sexta-feira, 10 de julho de 2026

Fernando Dias adverte militares sobre eventual responsabilização por alegado golpe de Estado



Fernando Dias da Costa, candidato às eleições presidenciais de novembro de 2025, advertiu o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança e da Ordem Pública de que os seus membros poderão vir a responder judicialmente, no futuro, pelo alegado golpe de Estado de 26 de novembro do ano passado, que terá resultado na anulação das eleições gerais.

“O Comando Militar fez um golpe de Estado. Hoje, o vosso Governo e o vosso tribunal querem prender Domingos Simões Pereira, acusando-o de tentativa de golpe de Estado. Mas foi o próprio Comando Militar que protagonizou o golpe que anulou as eleições presidenciais. Por isso, não podiam admitir esta manobra de prender Domingos”, afirmou o político.

Dias da Costa advertiu ainda que as medidas atualmente adotadas poderão abrir caminho para que os próprios membros do Comando Militar sejam julgados, no futuro, pelos acontecimentos de 26 de novembro de 2025, que culminaram na anulação do processo eleitoral.

“Julgamento de Domingos Simões Pereira tem motivação política”, diz Fernando Dias

O candidato presidencial fez estas declarações através de um vídeo publicado na quinta-feira, 9 de julho, na sua página oficial na rede social Facebook, reagindo às informações sobre a tentativa de prisão do líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.

A reação surge após a decisão do juiz de instrução criminal de voltar a convocar Domingos Simões Pereira para uma audição na manhã desta sexta-feira, 10 de julho, sessão durante a qual poderá ser apreciada a aplicação da medida de prisão preventiva.

Na sua comunicação, Fernando Dias da Costa denunciou o que considera ser uma tentativa de encarcerar Domingos Simões Pereira com base em alegações de envolvimento numa suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2025.

“Falou-se de uma tentativa de golpe em que um dos suspeitos terá afirmado que Domingos lhe telefonou. O que ouvimos de Alexandre é que ele pretendia enganar Domingos para obter dinheiro, mas este acabou por perceber a situação, não acreditou na história e recusou entregar qualquer quantia”, declarou.

O dirigente político questionou igualmente o tribunal e o Comando Militar sobre a alegada existência dos 300 milhões de francos CFA que, segundo as acusações, teriam sido disponibilizados por Domingos Simões Pereira para financiar a tentativa de golpe de Estado.

“Todos ouvimos o suspeito afirmar publicamente que não recebeu qualquer dinheiro de Domingos Simões Pereira, porque este descobriu a alegada fraude e recusou entregar-lhe qualquer montante”, sublinhou.

Fernando Dias da Costa apelou ainda aos juristas responsáveis pela condução do processo para que atuem com rigor, lembrando que o caso continua em fase de investigação.

Dirigindo-se aos militares, aconselhou-os a não permitirem a sua instrumentalização por interesses políticos nem a aceitarem qualquer ação que possa conduzir ao julgamento ou prisão de Domingos Simões Pereira por motivações políticas.

“Esta vontade de prender Domingos está ligada a questões políticas. Por isso, os militares devem afastar os políticos dos quartéis e não permitir a sua instrumentalização”, alertou.

O político defendeu que qualquer disputa política deve ser resolvida através da força do voto popular e não por meio da intervenção militar.

“Se alguém acredita que tem força política, deve enfrentar Domingos através do apoio do povo e não recorrendo aos militares ou às armas para combater adversários políticos”, afirmou.

Por fim, considerou que os militares estão a ser utilizados contra os interesses da população e questionou as razões para a atuação contra o líder do PAIGC.

“Não compreenderam que estão a ser usados e que estão a agir contra o povo. O que é que Domingos vos fez? Hoje, Domingos, enquanto civil, está a ser julgado num tribunal militar, contrariamente ao que a lei prevê”, criticou.

Por: Assana Sambú
odemocratagb.

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