domingo, 4 de janeiro de 2026

Maduro chega aos Estados Unidos após operação militar


Maduro chega aos Estados Unidos após operação militar norte-americana sem precedentes AFP - LEONARDO MUNOZ


O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chegou aos Estados Unidos este sábado, 3 de Janeiro, acompanhado pela mulher, Cilia Flores, poucas horas depois de ter sido retirado da Venezuela numa operação militar norte-americana classificada por Washington como “sem precedentes”.

Segundo vários órgãos da imprensa norte-americana, o chefe de Estado venezuelano aterrou numa base militar dos Estados Unidos, situada em Nova Iorque, na sequência de uma operação conduzida pelas forças armadas norte-americanas. A acção, descrita como inédita desde a Segunda Guerra Mundial, marca uma escalada significativa na crise política e diplomática entre Washington e Caracas.

Em declarações à Fox News, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o objectivo da operação é pôr termo ao regime de Nicolás Maduro.

“Não podemos correr o risco de deixar que outra pessoa ocupe o seu lugar e continue o seu caminho”, declarou.

Em conferência de imprensa, Trump elogiou a intervenção militar, classificando-a como “espectacular” e garantindo que os Estados Unidos irão assegurar “uma transição justa e segura”, acrescentando que Washington irá “liderar” o país durante esse processo.

Do lado venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez reagiu exigindo uma “prova de vida” do Presidente e da primeira-dama.

“Perante este ataque brutal, não sabemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores”, afirmou numa entrevista telefónica à televisão estatal. As autoridades de Caracas denunciaram o que consideram ser uma “agressão militar muito grave” por parte dos Estados Unidos.

Entretanto, o Departamento de Justiça norte-americano divulgou a acusação formal contra Nicolás Maduro, actualmente sob custódia das autoridades dos Estados Unidos. O processo acusa o Presidente venezuelano de “participar, perpetuar e proteger uma cultura de corrupção”, alegando que elites venezuelanas se terão enriquecido através do narcotráfico e da protecção a redes de tráfico de droga.

A acusação envolve igualmente Cilia Flores, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e o filho único do Presidente, Nicolás Maduro Guerra. Segundo o Departamento de Justiça, o chefe de Estado venezuelano estaria ligado a cartéis de narcotráfico e a “grupos narcoterroristas violentos” que se financiariam através dos lucros do comércio de cocaína.

França defende transição “pacífico e democrática”

Numa mensagem publicada na rede social X, Emmanuel Macron afirmou ter “tomado nota” do fim daquilo que descreveu como a “ditadura de Maduro”, sublinhando que se trata de um momento que o povo venezuelano só pode “celebrar”, após anos de repressão política e degradação das condições de vida no país.

O chefe de Estado francês foi particularmente crítico em relação à actuação de Nicolás Maduro enquanto governante. “Ao tomar o poder e atropelar as liberdades fundamentais, Nicolás Maduro minou gravemente a dignidade do seu próprio povo”, declarou Macron, denunciando as violações de direitos e a erosão das instituições democráticas na Venezuela.

Perante o novo cenário político, o Presidente francês defendeu uma transição ordeira e inclusiva, apelando a um processo “pacífico e democrático” que permita restaurar a normalidade constitucional. Macron manifestou ainda a expectativa de que o líder da oposição, Edmundo González Urrutia, possa assumir um papel central na condução dessa transição, abrindo caminho a eleições livres e ao regresso da estabilidade política no país.

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