quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Ziguinchor acolhe doentes da Guiné-Bissau, mas sem convenção assinada para reduzir custos

O Hospital Regional de Ziguinchor, no sul do Senegal, continua a receber um número significativo de pacientes provenientes da Guiné-Bissau em diversas especialidades médicas. No entanto, a ausência de uma convenção entre os dois países para a cobertura dos cuidados de saúde faz com que os cidadãos guineenses paguem valores superiores aos cobrados aos senegaleses.

A revelação foi feita por Maïmouna Niass, diretora administrativa e financeira e diretora interina do Hospital Regional de Ziguinchor, durante uma entrevista concedida aos enviados especiais do jornal O Democrata ao Senegal.

Segundo a responsável, os cidadãos guineenses recorrem regularmente aos diferentes serviços da instituição, especialmente nas áreas de pediatria, neurocirurgia, ortopedia, maternidade e neurologia.

“Em todos os serviços há pacientes guineenses. Eles são numerosos”, afirmou, acrescentando que não dispõe de dados mensais consolidados devido à distribuição dos pacientes pelas várias especialidades.

Apesar da forte procura por parte dos cidadãos da Guiné-Bissau, Niass sublinhou que o hospital não faz distinção entre nacionais e estrangeiros no acesso ao atendimento médico.

“A vocação do hospital é tratar os pacientes. Não fazemos distinção entre um senegalês e um guineense. Como estabelece a CEDEAO, existe livre circulação. A missão dos médicos e do hospital é prestar cuidados, aliviar o sofrimento dos pacientes e oferecer serviços de qualidade acessíveis a todos”, declarou.

Os pacientes guineenses têm acesso ao mesmo leque de serviços disponíveis para os cidadãos senegaleses, incluindo consultas especializadas, medicamentos, exames de imagiologia e análises laboratoriais.

Entre as especialidades oferecidas pelo Hospital Regional de Ziguinchor destacam-se urgência, reanimação, imagiologia, cardiologia, ortopedia-traumatologia, neurocirurgia, neurologia, pediatria, oftalmologia, dermatologia e laboratório.

Diferença de preços devido à falta de convenção

Embora o acesso aos cuidados seja assegurado sem discriminação, a responsável explicou que existe uma diferença nos custos suportados pelos pacientes.

Segundo Niass, não existe atualmente qualquer convenção específica entre a Guiné-Bissau e o Senegal, nem entre o Hospital Regional de Ziguinchor e outro país, que permita garantir mecanismos de cobertura financeira para cidadãos estrangeiros.

“Existe uma diferença no que diz respeito à cobertura financeira dos cuidados médicos. O valor pago pelos senegaleses é diferente daquele pago pelos guineenses”, explicou.

De acordo com a diretora interina, a diferença ronda os cinco mil francos CFA e está relacionada com os desafios financeiros enfrentados pela instituição.

“A situação financeira do hospital obriga-nos a adotar determinadas medidas para assegurar o funcionamento dos serviços”, justificou.

Hospital enfrenta dificuldades financeiras

Questionada por O Democrata sobre a existência de apoios sociais ou mecanismos de gratuitidade destinados aos cidadãos guineenses, Niass admitiu que o hospital atravessa dificuldades que limitam a concessão desse tipo de benefício, inclusive aos próprios senegaleses.

“É um pouco complicado falar de subvenções. Atualmente, o hospital enfrenta dificuldades financeiras. É difícil, inclusive para os próprios senegaleses, conceder esse tipo de apoio”, afirmou.

A responsável acrescentou que alguns programas de gratuitidade foram suspensos devido a problemas relacionados com reembolsos e recuperação financeira, tornando ainda mais difícil a criação de benefícios específicos para pacientes estrangeiros.

Apesar das limitações, garantiu que o Hospital Regional de Ziguinchor continuará aberto aos cidadãos da Guiné-Bissau e dos restantes países da sub-região.

“Estamos sempre disponíveis para receber os pacientes e prestar-lhes assistência”, assegurou.

Construído em 1970, o Hospital Regional de Ziguinchor é uma das principais unidades de referência do sul do Senegal, servindo não apenas a população local, mas também pacientes oriundos de países vizinhos, incluindo a Guiné-Bissau.

Por Tiago Seidi e Alison Cabral
odemocratagb

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