A China anunciou nesta segunda-feira ter efectuado hoje um ensaio de lançamento de "mísseis estratégicos" sem ogiva nuclear no Pacífico a partir de um submarino, uma operação que suscitou reacções de condenação de vários países da região.
Foi a primeira vez em quatro décadas que Pequim realizou um teste deste tipo em águas internacionais, mas este não foi o primeiro disparo efectuado por este país com este tipo de engenho. Já em Setembro de 2024, Pequim já tinha lançado um míssil balístico intercontinental para o Pacífico, novamente sem ogiva nuclear
"Um submarino estratégico com propulsão nuclear e lançador de engenhos" realizou na segunda-feira, 6 de Julho, às 12h01 (04h01 GMT), o teste de lançamento de um "míssil estratégico equipado com uma ogiva de treinamento de carga simulada, em direcção às águas internacionais do Pacífico", informou a marinha chinesa, sem indicar a localização exacta.
"Uma notificação prévia foi enviada aos países em questão (...) Este tiro não visa nenhum país nem nenhum alvo específico", ressaltou.
Apesar de indicar ter sido informado, o governo da Nova Zelândia, lamentou que o teste tenha sido realizado apenas "horas" após o aviso chinês.
"O Pacífico é um oceano de paz e estamos profundamente preocupados com os testes da China de armas nucleares no Pacífico Sul", acrescentou ainda Wellington.
A Austrália que acaba precisamente hoje de assinar com as Ilhas Fiji um importante tratado de defesa mútua para tentar conter a crescente influência chinesa no Pacífico Sul, classificou o teste efectuado por Pequim como sendo "desestabilizador para a região".
No mesmo sentido, o Japão expressou a sua "profunda preocupação com a intensificação das actividades militares da China".
Em Taiwan, o Conselho de Assuntos Continentais, responsável pelas relações com Pequim, considerou que esta iniciativa chinesa "agrava as tensões na região e compromete a paz e a estabilidade regionais".
Pequim justifica contudo que o disparo foi "realizado em condições de segurança, de forma regulamentada e profissional".
Por sua vez, o principal aliado da China, a Rússia, argumentou que "é o direito soberano da China testar os seus mísseis (...). A China não ameaça ninguém no mundo".
Em declarações jornalistas, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin também esclareceu antecipadamente que os exercícios navais anuais iniciados nesta segunda-feira pelas marinhas chinesa e russa, ao largo de Qingdao, grande porto militar e balneário do leste da China, não ameaçam "nenhum estado da região".
No âmbito destas manobras denominadas "Joint Sea-2026" que decorrem até ao dia 13 de Julho, os dois países referem que irão realizar exercícios de reconhecimento, defesa aérea e antimíssil, bem como tiro de treinamento com munições reais.
Organizados anualmente desde 2012, desconhece-se se estes exercícios militares terão algum elo com o disparo de míssil efectuado hoje pela China.
O que se sabe é que esta iniciativa chinesa acontece num contexto em que Pequim tem vindo a reforçar as suas capacidades militares em sintonia com o seu desenvolvimento económico e peso diplomático.
De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Estocolmo para a Investigação da Paz (SIPRI), em 2025, a China tinha 600 armas nucleares, mais 100 do que em 2024.
Os Estados Unidos, que possuem 3.700 armas deste tipo segundo o SIPRI, acusam regularmente o exército chinês de querer reforçar significativamente o seu arsenal.
Por: RFI com AFP

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