O ministro dos Recursos Naturais, Júlio Mamadu Baldé, defendeu a necessidade urgente de reabilitar cerca de oitocentos furos de água que, neste momento, necessitam de intervenção “muito urgente”, sob pena de causar um grande impacto na vida da população.
O governante falava esta quarta-feira, 20 de maio de 2026, na cerimónia de abertura da reunião do Grupo de Coordenação do Setor de Água, Saneamento e Higiene (GAS), onde alertou que, caso o problema de acesso à água não seja resolvido, poderá surgir uma “situação de desigualdade muito acentuada entre raparigas e rapazes”.
O encontro reuniu representantes de instituições governamentais, parceiros técnicos e financeiros, organizações da sociedade civil e outros atores relevantes do setor, com o objetivo de reforçar a coordenação, identificar prioridades e definir mecanismos de funcionamento do GAS.
Júlio Baldé reconheceu que os desafios no setor da água e saneamento são extremamente críticos e sublinhou a importância de um compromisso firme por parte do Governo da Guiné-Bissau.
O ministro destacou ainda a necessidade de uma plataforma eficaz de coordenação, capaz de alinhar ações e políticas e evitar intervenções isoladas no terreno, o que, segundo afirmou, “permitirá alcançar resultados sustentáveis”.
Sublinhou também que o setor de água e saneamento sempre foi estratégico para o país. Recordou que, entre as décadas de 1980 e 1990, a Guiné-Bissau beneficiou de fortes investimentos, tendo conseguido implementar políticas que resultaram na construção de mais de dez mil infraestruturas de água potável, tanto em Bissau como nas zonas rurais, grande parte delas equipadas com bombas manuais.
Por sua vez, a representante residente da UNICEF — Fundo das Nações Unidas para a Infância —, Sandra Martins, defendeu que o acesso à água segura, ao saneamento adequado e à higiene de qualidade só é possível com um setor organizado, funcional e alinhado em torno de prioridades comuns.
No seu discurso, considerou que a reativação da plataforma de coordenação e concertação dos parceiros, sob liderança do Ministério dos Recursos Naturais, constitui um passo fundamental para o fortalecimento do setor na Guiné-Bissau.
Sandra Martins sublinhou que o GAS representa um espaço essencial de concertação entre os diferentes intervenientes, permitindo reforçar a coordenação, promover a partilha de experiências, melhorar a monitorização das intervenções e alinhar as ações desenvolvidas em benefício das populações.
Num contexto marcado por desafios climáticos, limitações institucionais e orçamentais, bem como pelo aumento das necessidades da população, a responsável defendeu que é essencial reforçar os mecanismos de coordenação entre o Governo, os parceiros e as comunidades.
Garantiu ainda que a UNICEF, enquanto parceiro tradicional da Guiné-Bissau no setor de água, saneamento e higiene, continua empenhada em apoiar o reforço da governação do setor.
Para a organização, destacou Sandra Martins, é fundamental assegurar uma boa coordenação, uma vez que o setor “tem impacto direto na sobrevivência e no desenvolvimento da criança”.
“O défice de acesso a serviços de água segura em casa, nas escolas e nos centros de saúde contribui para a desnutrição e o absentismo escolar de milhões de crianças”, advertiu, defendendo uma governação coordenada e responsável do setor.
Por fim, expressou a expectativa de que a reativação do GAS contribua para o fortalecimento de outros mecanismos importantes de coordenação, como o Comité Técnico da Água e o Comité Interministerial da Água.
Por: Carolina Djemé
odemocratagb

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