Em reação ao comunicado do Governo de Cabo Verde, divulgado na terça-feira, 14 de julho de 2026, o Conselho Nacional de Transição (CNT) afirmou que a participação daquele país na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) não lhe confere autoridade política para influenciar decisões regionais.
Num comunicado divulgado esta quarta-feira, 15 de julho, o CNT criticou duramente a posição assumida pelo Governo cabo-verdiano, classificando-a como resultado de uma “orientação ideológica” do executivo.
“Este país está a confundir posições partidárias com a ação diplomática do Estado”, lê-se na nota a que o jornal O Democrata teve acesso.
No documento, o Conselho Nacional de Transição acusa o Governo de Cabo Verde de interferir nos assuntos internos da Guiné-Bissau e anuncia o “congelamento prático” das relações com o executivo cabo-verdiano.
“O Governo cabo-verdiano não possui legitimidade para fazer comentários sobre processos políticos e judiciais na Guiné-Bissau”, sublinha o CNT, acrescentando que qualquer tentativa de exigir a libertação de atores políticos constitui “uma ingerência na soberania nacional”.
As autoridades de transição acusam ainda o Governo cabo-verdiano de conduzir uma política externa alinhada com interesses portugueses e europeus, alegando que o executivo atua sob influência externa e não em defesa dos interesses africanos.
O CNT faz igualmente referência a alegados processos judiciais envolvendo figuras políticas em Cabo Verde e aconselha o executivo daquele país a concentrar-se nos seus próprios desafios internos antes de comentar questões relacionadas com a justiça guineense.
Apesar do agravamento das tensões diplomáticas, o Conselho Nacional de Transição defendeu a manutenção dos laços históricos entre os povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
“O CNT faz questão de distinguir o Governo do povo cabo-verdiano”, refere a nota, destacando o papel desempenhado por combatentes guineenses na luta pela independência de Cabo Verde e defendendo que essa história comum deve ser preservada e respeitada.
Por fim, o Conselho Nacional de Transição recorda acontecimentos ocorridos entre 1973 e 1980, mencionando alegações de violações dos direitos humanos e defendendo que muitas famílias guineenses continuam à procura dos restos mortais de familiares desaparecidos durante esse período.
Por: Filomeno Sambú
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