quarta-feira, 23 de setembro de 2026

“Sem competência e organização, a Guiné-Bissau continuará a acumular maus resultados”, diz comentador desportivo


O comentador desportivo guineense Sabino da Silva, radicado em Portugal, afirmou que, enquanto a Guiné-Bissau não priorizar a competência, a organização e a estruturação interna do futebol nacional, a Seleção Nacional continuará a registar resultados negativos e dificuldades para garantir o apuramento para a fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN) e do Campeonato do Mundo.

Os Djurtus, como é conhecida a Seleção Nacional de Futebol da Guiné-Bissau, vão iniciar uma nova campanha de qualificação para o CAN’2027, depois de terem falhado o apuramento para o CAN’2025, em Marrocos, e para o Mundial de 2026, organizado pelos Estados Unidos da América, Canadá e México.

Apesar de ter alcançado o feito histórico de participar em quatro fases finais consecutivas do CAN, em 2017, 2019, 2022 e 2024, a Guiné-Bissau não vence um jogo oficial desde 6 de setembro de 2024.

Em entrevista concedida ao jornal O Democrata, esta terça-feira, 22 de setembro de 2026, para analisar as perspetivas da Seleção Nacional para a nova campanha de qualificação, Sabino da Silva mostrou-se pouco otimista quanto às possibilidades de os Djurtus garantirem uma vaga na fase final da competição organizada pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

“Não quero ser pessimista a ponto de dizer que não vamos conseguir o apuramento, mas as nossas hipóteses são muito reduzidas. A Nigéria é claramente uma das seleções favoritas do grupo e a própria Madagáscar não será um adversário fácil, tendo em conta os resultados que tem alcançado nas últimas competições. A nossa situação tornou-se ainda mais complicada porque a Tanzânia, que integra o mesmo grupo, é um dos países organizadores do CAN e já tem presença garantida na fase final. Assim, resta apenas uma vaga efetivamente em disputa, o que torna a tarefa muito difícil”, afirmou.

Para Sabino da Silva, as dificuldades da seleção resultam essencialmente de problemas estruturais e organizacionais que persistem há vários anos no futebol nacional.

“Depois de quatro participações consecutivas no CAN, nunca tivemos uma avaliação pública ou uma reflexão aprofundada sobre o que realmente aconteceu nessas campanhas e sobre os erros que deveriam ser corrigidos para o futuro. Enquanto não existir um projeto sólido para o futebol nacional, continuaremos a enfrentar as mesmas dificuldades para alcançar os objetivos desportivos”, declarou.

Jurista de profissão, o comentador considera que a Guiné-Bissau possui potencial humano suficiente para competir ao mais alto nível, mas defende uma melhor gestão das estruturas ligadas ao futebol.

“Existem muitas potencialidades no nosso futebol. Contudo, é fundamental colocar pessoas competentes, comprometidas e com vontade de trabalhar nas diferentes estruturas responsáveis pelo desenvolvimento da modalidade”, sustentou.

Segundo explicou, cada departamento ligado ao futebol deve funcionar de forma organizada e coordenada para que o país possa alcançar melhores resultados de forma sustentável.

“É preciso que cada estrutura esteja organizada e que cada filho da Guiné-Bissau possa dar o seu contributo. Só assim poderemos alcançar apuramentos com maior tranquilidade e menos pressão. Enquanto não houver organização, estrutura e valorização da competência no desporto, continuaremos a obter os mesmos resultados e a perder posições nos rankings internacionais”, acrescentou.

Sabino da Silva considera difícil compreender que uma seleção que esteve presente em quatro edições consecutivas do CAN atravesse atualmente uma fase tão prolongada sem vitórias em jogos oficiais.

Apesar do seu ceticismo relativamente ao apuramento para o CAN’2027, o comentador entende que um bom desempenho da equipa técnica e dos jogadores poderá manter viva a esperança dos adeptos guineenses.

“Neste momento, apenas os resultados podem ajudar-nos. Qualquer melhoria organizacional será positiva, mas dificilmente terá impacto imediato nesta campanha de qualificação. O que realmente poderá fazer a diferença é a conquista de vitórias em cada jogo do grupo”, sublinhou.

A fase de qualificação para o CAN’2027 arrancou em setembro, com a realização das duas primeiras jornadas da fase de grupos. Integrada no Grupo L, a Guiné-Bissau desloca-se à Tanzânia para defrontar a seleção anfitriã no dia 25 de setembro. Quatro dias depois, a 29 de setembro, os Djurtus recebem a Nigéria, em partida referente à segunda jornada.

Numa entrevista concedida ao O Democrata no mês passado, o selecionador nacional, Emiliano Té, afirmou que a Guiné-Bissau inicia esta campanha de qualificação com ambição e confiança, tendo como objetivo garantir a presença na fase final da principal competição de seleções africanas.

O técnico guineense assegurou que a meta passa por levar os Djurtus o mais longe possível na caminhada rumo ao CAN’2027.

Antigo médio defensivo da Seleção Nacional, Emiliano Té estreou-se no comando técnico dos Djurtus com um empate frente à Serra Leoa, em setembro de 2025, em jogo de qualificação para o Mundial’2026. Seguiu-se uma vitória por 2-0 diante do Djibuti, em Bissau. Posteriormente, já sem possibilidades de apuramento, a equipa perdeu frente à Etiópia (1-0) e ao Egito (2-0), em partidas disputadas fora de casa.

A fase de grupos da qualificação para o CAN’2027 decorrerá em três períodos. As duas primeiras jornadas realizam-se entre 21 de setembro e 6 de outubro de 2026; a terceira e quarta jornadas entre 9 e 17 de novembro de 2026; e as duas últimas entre 22 e 30 de março de 2027.

O CAN’2027, principal competição de seleções do continente africano, será organizado conjuntamente pela Tanzânia, Quénia e Uganda.

Por: Alison Cabral
odemocratagb.

Sem comentários:

Enviar um comentário