sábado, 23 de maio de 2026

Presidente do Senegal demite Primeiro-Ministro e todo o Governo



Divergências sobre governação e estratégia política levaram à demissão do PM Ousmane Sonko

O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, demitiu na noite de sexta-feira o Primeiro-Ministro Ousmane Sonko e todo o seu Governo, marcando uma rutura política no seio da liderança do País, dois anos após a chegada conjunta ao poder.

O anúncio foi feito através da Rádio e Televisão Senegalesa, num comunicado lido pelo secretário-geral da Presidência, Oumar Samba Ba, que confirmou a exoneração do chefe do Governo e de todos os ministros e secretários de Estado.

O executivo cessante mantém-se em funções apenas para a gestão de assuntos correntes, até à formação de um novo Governo, não tendo sido ainda indicado um substituto para o cargo de primeiro-ministro.

A decisão surge num contexto de crescente tensão entre o Presidente e o seu antigo aliado político. Nas últimas semanas, Bassirou Diomaye Faye admitiu a possibilidade de afastar Ousmane Sonko caso deixasse de existir confiança política entre ambos.

Pouco antes da exoneração, Sonko fez declarações polémicas no Parlamento, acusando o Ocidente de tentar “impor a homossexualidade ao resto do mundo”, num momento em que o País reforçou a legislação contra relações entre pessoas do mesmo sexo.

Figura central da oposição ao ex-Presidente Macky Sall, Sonko foi impedido de concorrer às eleições presidenciais de 2024, tendo apoiado a candidatura de Faye sob o lema “Diomayé é Sonko”, que acabou por vencer o escrutínio.

Nos últimos meses, divergências sobre governação e estratégia política agravaram o afastamento entre os dois líderes. Apesar de o Parlamento, dominado pelo partido de Sonko, ter recentemente aprovado alterações legais que facilitam uma eventual candidatura do ex-primeiro-ministro às presidenciais de 2029, o atual chefe de Estado também tem vindo a reforçar a sua base de apoio, alimentando um cenário de disputa política futura.

Após o anúncio da demissão, centenas de apoiantes de Sonko concentraram-se junto à sua residência para manifestar apoio ao antigo Primeiro-Ministro.
//opais.cv

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