Num contexto de fortes tensões entre os Estados Unidos e Cuba, o antigo Presidente cubano Raúl Castro foi acusado formalmente pelos Estados Unidos de conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de uma aeronave e homicídio nesta quarta-feira.
A 24 de Fevereiro de 1996, três aeronaves da organização "Brothers to the Rescue" descolaram do estado norte-americano da Florida para uma missão de rotina sobre o Estreito da Florida.
Em seis minutos, após levantar voo, dois deles foram abatidos por caças cubanos.
Quatro pessoas morreram: Armando Alejandre Jr, de 44 anos, Carlos Alberto Costa, de 29, Pablo Morales, de 29, e Mario Manuel de la Peña, de 24. Tinham todos nacionalidade norte-americana, à excepção de Pablo, que era cubano.
O terceiro avião, pilotado por José Basulto, acabou por conseguir escapar.
O antigo Presidente de Cuba, Raúl Castro, foi acusado formalmente pelos Estados Unidos, esta quarta-feira, 20 de Maio, devido ao papel que terá desempenhado no abate de dois desses três aviões civis, há 30 anos.
A Organização de Aviação Civil Internacional e a Organização dos Estados Americanos, sediada nos Estados Unidos, corroboraram essa versão e acusaram Cuba de violar o direito internacional.
No entanto, o Governo cubano manteve sempre a posição de que os aviões tinham sido abatidos em espaço aéreo de Cuba.
Nessa altura, Fidel Castro era o Presidente e o irmão Raúl Castro era o ministro das Forças Armadas.
O Governo de Cuba denunciou a acusação dos Estados Unidos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.
A resposta cubana “constituiu um acto de legítima defesa, amparado pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional de 1944 e pelos princípios de soberania aérea e proporcionalidade”, segundo uma declaração divulgada pelo executivo cubano.
A acusação contra Raúl Castro, de 94 anos, surge numa altura de crescente pressão da Administração de Donald Trump contra o Governo cubano, que inclui um bloqueio petrolífero imposto há cinco meses e a ampliação das sanções económicas contra a ilha. Donald Trump também já ameaçou “tomar o controlo” do país.
Por: Marco Martins com RFI

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