversa: as mulheres prostituem-se a escassos metros do edifício do Governo Regional, sede da administração local, sem que tenham sido tomadas medidas eficazes para travar a situação. Por que se estão a prostituir? Esta é a questão que surge no contexto desta realidade, que envolve não apenas jovens vindas da vizinha Guiné-Conacri, mas também mulheres e raparigas da elite local, segundo testemunhos recolhidos.

TRABALHADORA DO SEXO CONFESSA QUE TRATA BEM OS CLIENTES E QUE, GRAÇAS A ESTE TRABALHO, CONSTRUIU CASA

Seja como for, a prática envolve nacionais. Nas comunidades, nas sociedades e nas mandjuandadis onde este grupo está inserido, há sinais de influência negativa. Se essa influência já afeta as raparigas nacionais, que tipo de sociedade temos e poderemos ter no futuro?

Uma fonte confidenciou ao jornal O Democrata que raparigas e mulheres de Gabú frequentam o local à noite e praticam sexo no chão, sobre cartolinas, sem proteção nem condições higiénicas, expondo-se ao risco de doenças.

Numa conversa com uma mulher que se identificou como trabalhadora do sexo, esta explicou que, após concluir o ensino secundário, tentou obter apoio para continuar os estudos, mas, sem sucesso, decidiu entrar na prostituição para garantir a sua sobrevivência.

Referiu que iniciou a atividade num espaço alugado, cobrando valores considerados razoáveis. Com o rendimento, sustentava-se a si própria e à família. Apesar da reprovação social, afirmou que continuou a exercer.

“Chamavam-me prostituta, mas, como não tinha outra forma de ganhar dinheiro, decidi continuar”, contou. Explicou ainda que o proprietário do local considerava baixo o valor que cobrava e tentou impor restrições.

“Achava que eu ganhava muito dinheiro. Quando começou a pressionar-me, decidi sair e procurar outro espaço, mas não foi fácil. Para não perder tempo, optei por este espaço público”, disse.

A trabalhadora explicou que, ao mudar-se para o espaço a céu aberto, alguns clientes resistiram, mas acabaram por aceitar.

Segundo ela, o preço base é de mil francos CFA, subindo para 1500 ou 2000 em períodos festivos ou eleitorais, quando a procura aumenta significativamente.

“Graças a esta atividade, consegui construir a minha casa e pagar os estudos do meu filho no estrangeiro”, afirmou.

Disse ainda que lidera um grupo de jovens que exercem a mesma atividade, lamentando que muitas não consigam poupar dinheiro.

“Gastam tudo no dia seguinte e só voltam ao trabalho quando o dinheiro acaba”, observou.

Criticou também a falta de preparação para o futuro: “Este trabalho não oferece garantias. É preciso poupar e investir noutras atividades.”

Questionada sobre a dinâmica do local, afirmou que consegue atender vários clientes por noite, muitas vezes em poucos minutos cada. Disse ainda que recusa convites para passar a noite com clientes por valores que considera baixos.

“ESTAMOS A ASSISTIR A UMA EXPOSIÇÃO SEXUAL GRATUITA EM GABÚ”, denunciou um dos confidentes de O Democrata

Fontes locais reforçam que existem diferentes modalidades de prostituição, incluindo formas mais discretas.

“Há prostituição em Gabú, mas o que vemos hoje é uma exposição sexual gratuita”, lamentou uma fonte.

Outro testemunho criticou as condições do local, descrevendo-o como degradante: “Sexo no chão, ao relento e sem dignidade.”

A reportagem constatou que o local não possui condições mínimas e que as atividades ocorrem frequentemente à vista de todos.

ATIVISTAS DENUNCIAM PRÁTICAS DE ATIVIDADES HOMOSSEXUAIS EM GABÚ

A responsabilidade social é apontada como inexistente, devido à falta de intervenção das autoridades, das forças de segurança e das organizações civis.

Informações indicam também há existência de prostituição masculina, associada a jovens, incluindo talibés repatriados do Senegal e de outros países vizinhos.

Preocupados com a situação, fontes de semenário guineense defendem a adoção urgente de medidas para travar a situação.

PONGAG ACUSA SOCIEDADE CIVIL E AUTORIDADES DE CUMPLICIDADE PELO SILÊNCIO

O secretário da PONGAG, Braima Baldé, acusou autoridades, sociedade civil e forças de segurança de cumplicidade pela inação.

“Estamos a normalizar esta prática”, afirmou, alertando para o risco sanitário.

Sublinhou que a chegada de estrangeiros pode agravar a situação, aumentando a vulnerabilidade da população. Alertou ainda para a falta de higiene no local e os riscos para a saúde pública.

LIGA DOS DIREITOS HUMANOS DE GABÚ PEDE ENCERRAMENTO DO LOCAL

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos em Gabú, Samba Só, pediu o encerramento imediato do espaço e a conclusão de infraestruturas básicas.

Segundo ele, o local apresenta condições insalubres e indignas e que o giverno deve agir com urgência.

“O Governo deve agir com urgência”, defendeu.

Por: Filomeno Sambú
odemocratagb

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