segunda-feira, 28 de setembro de 2026

"Sim, serei candidato", respondeu o General Umaro Sissoco Embaló à Jeune Afrique


«Sissoco Embaló regressa a Bissau para se apresentar às presidenciais»

A publicação Jeune Afrique anunciou, esta segunda-feira, 28 de Setembro, que Umaro Sissoco Embaló regressará à Guiné-Bissau no próximo domingo, 4 de Outubro, para se apresentar às eleições presidenciais de Dezembro.

Há várias semanas que a notícia circulava nas redes sociais, mas, esta segunda-feira, 28 de Setembro, Umaro Sissoco Embaló confirmou à Jeune Afrique que será candidato às presidenciais de Dezembro.

“Sim, eu serei candidato”, disse.

De acordo com a publicação, o Presidente, deposto há cerca de um ano pelos militares e actualmente exilado, quer reconquistar o poder e será o candidato da Plataforma Republicana.

O porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz, reagiu com normalidade ao regresso e à intenção de Umaro Sissoco Embaló de ser candidato às presidenciais, sublinhado que a Guiné-Bissau é um Estado democrático e que "qualquer cidadão nacional que reúna as condições necessárias pode regressar ao país e fazê-lo".

Também o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, disse que o regresso de Sissoco Embaló “devia ser algo normal que um cidadão nacional assuma a intenção de regressar ao seu país e, eventualmente, concorrer [à eleição]”. No entanto, alerta que a decisão acontece numa perspectiva de criar um campo propício ao regresso e à retoma da presidência por parte de Umaro Sissoco Embaló.

“Tudo acontece num quadro em que todas as actividades políticas estão suspensas, em que outras formações não podem livremente exercer as suas responsabilidades e direitos, em que uma junta militar tem o controlo do país desde o golpe cerimonial de Novembro do ano passado e, portanto, tudo tem acontecido numa perspectiva de excluir os demais e criar um campo propício para o retorno e a retoma da presidência por parte de Sissoco Embaló”, explicou.

Quando questionado sobre a data do seu regresso a Bissau, Domingos Simões Pereira, actualmente em Portugal, disse que “se não for forçado [a regressar], terei que avaliar se há condições objectivas para esse efeito, para chegar lá e exercer livremente os meus direitos e competências enquanto líder político”.

Recorde-se que o Tribunal Regional Militar da Guiné-Bissau suspendeu, por um período de três meses, a prisão preventiva de Domingos Simões Pereira, invocando razões humanitárias e legais relacionadas com o estado de saúde, permitindo que o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular viajasse para Portugal para prosseguir tratamento médico considerado indispensável. Este prazo termina a 22 de Outubbro de 2026.

A eleição presidencial de 6 de Dezembro acontece depois da aprovação de uma nova Constituição, a 30 de Agosto, que reforça significativamente os poderes do chefe de Estado, após um referendo boicotado pela oposição, que a denunciou como uma “apropriação institucional do poder”.

O líder do PAIGC fala num “roteiro estabelecido” que “as pessoas que assumiram o poder cumpriram”. “Agora entendem que estão reunidas as condições para o soberano regressar, sendo dono absoluto do país, para assumir a plenitude do espaço que é dele”, afirmou.

A Jeune Afrique escreve que, após deixar a Guiné-Bissau, o ex-Presidente instalou-se em Marrocos. Nos últimos meses, usou a sua rede internacional para apoiar a candidatura do senegalês Macky Sall ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, acompanhando-o na maioria das suas viagens.

Por: Neidy Ribeiro
rfi.fr/pt

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