A 21.ª equipa médica chinesa na Guiné-Bissau realizou, na última sexta-feira, 22 de maio de 2026, consultas gratuitas na cidade de Gabú e pretende alargar os serviços básicos de saúde às áreas mais remotas do país.
Em entrevista ao jornal O Democrata, à margem do lançamento das consultas, o chefe da missão médica chinesa em Gabú, Yang Xingzhou, destacou que esta é a 21.ª equipa enviada à Guiné-Bissau e afirmou que, à chegada, foram bem recebidos pelos funcionários do Hospital Regional de Gabú.
“O povo de Gabú é acolhedor e amigável. Fomos muito bem recebidos pelos funcionários do hospital”, afirmou.
Durante pouco mais de duas horas de trabalho, os 12 médicos deslocados a Gabú realizaram consultas nas áreas de pediatria, cirurgia, medicina interna, medição da tensão arterial e da glicemia, além de acupunctura e tratamento da dor. O serviço de ecografia não funcionou por falta de equipamento disponível.
Yang Xingzhou assegurou que a equipa, proveniente da província de Sichuan, no sudoeste da China, está a planear levar serviços de saúde às regiões mais remotas da Guiné-Bissau, além de promover consultas gratuitas em oito regiões do país.
Por sua vez, o diretor clínico do Hospital Regional de Gabú, Iaia Bubacar Djaló, destacou a disponibilidade da equipa médica chinesa e os esforços no âmbito da cooperação no setor da saúde.
“Trata-se de um atendimento básico, focado na promoção e prevenção da saúde. Foi um gesto importante da equipa médica chinesa, que demonstrou coragem e determinação ao trabalhar com a população de Gabú. Gostaríamos que regressassem e ampliassem o tempo de missão”, afirmou.
Questionado sobre a situação do hospital, Iaia Bubacar Djaló reconheceu a existência de dificuldades, mas referiu melhorias progressivas graças ao apoio da direção regional e do Ministério da Saúde Pública.
“As dificuldades são muitas, mas aos poucos estamos a melhorar vários serviços”, garantiu.
Segundo o responsável, os casos mais frequentes no serviço de urgência são acidentes de motorizadas. Só na sexta-feira, 22 de maio, foram registados cinco casos, sendo o consumo excessivo de álcool e o desrespeito pelas regras de trânsito apontados como principais causas. Um dos feridos encontra-se em estado grave no Hospital Nacional Simão Mendes.
O hospital registou ainda, em 2026, um caso de raiva envolvendo uma criança de 8 anos mordida por um cão numa zona rural. A criança deu entrada no hospital a 4 de fevereiro, mas acabou por falecer.
No que diz respeito à saúde materna, o diretor clínico alertou para a má alimentação das grávidas, associada à pobreza extrema e à falta de diversificação alimentar.
“É necessário reforçar o trabalho na vertente nutricional, com o envolvimento da comunidade, dos técnicos e do Ministério da Saúde. Uma dieta baseada frequentemente em ‘futi’ não fornece os nutrientes necessários”, criticou.
Iaia Bubacar Djaló alertou ainda para o agravamento dos casos de VIH/SIDA e tuberculose em Gabú. Atualmente, o hospital tem mais de vinte pacientes internados com tuberculose confirmada, além de outros em tratamento ambulatório.
Relativamente à tuberculose, defendeu uma ação urgente e coordenada entre as autoridades sanitárias e o Ministério da Saúde Pública. Sobre os casos de VIH/SIDA, preferiu não divulgar números, invocando sigilo profissional.
Por: Filomeno Sambú
odemocratagb.

Sem comentários:
Enviar um comentário