A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) alertou para a existência de indícios de crimes relacionados com a morte do cidadão Luís Bidam, espancado no dia 27 de dezembro de 2025, e exigiu ao Ministério Público (MP) a abertura de um processo penal e civil, em nome da justiça e em memória do malogrado. A organização enfatiza que o caso não pode transformar‑se em mais um episódio isolado envolvendo elementos das forças de defesa e segurança.
A posição da LGDH foi apresentada pela vice‑presidente da organização, Claudina Veigas, durante uma conferência de imprensa conjunta realizada esta terça‑feira, 6 de janeiro de 2026, pelo Coletivo dos Líderes e Ativistas de Bôr para Ação, juntamente com familiares de Luís Bidam.
O malogrado, inicialmente identificado por alguns familiares como Luís Vidal, foi espancado por militares no dia 27 de dezembro. Com ferimentos graves, foi transportado para o Hospital Nacional Simão Mendes, onde acabou por falecer a 30 de dezembro.
Luís Bidam, de 25 anos, trabalhava como ajudante (assistente) de transporte público Toca‑Toca, na linha Quelelé–Bôr e centro da cidade de Bissau. Segundo familiares, os autores do “ato bárbaro” seriam elementos das Forças Armadas da Guiné‑Bissau, já identificados.
Em reação ao sucedido, Claudina Veigas apelou às chefias militares para instaurarem um processo disciplinar, colaborarem com as autoridades judiciárias e garantirem que os presumíveis autores do espancamento sejam apresentados à justiça. Defendeu ainda que, embora a vida — direito fundamental consagrado na lei — não tenha sido protegida, a vítima deve, pelo menos, ter o direito a uma justiça digna, que traga tranquilidade à família.
“É preciso agir, desta vez, para garantir que a sociedade guineense tenha tranquilidade; que os cidadãos saibam que vivem num país onde a justiça funciona, e que, independentemente deste e de outros casos, será assegurada — a justiça para Luís Bidam”, afirmou.
Veigas reforçou que a prevenção de novos casos depende do combate firme à impunidade, e assegurou que a LGDH continuará a lutar para que os suspeitos sejam judicialmente responsabilizados.
COLETIVO DE LÍDERES E ATIVISTAS DE BÔR EXIGE JUSTIÇA PELA MORTE DE LUÍS BIDAM
Por seu turno, o presidente do Coletivo dos Líderes e Ativistas de Bôr para Ação, Davide Domingos da Silva, exigiu que os dois militares identificados como agressores do malogrado – ambos ajudantes de transporte público – sejam apresentados à justiça e responsabilizados pelo crime de homicídio.
“Abeni Sambú, militar colocado no Estado‑Maior General das Forças Armadas, e Ito Mbana, da Força Aérea, traíram o juramento de proteger os cidadãos e usaram a força militar para tirar a vida de um guineense. Exigimos que sejam levados à justiça o mais rápido possível”, afirmou.
O ativista garantiu que a sua organização, em conjunto com a família da vítima, não cruzarão os braços e continuarão a lutar até que a justiça seja efetivamente feita, “porque a vida humana vale mais do que qualquer outra coisa”.
Em nome da família, Ednilson Bidam pediu às autoridades nacionais celeridade no processo e que os agressores sejam julgados conforme a lei, “para que situações do género não voltem a acontecer na comunidade de Bôr nem na Guiné‑Bissau”.
Por: Aguinaldo Ampa / Filomeno Sambú
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