A diretora do Serviço de Enfermagem do Hospital Militar Público (HMP), Sayonara da Moura Bento de Carvalho, afirmou que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) está a ser implementada pela primeira vez na Guiné-Bissau, tendo o Hospital Militar como projeto-piloto desta iniciativa.
“A Sistematização da Assistência de Enfermagem é um instrumento científico que organiza, dá visibilidade ao trabalho da enfermagem e qualifica a assistência prestada aos pacientes”, explicou a responsável, em entrevista exclusiva ao jornal O Democrata. Acrescentou que o Hospital Amizade Sino-Guineense também integra o projeto como campo de pilotagem a nível nacional.
SAE OFERECE MAIS QUALIDADE DE FORMA EFICIENTE E EFICAZ
Segundo Sayonara, a sistematização consiste num conjunto de protocolos que organizam e padronizam os cuidados de enfermagem. Para a sua aplicação, são necessários formulários específicos, instrumentos padronizados e materiais básicos para aferição de sinais vitais, como aparelhos de medição da pressão arterial e termómetros.
Afirmou que a implementação da SAE visa essencialmente padronizar o atendimento, oferecendo mais qualidade de forma eficiente e eficaz, evitando práticas baseadas apenas em métodos individuais. Destacou ainda a necessidade de garantir uma aplicação rigorosa dos protocolos, como forma de melhorar o atendimento.
Questionada sobre as vantagens do sistema para os pacientes, explicou que a SAE assegura qualidade, padronização e maior autonomia profissional, traduzindo o raciocínio clínico em “ações mensuráveis” e reforçando a identidade institucional.
“Os enfermeiros passarão a atuar orientados pela sistematização da assistência, deixando de depender apenas da perceção individual sobre o que deve ser feito”, sublinhou.
Acrescentou que, atualmente, é comum familiares assumirem tarefas como alimentação e higiene dos pacientes, muitas vezes sem conhecimento adequado. Com a implementação da SAE, estas funções passarão a ser desempenhadas pelos enfermeiros, garantindo maior qualidade e segurança nos cuidados.
HOSPITAL CAPACITA TÉCNICOS COM FORMAÇÃO ESPECÍFICA
Sayonara explicou que a introdução do sistema procura melhorar o atendimento e criar uma nova dinâmica na instituição, podendo resultar no aumento da procura pelos serviços de saúde.
“Garantimos que a nossa equipa está preparada para responder a esta nova dinâmica”, assegurou.
Indicou ainda que o Hospital Militar Principal é atualmente a única unidade a servir de piloto, em parceria com a Ordem dos Enfermeiros, que já havia elaborado um plano estratégico para a implementação da SAE a nível nacional.
Devido a entraves anteriores, o projeto não avançou, tendo o HMP assumido a iniciativa como projeto-piloto. No futuro, a implementação poderá ser alargada a todo o país.
A responsável destacou que a equipa foi previamente capacitada para o sistema, salientando que se trata de uma reorganização baseada em protocolos científicos.
“Não se trata de algo totalme
nte novo, mas de uma padronização orientada pela ciência”, afirmou.
Defendeu igualmente a inclusão da SAE nos currículos de formação académica, para garantir que os futuros profissionais adquiram conhecimentos prévios sobre o sistema.
Relativamente às reclamações sobre alegadas irregularidades no atendimento, esclareceu que o hospital não segue a ordem de chegada, mas sim critérios de prioridade clínica.
ENFERMAGEM É ESSENCIAL PARA A SAÚDE PÚBLICA
Sayonara explicou que os pacientes são classificados por cores na triagem: verde (estável), laranja (urgência moderada) e vermelho (urgência grave). Segundo disse, o desconhecimento deste sistema leva muitos utentes a interpretarem o tempo de espera como desigualdade no atendimento.
A fase piloto da SAE teve início no dia 6 de maio, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Enfermagem, não estando ainda definida a data do seu término.
A diretora destacou o papel dos enfermeiros como pilares do sistema de saúde, responsáveis por coordenar cuidados, garantir a segurança dos pacientes e promover a educação para a saúde.
“Os enfermeiros são o elo entre a ciência e o cuidado”, afirmou.
Defendeu ainda a valorização profissional da classe, considerando que a remuneração não corresponde à importância do trabalho desempenhado, além de denunciar a existência de preconceitos e discriminação.
Por fim, apelou à sociedade para que respeite e valorize os enfermeiros, reconhecendo o seu esforço e dedicação.
Por Jacimira Segunda Sia
odemocratagb.

Sem comentários:
Enviar um comentário