quinta-feira, 16 de julho de 2026

Cabo Verde: MPD defende demissão do Primeiro-Ministro Francisco Carvalho



O presidente do Partido Africano da independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho. © LUSA - LUÍS FONSECA

Praia – Em Cabo Verde, o MPD defende a demissão do Primeiro-Ministro para responder ao processo judicial e evitar a associação do caso com a imagem do governo. Isto enquanto Francisco Carvalho caracteriza o despacho de acusação do Ministério Público como uma tentativa de golpe de Estado disfarçado da oposição.

Após ser acusado de 26 crimes pelo Ministério Público, enquanto liderava a Câmara Municipal da Praia, o Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho reagiu acusando sectores da oposição de estarem a tentar criar um clima de instabilidade política em Cabo Verde para contornar o resultado das eleições:

Antes das eleições, muitos ouviram deste grupo radical que era preciso parar Francisco Carvalho. O povo respondeu a este, custe-o-que-custar, de forma clara nas urnas. Agora, alguns aparecem querer continuar essa mesma estratégia por outras vias. O que estamos a ver é uma tentativa de golpe de Estado disfarçado de oposição.

Por sua vez, o presidente interino do MpD, Eurico Monteiro, defendeu a substituição de Francisco Carvalho por novo primeiro-ministro sem necessidade de eleições legislativas antecipadas:

Acho que é esta atitude que, do ponto de vista ético, moral, mas também da defesa dos interesses do país, deve ser tomada pelo actual, portanto, primeiro-ministro.

E criando, digamos assim, espaço para se encontrar soluções constitucionais no quadro das eleições válidas, já realizadas e assumidas por todos. Não desejamos e nem defendemos eleições antecipadas.

Por seu turno, o secretário-geral do PAICV, Vladimir Silves Ferreira, disse que o primeiro-ministro Francisco Carvalho tem sido alvo de “assédio judicial permanente” e manifestou preocupação com alegadas tentativas de instrumentalização de processos judiciais para fins políticos, considerando que a situação compromete a estabilidade institucional e prejudica a imagem e a credibilidade do país.

Por: Odair Santos
rfi.fr/pt/

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