O porta-voz do Conselho Nacional da Transição, Fernando Vaz, reage com normalidade às declarações do presidente deposto Umaro Sissoco Embaló, que anunciou o seu regresso a Bissau para se candidatar à presidência.
À RFI, o porta-voz do Conselho Nacional da Transição, Fernando Vaz, disse estar surpreendido com o anúncio de Umaro Sissoco Embaló de se recandidatar à presidência, mas considerou que qualquer cidadão nacional tem esse direito.
"Sinceramente, não tinha conhecimento do anúncio da sua candidatura. Mas sei que o que circula neste momento, embora ainda não seja oficial, é que ele regressará mesmo ao país no domingo. O próprio Presidente de Transição Horta Inta'a já reagiu a isso. Quando lhe perguntaram, ele respondeu que qualquer cidadão nacional pode regressar ao seu país", disse Fernando Vaz.
O porta-voz do Conselho Nacional da Transição acrescentou: "[Umaro Sissoco Embaló] é um cidadão como qualquer outro. E creio que todo o cidadão nacional, todo o guineense, goza do direito constitucional de se candidatar, caso preencha os requisitos necessários. Acredito que o sistema o permitiria. O caminho está aberto. Não se trata de um sistema ditatorial. Não é um sistema que rejeite arbitrariamente esta ou aquela candidatura; as propostas serão analisadas pelas instâncias competentes".
O ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló anunciou, esta segunda-feira, em entrevista exclusiva à Jeune Afrique, que vai regressar ao país este domingo.
Na entrevista, Embaló disse que é candidato às eleiçoes presidenciais de 6 de Dezembro. Disse, ainda, que vai estar no congresso do Madem G15 a 16 e 17 de Outubro e que depois vai lançar a "Plataforma republicana" que diz juntar varios partidos e da qual será o candidato presidencial.
Também o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, disse que o regresso de Sissoco Embaló “devia ser algo normal que um cidadão nacional assuma a intenção de regressar ao seu país e, eventualmente, concorrer [à eleição]”. No entanto, alerta que a decisão acontece numa perspectiva de criar um campo propício ao regresso e à retoma da presidência por parte de Umaro Sissoco Embaló.
“Tudo acontece num quadro em que todas as actividades políticas estão suspensas, em que outras formações não podem livremente exercer as suas responsabilidades e direitos, em que uma junta militar tem o controlo do país desde o golpe cerimonial de Novembro do ano passado e, portanto, tudo tem acontecido numa perspectiva de excluir os demais e criar um campo propício para o retorno e a retoma da presidência por parte de Sissoco Embaló”, explicou.
Quando questionado sobre a data do seu regresso a Bissau, Domingos Simões Pereira, actualmente em Portugal, disse que “se não for forçado [a regressar], terei que avaliar se há condições objectivas para esse efeito, para chegar lá e exercer livremente os meus direitos e competências enquanto líder político”.
Recorde-se que o Tribunal Regional Militar da Guiné-Bissau suspendeu, por um período de três meses, a prisão preventiva de Domingos Simões Pereira, invocando razões humanitárias e legais relacionadas com o estado de saúde, permitindo que o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular viajasse para Portugal para prosseguir tratamento médico considerado indispensável.
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