segunda-feira, 28 de setembro de 2026

LGDH denuncia justiça pelas próprias mãos após linchamento de Olof João Gomes Sambú

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) exortou o Ministério Público a abrir, com caráter de urgência, uma investigação transparente, célere, independente e imparcial para o completo esclarecimento da morte do cidadão guineense Olof João Gomes Sambú, ocorrida no domingo, 27 de setembro de 2026, na sequência de acusações relacionadas com um alegado rapto de uma criança.

A organização exige igualmente a identificação dos autores materiais e morais do que classificou como um “ato criminoso”, bem como a sua responsabilização perante a justiça, para que este grave atentado contra a vida humana não fique impune.

Num comunicado consultado por O Democrata, a organização defensora dos direitos humanos instou também as autoridades a reforçar os mecanismos de prevenção e resposta a situações suscetíveis de degenerar em violência coletiva.

A LGDH apelou ainda à população em geral, e aos jovens em particular, para que não se deixem manipular por rumores, boatos, acusações ou informações não confirmadas, sobretudo aquelas difundidas através das redes sociais.

Segundo a organização, a justiça pelas próprias mãos constitui uma grave ameaça à vida, à segurança coletiva, à paz social e ao Estado de Direito.

“Quando a emoção e a fúria de uma multidão substituem a lei e os tribunais, abre-se um caminho perigoso em que qualquer pessoa pode tornar-se vítima”, alertou a LGDH.

A organização recordou que um episódio semelhante ocorreu em 2018, desencadeando graves distúrbios em Bissau, que culminaram na morte violenta de um cidadão estrangeiro, na destruição de viaturas e num ataque à embaixada de um país estrangeiro na capital guineense.

Para a Liga, a normalização desse tipo de comportamento enfraquece as instituições, favorece arbitrariedades e falsas acusações, alimenta ciclos de violência e vingança e coloca em risco a vida e a segurança de todos os cidadãos.

Por isso, a LGDH condenou o que descreveu como um ato de violência “gratuita e injustificável”, que ceifou uma vida humana em circunstâncias profundamente chocantes, reiterando que nenhuma acusação pode legitimar a justiça pelas próprias mãos, uma prática incompatível com o direito à vida, à dignidade humana e com os princípios fundamentais do Estado de Direito.

A organização sustenta ainda que, independentemente da gravidade de qualquer acusação, compete exclusivamente às autoridades apurar os factos e, caso existam indícios da prática de um crime, acionar os mecanismos legais competentes com pleno respeito pelas garantias fundamentais.

Segundo informações divulgadas pela Liga no seu comunicado, Olof João Gomes Sambú, alegadamente ex-agente da Brigada de Ação Fiscal (BAF), terá sido intercetado por um grupo de cidadãos que danificou a sua viatura, sob a suspeita de que o veículo transportava uma criança supostamente raptada.

“Olof Gomes Sambú não pertencia à Guarda Nacional”, esclarece GN

O Comando-Geral da Guarda Nacional esclareceu que Olof Gomes Sambú não pertencia à Guarda Nacional, não possuindo qualquer vínculo militar com aquela instituição de segurança nem com a Brigada de Ação Fiscal (BAF).

Contudo, a corporação informou que Olof Gomes Sambú era funcionário de carreira de natureza estritamente civil, afeto à Direção-Geral das Alfândegas, onde exercia as funções de chefe da Antifraude (Fiscalização) na Delegacia de Gabú.

A Guarda Nacional lamentou a perda de uma vida humana em circunstâncias tão trágicas e condenou veementemente qualquer ato de justiça popular.

Por fim, apelou à população para que mantenha a calma e a serenidade, confiando o esclarecimento dos factos às autoridades competentes.

A corporação reiterou, num comunicado consultado pelo jornal O Democrata, ainda que o caso já se encontra sob investigação da Direção de Informação Policial e Investigação Criminal (DIPIC), entidade responsável por apurar as circunstâncias da ocorrência, identificar os responsáveis e levá-los à justiça.

Por: Tiago Seide
odemocratagb.

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