O Soldado Januário Olímpio Jacari, Chefe de Posto Médico da Base Aérea, traçou no dia 22 de setembro corrente, durante uma palestra dirigida aos Militares da mesma unidade, um panorama completo sobre a evolução do surto de MPOX no país. O balanço é claro: mais de 16 casos já confirmados, sem qualquer vítima mortal. Apela agir antes de chegar às fases avançadas.
Segundo o medico militar, "O período de incubação varia de 3 a 16 dias, durante os quais a pessoa infetada pode já transmitir o vírus sem apresentar sintomas visíveis", explicou.
Sublinhou que esta janela assintomática torna o controlo da propagação particularmente desafiante e identificou cinco principais vias de transmissão, todas associadas ao contacto próximo e direto com pessoa infetada ou com objetos contaminados:
1. Contacto físico direto com a pele ou lesões;
2. Abraços e beijos, que envolvem proximidade física intensa;
3. Relação sexual, considerada uma via significativa de transmissão;
4. Partilha de objetos de uso pessoal — toalhas, roupa de cama, escovas de dentes, talheres;
5. Contacto com animais selvagens infetados, sobretudo através do manuseio ou consumo de carne de caça.
“Embora qualquer pessoa possa contrair a doença, três grupos necessitam de proteção acrescida”, detalha:
• Crianças, o sistema imunitário ainda está em desenvolvimento;
• Idosos, a imunidade reduz-se com a idade;
• Pessoas com doenças crónicas, especialmente diabetes e cancro o organismo encontra-se debilitado, com menor capacidade de resposta.
Reforça a necessidade de medidas preventivas específicas, minuciando primeiros sinais que segunde eles assemelham-se a uma gripe comum, nomeadamente: A febre, dores no corpo, dor de cabeça, fraqueza e cansaço excessivo.
“Após esta fase inicial, surgem habitualmente lesões cutâneas (erupções) que podem concentrar-se no rosto, nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Estas lesões evoluem de máculas a pápulas, vesículas, pústulas e, por fim, crostas que acabam por cair”, explica o especialista militar.
Aproveita para alertar que há formas graves da MPOX, que podem incluir infeção da pele com invasão do sangue, podendo alcançar o cérebro, os pulmões e o coração, situações que, em casos extremos, podem levar à morte.
Vale sublinhar que, o primeiro caso de MPOX na Guiné-Bissau foi notificado a 26 de junho de 2026, confirmado pelo laboratório nacional de saúde pública e por um laboratório universitário privado, com posterior validação do laboratório regional de referência. Desde então, o número de casos tem vindo a aumentar de forma gradual, mas preocupante.
Até 23 de agosto, o país acumulava 58 casos suspeitos, dos quais 10 confirmados. Hoje, passadas quase mais quatro semanas, esse número ultrapassa os 16 casos confirmados um crescimento que demonstra que o vírus continua a circular de forma ativa na comunidade.
A MPOX é uma doença infeciosa viral causada por um vírus pertencente ao género Orthopoxvirus, o mesmo grupo da varíola. Trata-se de uma zoonose, doença transmissível entre animais e seres humanos que tem ganhado atenção crescente das autoridades sanitárias em todo o mundo, particularmente nos países da África Ocidental.
Texto: Soldado Watna Ysemba
Fotografia: Alferes Januário Umaro Injai
FA/IM 23.09.2026
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