domingo, 6 de setembro de 2026

DE SAÚDE PÚBLICA À MANUTENÇÃO DE CAPACIDADES PRODUTIVAS E CULTURAIS: Realidades distintas, mas conectadas pela perspetiva institucional das Forças Armadas da Guiné Bissau.


Doenças cardiovasculares: um alerta sobre o risco do agravamento de casos na camada juvenil.

O especialista cardiologista do Hospital Militar Principal, Major Umberto Viera, fez um alerta sobre o aumento preocupante das doenças cardiovasculares entre jovens na Guiné Bissau. O especialista destaca que estas patologias já não são exclusivas aos idosos: estão a afetar cada vez mais pessoas com 18–21 anos. Isso representa uma mudança significativa no perfil epidemiológico do país e um novo desafio para o sistema de saúde.
Especialista, Oficial Superior das Forças Armadas (FA) explica os principais fatores de risco: colesterol elevado, consumo excessivo de álcool, tabagismo, uso de drogas e sedentarismo. Também discute as diferenças de risco conforme o sexo e a idade: nos homens, o risco cardiovascular torna se mais evidente a partir dos 60 –70 anos; nas mulheres, a partir dos 55 anos. Ainda assim, a tendência atual mostra uma antecipação dessas condições.
Um ponto relevante é a abordagem sobre a tensão arterial: o cardiologista militar diferencia os três tipos (baixa, normal e alta) e chama a atenção para a dificuldade de tratar a tensão baixa, ao contrário da hipertensão, que tem tratamento mais acessível. Outro alerta forte é sobre o infarto do miocárdio e as mortes súbitas: segundo o especialista, entre 50 % e 70 % dessas mortes têm origem cardiovascular.
A recomendação central é a prevenção: consultas médicas regulares, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. O recado é direcionado à população em geral: não deve ignorar sintomas, mesmo que pareçam leves. O texto tem um caráter educativo e de sensibilização, com foco na redução da mortalidade por doenças cardíacas.
Alfaiataria Militar: capacidade local da produção de fardamantos e acessórios militares.
A reportagem da Imprensa Militar ao atelier de costura instalado no Estado Maior Geral das FA, com o objetivo de conhecer o trabalho da equipa e ouvir as suas preocupações, permitiu constatar que a Alta-costura é essencial para a produção de fardamentos e acessórios militares, marcada por uma história acumulada desde o período pós-independência de 1974.
Conforme as declarações dos responsáveis, o objetivo estratégico da unidade é tornar se um centro de excelência autossustentável, capaz de atender as necessidades das FA sem depender excessivamente de aquisições externas. Além disso, a produção local também é vista como uma forma de fortalecer a identidade nacional, através de uniformes produzidos localmente, com qualidade e dignidade.
Tradição, versatilidade e adversidades do Batalhão da Banda Música.
O Comandante, do Batalhão da Banda Música militar, Tenente Coronel Silva Sanha, destacou que o Batalhão tem raízes ergues da época colonial e evoluiu após 1975, quando um novo grupo de músicos recebeu formação para integrar ao corpo dedicado à Amílcar Lopes Cabral. Define a Banda como “herdeira” da orquestra militar colonial, não como fundadora, o que reforça o peso da tradição.
A função da Banda é múltipla: participa em cerimónias nacionais e militares (desfiles, recrutamentos, guardas de honra), mas também presta serviço à comunidade civil, sempre com autorização do Estado Maior. A versatilidade inclui atuações em eventos cívicos com vestuário civil, aproveitando a presença de vocalistas e outros músicos.
Tenente Coronel, ainda partilhou a sua trajetória pessoal: a paixão pela música militar, a formação com instrutores coreanos em 1981 e a liderança da banda desde 1994. A narrativa combina elementos biográficos com o compromisso institucional.
A mensagem motivacional de Silva Sanha é central: o sucesso exige sacrifício e persistência. A Banda Musical é apresentada como um símbolo de tradição, disciplina e arte, que une a memória histórica do país com a expressão cultural das Forças Armadas.
AS DIFERENTES DIMENSÕES DA REALIDADE DAS FA:
• Saúde: o alerta sobre doenças cardiovasculares em jovens destaca a necessidade de políticas de prevenção e de maior acesso aos cuidados médicos.
• Capacidade produtiva: Alfaiataria Militar mostra o potencial da produção local, e a capacidade de alcançar a autossustentabilidade.
• Cultura e tradição: a Banda Musical militar, ilustra como a instituição castrense também tem uma dimensão cultural e simbólica, que, no entanto, depende de condições logísticas e materiais adequadas para se manter viva.
As Forças Armadas não apenas falam sobre operações militares, mas sobre as medidas sociais, produtivas e culturais, bem como sobre os desafios que o país precisa ultrapassar para garantir a sustentabilidade e a dignidade dessas atividades.

Texto: Iachine Gomes Tchuda
FA/IM 04.06.2026

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