Bissau, 21 de Maio de 2026 – O Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Dr. Ilídio Vieira Té, afirmou esta Quinta-feira que o futuro da estabilidade política, da paz social e do desenvolvimento nacional depende diretamente da capacidade do país de integrar a juventude no centro das políticas públicas, da economia e da governação.
A declaração foi feita durante a abertura oficial do “Diálogo Nacional de Juventude e Governo de Transição”, promovido pela Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ), que reúne em Bissau cerca de 500 jovens provenientes de diferentes regiões do país.
No seu discurso, o Chefe do Governo destacou a forte mobilização juvenil como prova de que “a juventude guineense não quer ser apenas espectadora da história nacional”, mas sim participar ativamente na construção do futuro da Guiné-Bissau.
“Quer participar. Quer decidir. Quer construir. E o Governo de Transição reconhece plenamente essa legitimidade”, declarou.
Ilídio Vieira Té reconheceu que os jovens continuam a enfrentar enormes desafios estruturais, entre os quais o desemprego, a precariedade social, a falta de oportunidades, as dificuldades de acesso à educação de qualidade e à formação profissional, bem como a limitada participação nos processos de decisão.
Segundo o Primeiro-Ministro, ignorar estas dificuldades representa um risco para o futuro do país.
“Um país que abandona a sua juventude está, na prática, a comprometer o seu próprio futuro”, advertiu.
O Chefe do Executivo defendeu igualmente que a estabilidade nacional não poderá ser alcançada apenas através de entendimentos políticos entre elites, sublinhando que “a verdadeira estabilidade constrói-se quando os jovens acreditam no país, sentem que têm futuro e encontram oportunidades para trabalhar, estudar, empreender e viver com dignidade”.
Durante a intervenção, o Primeiro-Ministro insistiu na necessidade de transformar o diálogo em resultados concretos, afirmando que o Governo pretende recolher propostas sérias e realizáveis em áreas prioritárias como emprego juvenil, empreendedorismo, educação, formação técnico-profissional, transformação digital, participação política, cultura, desporto, cidadania, paz social e desenvolvimento sustentável.
“O Governo compromete-se a analisar com seriedade as conclusões deste diálogo e a transformá-las, progressivamente, em instrumentos de políticas públicas”, assegurou.
Ilídio Vieira Té sublinhou ainda que a juventude guineense possui talento, criatividade e enorme capacidade de resiliência, defendendo que o principal desafio do país consiste em criar oportunidades, reforçar a confiança institucional e apoiar iniciativas empreendedoras juvenis.
Ao mesmo tempo, advertiu que nenhum Governo conseguirá sozinho resolver todos os problemas da juventude, apelando a um esforço coletivo envolvendo famílias, escolas, organizações juvenis, autoridades religiosas e tradicionais, setor privado, parceiros internacionais e a própria juventude.
Na parte final do discurso, o Primeiro-Ministro apelou aos jovens para continuarem a defender a paz, o diálogo, a unidade nacional e os valores democráticos, rejeitando qualquer forma de violência ou divisão política, étnica ou religiosa.
“A juventude deve ser a principal força de reconciliação, modernização e transformação positiva da Guiné-Bissau”, afirmou.
O “Diálogo Nacional de Juventude e Governo de Transição” decorre nos dias 22 e 23 de Maio e visa produzir um documento consolidado de recomendações políticas destinadas a reforçar a participação juvenil na governação e na construção da estabilidade nacional.

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