O chefe da 21.ª missão médica chinesa na Guiné-Bissau, Yang Xingzhou, afirmou que a maioria dos pacientes atendidos no Hospital Regional de Biombo, com sede em Quinhamel, apresenta dores e lesões musculares crónicas. Apesar disso, garantiu que a equipa trabalhará de forma integrada, avaliando cada caso em conjunto, para oferecer serviços eficazes aos pacientes no país.
Yang Xingzhou fez estas declarações em entrevista ao jornal O Democrata, no âmbito das consultas médicas gratuitas que a missão está a realizar em diferentes zonas da Guiné-Bissau, incluindo o Hospital Militar e o Hospital Regional de Canchungo.
Além das patologias associadas às dores e lesões musculares crónicas, o responsável referiu que alguns pacientes apresentaram casos mais raros que exigiam pequenas cirurgias. No entanto, nenhuma intervenção cirúrgica foi realizada devido à falta de equipamentos. Esses pacientes foram imediatamente transferidos para o Hospital Militar, onde seriam atendidos por especialistas.
A 21.ª equipa médica chinesa, instalada no Hospital Regional de Canchungo e no Hospital Militar, em Bissau, deslocou-se no dia 26 de junho de 2026 à cidade de Quinhamel. A delegação integrou especialistas de diversas áreas, incluindo pediatria, cirurgia, medição da tensão arterial, controlo de glicemia, acupuntura, tratamento tradicional da dor, medicina interna, ecografia, maternidade, radiologia e anestesia.
“Trabalhamos de forma integrada, avaliando cada passo em conjunto para oferecer serviços eficazes aos pacientes”, frisou Yang Xingzhou.
Questionado sobre a razão da mobilização conjunta de médicos de Canchungo e do Hospital Militar para estas consultas gratuitas, o chefe da missão explicou que, embora a equipa esteja dividida entre dois pontos (Canchungo e Bissau), os profissionais atuam sempre em coordenação, reunindo-se sempre que se deslocam a diferentes regiões do país.
Por sua vez, Nadje dos Santos Cambanque Sanca, representante do Hospital Regional de Biombo, com sede em Quinhamel, manifestou satisfação com a iniciativa, destacando a grande adesão da população.
“É com muita satisfação que recebemos a brigada médica chinesa no nosso centro. A população também demonstrou grande entusiasmo. Atendemos pacientes com diversos problemas, especialmente dores crónicas, casos tratados com acupuntura e dermatologia. Apenas os casos cirúrgicos não foram tratados aqui, mas receberam orientação e serão transferidos para o Hospital Militar. No entanto, todos os casos clínicos tiveram resposta”, afirmou.
Segundo a responsável, os critérios para as consultas gratuitas foram rigorosamente cumpridos, graças ao trabalho dos técnicos de saúde e dos Agentes de Saúde Comunitária (ASC), que realizaram a triagem e encaminharam os pacientes para as respetivas especialidades.
Acrescentou ainda que, embora os serviços prestados pelos técnicos locais sejam semelhantes no dia a dia, a elevada adesão deveu-se ao carácter gratuito das consultas.
“Se um paciente precisar de um serviço que não temos aqui, encaminhamos para especialistas de outros hospitais”, explicou, sublinhando a necessidade de prolongar a duração das consultas, sobretudo para atender a população em situação de vulnerabilidade.
Francisco Sá, um dos primeiros pacientes atendidos, que recebeu tratamento com base na medicina tradicional chinesa (acupuntura), relatou que sentiu alívio, apesar da breve duração do atendimento.
“Eu sofria de dores crónicas no pescoço, que me têm afetado bastante. Um familiar enviou-me medicamentos e pomadas, mas as dores persistem. Quando pioram, sou obrigado a deitar-me no chão”, contou.
O paciente afirmou que sofre dessas dores há cerca de um ano, devido ao trabalho no campo, e mostrou-se esperançoso quanto à eficácia do diagnóstico recebido. Aproveitou ainda para pedir maior presença da missão médica chinesa em Quinhamel.
A 21.ª missão médica chinesa, liderada por Yang Xingzhou, é oriunda da província de Sichuan, no sudoeste da China. A equipa já havia realizado consultas gratuitas no país durante o mês de maio.
Por: Filomeno Sambú
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