domingo, 12 de julho de 2026

Mais de 30 moçambicanos vivem ao relento na fronteira com a África do Sul

Fronteira de Ressano Garcia, Moçambique. 30 de Junho de 2026. © Orfeu Lisboa/ RFI

Mais de 30 cidadãos moçambicanos vivem ao relento há quase um mês junto à fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo e junto à África do Sul. Fugiram dos ataques xenófobos e estão sem meios para seguirem as suas zonas de origem, outros ainda porque perderam o contacto com a família.

Estes cidadãos, na sua maioria legalmente estabelecidos na África do Sul, contam, sem gravar entrevista, que perderam tudo o que conquistaram ao longo de anos de trabalho no país vizinho. Entretanto, o administrador do distrito da Moamba, Carlos Mussanhane, garante que tudo está a ser feito para apoiar os regressados, mas lamenta tudo o que está a acontecer.

"Temos cidadãos que saíram de Mocambique em 1970,1980 que já não sabem o que é que significa o lugar em que eles viviam. Estamos neste momento com dois idosos a nível do distrito que só sabem que são do bairro 25 de Junho mas onde exactamente não sabem, então estamos a dar o suporte para podermos localizar as famílias, mas temos consciência que vamos receber ainda mais", deu conta o administrador do distrito da Moamba.

Dos relatos que lhe têm chegado, diz Carlos Mussanhane, a situação na África do Sul está crítica. "É triste saber que alguém estava a dormir e alguém chegou, tirou-o da cama e disse desapareça do meu país. Temos alguém que estava a tomar um banho que nem teve tempo nem para vestir a roupa. Não sei se estão a imaginar o que é um homem ou uma mulher saírem nus a correr porque alguém os está a mandar embora só porque entende que lhes estão a roubar o emprego", disse ainda.

Contudo, não à retaliação aos atos xenófobos é a palavra de ordem das autoridades governamentais moçambicanas.

A violência xenófoba já matou 11 moçambicanos, segundo dados oficiais. Outros dois cidadãos ficaram gravemente feridos num ataque armado, na passada terça-feira, na província sul-africana de Gauteng, associado à violência contra imigrantes. Há também registo de 1.363 cidadãos moçambicanos que já foram repatriados.

Por: Orfeu Lisboa
rfi.fr/pt/

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