segunda-feira, 26 de setembro de 2022

"Com elevado apreço, recebi hoje uma carta do Dr. Fernando Delfim da Silva, conselheiro político e diplomático da sua Excelência Senhor Presidente da República, General Umaro Sissoco Embaló, expressando a sua vontade em enriquecer as fileiras do nosso grande partido Movimento para Alternância Democrática MADEM-G15 Em meu nome e de toda a família Madem-G15 quero, de uma forma responsável e emocionada agradecer esta manifestação de vontade. HORA THIGA PA NÔ DJUNTA MON" - Braima Camará

 






O General Presidente que sempre afirmou que o seu único compromisso é com o povo.

A moralização do Estado ou seja o comportamento que se pretende exemplar dos servidores do Estado, principalmente aqueles atores que assumem maiores responsabilidades, nunca foi uma preocupação neste país, porque se tal fizesse parte da agenda política, a nossa justiça seria dotada dos indispensáveis meios, e os seus recursos humanos recompensados ou remunerados de forma a não caírem em certas tentações, resultado da miséria em que exercem as suas funções.

Porque só agora preocupar-se tanto com o que este ou aquele governante faz, em termos de possíveis negócios, em pleno exercício de funções, quando esta prática tem sido uma constante, desde a queda do artigo quarta da Constituição da República a esta parte.

Com isso não estou a defender que o que ontem foi feito de mal, propositadamente e que tem prejudicado a todos nós, deve continuar a ser tolerado. Longe disso!

Eu sou pela moralização do Estado porque o exercício do cargo público é nobre, motivo pelo qual noutros horizontes a seleção dos homens e mulheres é feita com o maior rigor possível, contrariamente ao que assistimos no nosso pais, onde todos nós nos julgamos elegíveis, mesmo que nem para o exercício do cargo de jardineiro servem.

Com isso, não estou a desvalorizar esse cargo nobre, porque noutros países o ramo de Jardineiro é uma ciência que se estuda e esses estudos são sancionas com diplomas, mas aqui estou-me a referir a cargos que além da preparação académica, comporta outros elementos, nomeadamente a moral e a ética.

Quantos governantes que por aqui passaram e que adquiriram até patrimónios do Estado, a quase custo zero, outros que se envolveram em grandes negócios? E há os que não provaram nada na gestão dos seus negócios e uma vez no poder, não tiveram outra preocupação que não fosse aproveitar-se do cargo para aumentar a riqueza, muitas vezes acumulada ilicitamente?

Que a PJ aponte o dedo a membros do governo incluindo o seu chefe, não é surpresa para os cidadãos mais atentos que acompanham a governação a par e passo, como forma de monitorar as acções dos homens e mulheres que nos governam.

Quid das promessas eleitorais do jovem General Presidente em relação ao combate a corrupção e ao desvio do seu Roadmap, que assenta na transparência da gestão da coisa pública?

Aguardar pela carta do pedido de demissão dos suspeitos, ou antecipar essa intenção para estrategicamente sair com os poderes mais reforçados e com maior credibilidade?
Fechar pura e simplesmente os olhos como se não estivesse a acontecer, sair politicamente fragilizado e não ser considerado de sério nos seus propósitos?
Estas são as duas perguntas, perante tantas, que devem merecer a consideração daquele que dentre dos mais de dois milhões de almas o Todo-poderoso escolheu para a frente do pais, guiar este valente povo.
Esta é o primeiro grande desafio que o General tem a sua frente, para dar garantias ao seu povo em como se inaugurou uma nova era com a sua subida ao trono, (orgulho nacional) uma era de esperança e de rotura com as más práticas do passado.
Finalmente, gostaria de aconselhar que as Ações dos governantes sejam escrutinados à lupa, para de uma vez para sempre pormos fim a “ladrondadi”, que se implantou no aparelho do Estado, o que despertou em todos o apetite de ser nomeados para cargos públicos, por ser o meio mais fácil de se enriquecer, aproveitando-se da impunidade que vem reinando na Guiné-Bissau.

Não era expectável o atual cenário que vivemos devido a este escândalo, mas que custe o que custar, as medidas devem ser tomadas para desencorajar eventuais candidatos a essa prática.

O General Presidente que sempre afirmou que o seu único compromisso é com o povo, não deve hesitar porque enquanto acartar nas suas decisões esse mesmo povo vai continuar a apoiá-lo, e isso deve começar já com este caso da Drogas é outras.
Juntos pela Guiné-Bissau
Por: YA.

Dia de Fuzileiros Navais: VETERANA DE GUERRA CRITICA FALTA DE FORMAÇÃO E DE CONDIÇÕES TÉCNICAS PARA JOVENS FUZILEIROS

Amélia Sanca, veterana do grupo de fuzileiros da Marinha de Guerra Nacional da Guiné-Bissau, criticou a ausência de um programa eficaz de formação associado à falta de condições técnicas para a formação de jovens fuzileiros do Estado-Maior da Armada. A veterana assegurou que atualmente, os fuzileiros navais não são capazes de aguentar missões no mar, devido à falta de preparação e que não existem fuzileiros no país que conheçam o mar para dirigir uma missão com sucesso.

A primeira tenente da Marinha de Guerra Nacional fez parte dos primeiros grupos de fuzileiros navais formados no período da luta armada, na antiga União Soviética para levar a cabo operações de desembarque no mar e rios contra as forças colonialistas portuguesas. Sanca formou-se no domínio da comunicação, para além de ter recebido instrução em combate.

A força de fuzileiros navais do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau foi criada a 12 de setembro de 1969, na cidade universitária de Poche, na antiga União Soviética, onde foram designados 76 dos 166 estudantes para formação no domínio naval, nomeadamente navegação, comunicação, mecânica, eletricidade entre outras áreas. A criação da força de fuzileiros navais foi materializada quatro anos depois da fundação da Marinha de Guerra Nacional, em Conacri, a 22 de dezembro de 1965.

VETERANA RECONHECE QUE FUZILEIROS NÃO TÊM CONDIÇÕES PARA DIRIGIR UMA MISSÃO SÓLIDA NO MAR

Amélia Sanca lembrou que a ideia da criação de forças de fuzileiros navais na luta de libertação começou quando o líder, Amílcar Cabral, entendeu que não era possível ser marinheiro sem conhecer primeiramente as técnicas combativas dos fuzileiros, depois para marinheiro com conhecimentos técnicos e combativos.

Enfatizou que os fuzileiros foram fundados na data do aniversário de Cabral, 12 de setembro, com o objetivo de fortalecer a força dos marinheiros navais, porque “a Rússia tinha fornecido barcos de guerra para preparar ações combativas e o grande sonho da força dos fuzileiros navais era contribuir para a libertação da Guiné-Bissau”.

“A luta armada já entrava na sua fase decisiva e os meios de guerra terrestres permitiram alcançar avanços satisfatórios no terreno. O partido estava ciente que o inimigo intensificara as suas ações na mobilização das suas tropas, particularmente com a mobilização dos comandos africanos, daí surgiu a necessidade de contrabalançar os comandos africanos, aplicando no terreno uma força com alto nível de preparação combativa, tanto naval como terrestre”, recordou a veterana, referindo-se às razões que precipitaram a criação da força de fuzileiros navais.

Explicou que a comunicação entre os elementos do grupo de fuzileiros na luta de libertação era feita através de sinais e que osgrupos percebiam muito bem, contudo, disse que atualmente é preciso modernizar o serviço devido ao desenvolvimento da tecnologia.

“Quando percebemos que os portugueses tinham percebido a existência dos fuzileiros guineenses, passámos a desempenhar duas funções, uma no mar e outra na terra para podermos ganhar a guerra, porque nós, os fuzileiros, éramos em número muito reduzido”, recordou a antiga fuzileira, acrescentado que depois da luta regressou para Bissau de barco.

A veterana de guerra com mais de 70 anos de idade, continua a servir o Estado da Guiné-Bissau no Estado-Maior da Armada. Confessou que precisa descansar, dado que deu a sua juventude para a causa da libertação do país. Contudo, disse que como militar, estará sempre disposta a servir a pátria a qualquer momento.

A primeira tenente assegurou que a força de fuzileiros navais,atualmente, não está em condições para dirigir uma missão sólida no alto mar e dar uma contribuição valiosa ao país, porque depara-se com falta de meios e acima de tudo, falta a preparação constante aos seus elementos. No entender da veterana, isso deveria ser uma rotina que deveria ser seguido com muito rigor e dinâmica, para fortalecer a capacidade combativa dos fuzileiros,que a qualquer hora podem ser chamados para o cumprimento da missão do Estado.

Amélia afirmou que conhece bem a história da guerra de libertação, porque foi telegrafista pessoal de Amílcar Cabral, acrescentando que as mulheres estavam firmes na guerra de luta de libertação.

Revelou neste particular que participou na luta com o sonho de ver a Guiné-Bissau livre do jugo colonial e ver também o seu desenvolvimento, tendo frisado que “infelizmente até ao momento continuamos a enfrentar sacrifícios sem nenhuma perspetiva para o desenvolvimento”.

“Até Cabo Verde está à frente da Guiné-Bissau em termos do desenvolvimento”, lamentou.

Por: Carolina Djemé
Foto: Marcelo Na Ritche
Conosaba/odemocratagb

São Tomé/Eleições: Patrice Trovoada reivindica vitória com maioria absoluta e quer assumir Governo


São Tomé, 26 set 2022 (Lusa) - O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe Patrice Trovoada (Ação Democrática Independente, oposição) reivindicou hoje vitória, com 30 deputados (maioria absoluta), nas eleições legislativas e anunciou que irá chefiar o próximo Governo.

"Reivindicamos a vitória nas eleições legislativas, com maioria absoluta, totalizando 30 mandatos, com 54,55% dos votos", disse, numa declaração perante algumas dezenas de apoiantes, na sede do partido na capital são-tomense.

Patrice Trovoada fez a declaração num momento em que a Comissão Eleitoral Nacional são-tomense ainda não divulgou resultados preliminares das eleições legislativas, autárquicas e regional deste domingo.

"Conforme prometido, com uma maioria absoluta, eu assumirei as funções e as responsabilidades de primeiro-ministro e de chefia do próximo Governo", afirmou, recebendo fortes aplausos dos militantes.

Conosaba/Lusa

O GRANDE POQUENA!

Na política, encontramos de tudo, mas de tudo mesmo, sobretudo no contesto africano em que se misturam alhos com bugalhos, na ausência total de “lês interdits”, quer dizer, condicionantes. 

Cada um julga-se capaz, muitas vezes, sem a mínima formação académica, como se para eles a política fosse um mundo aos cowboys. Noutras realidades, primeiramente, preparamo-nos academicamente para estarmos a altura de compreender a complexidade das questões, para então abraçarmos a política, não como forma de ganhar o seu pão de cada dia, mas sim para prosseguir determinados ideais em que ideologicamente nos revemos. 

O destino, às vezes, faz com que a alguns políticos, na fase de crescimento, fossem dadas precocemente oportunidades de exercerem altos cargos na esfera da governação. Uns conseguiram, com “softness”, adaptar-se e consequentemente cometer poucos erros, por inexperiência e a pressão inerente a esse exercício. Outros, infelizmente, não conseguiram adaptar-se e em consequência cometeram aquilo que os franceses gostam de chamar de “erreurs de jeunesse”, próprio ao temperamento daqueles jovens fugazes e determinados a operar mudanças revolucionárias em relação às quais o sistema não esteja preparado. 

Este introito leva-me a pensar no contexto Guineense, à luz do acima exposto, em que muitos jovens se destacaram e corresponderam às expectativas no desempenho do cargo, mas na gestão das suas formações políticas pouco sucesso tiveram, apesar da expectativa criada a volta desses mesmos jovens. 

Nesta reflexão, não podia deixar de fazer referência a uma figura que muitos consideram de Muito calmo, por não o conhecerem de perto, mas que encarna a esperança e o “porto seguro” para todos os patriotas que neste país têm vindo a procurar uma saída que ponha definitivamente termo ao estado de “bagunçada” que tem marcado as governações sucessivas, e que tem colocado a pátria de Cabral no estado de atraso em que se encontra em relação aos demais países da sub-região que, no regime de Luís Cabral, se referiam a Guiné-Bissau, “pays nouvellement independant”, como um exemplo a seguir, devido aos gigantescos passos dados naquele curto espaço de tempo. 

Esse campeão tem um nome, e o nome é profundamente marcante, porquanto o seu homónimo que caiu na desgraça no Senegal em 1962, devido às intrigas e a inveja, tinha as mesmas características, isto é, de grande patriota, inovador, de visão, de grandeza da alma, de generosidade, mas também de um pouco de “duro” para muitos, porque comprometido com os desígnios do seu povo. Quem é que não se lembra dos sucessos por ele conseguidos durante a sua curta permanência à frente das diversas instituições que dirigiu ao longo da sua nobre carreira invejável, entre ministérios e embaixadas, em 2000-2002 foi secretário de estado das pescas, em 2003 foi nomeado como embaixador na Bélgica é Conacri, em 2017 foi secretário de estado de cooperação, e em 2022 secretário de estado e ministro da energia e indústria. o seu respeito pela ciência, pela meritocracia, o seu sentido de homem de Estado que soube separar o trigo do joio, isto é, que tinha como credo, a competência para o exercício de cargo no Estado e a sua cruzada contra a corrupção, o que lhe valeu incompreensões, para não dizer inimizades. Eng. Augusto Poquena, Licenciado em tecnologias de produção conservação das industrias pesqueiras, pelo instituto superior das pescas na cidade de Astrakahn na antiga URSS em 1990. Filho de Combatente da Liberdade da Pátria, cujo os pais lutou para nossa independência. Patriota, corajoso, patriota, ku cata seta lebsimenti, o que muitos confundem com “radicalismo”, “arrogância” ou “inflexibilidade”, tem a sua frente um futuro político risonho, porquanto possui a vocação, um político nato, e por isso procurou fermentar-se academicamente para poder enfrentar a luta com eficácia e vencer. 

A resiliência, a prudência, a paciência e o sentido de oportunidade são as maiores virtudes deste político, que não tem atrás de si “mãos ocultas” para o apoiar e proteger, e nem conta com um exército de “tonton macoutes”, mas sim, com Deus/Allah e do seu sacrifícios bem como Daqueles que nele continuam a acreditar de que “yes, he can”. Para as eleições marcadas para o dia 18 de Dezembro de 2022, o partido deste Dirigente político, afirmado, o PRS, vai estar presente no hemiciclo (inchallah) fortemente representado, porque afinal o grosso dos eleitores Guineenses, os jovens, compreendem agora de que seu partido é alternativa credível. Este Dirigente político nunca esteve envolvido em “guerrilhas” políticas e sempre identificou o seu alvo, o de chegar ao poder de forma limpa, através das formas que a democracia pluralista nos oferece. 

UM abraço forte cota Poquena! 
VIVA GUINENSDADI! 
Por: yA.

domingo, 25 de setembro de 2022

Instabilidade política na Guiné-Bissau deve-se a cultura de masculinidade - Joacine Katar Moreira

A instabilidade política na Guiné-Bissau, que celebra hoje 49 anos de independência e onde nenhum Governo terminou o mandato, está ligada a uma cultura de masculinidade exacerbada, com origens na luta pela independência, defende a historiadora Joacine Katar Moreira.

"Entre os mil motivos [da instabilidade] que os académicos, os consultores, os organismos internacionais, têm sucessivamente identificado, como o tráfico de droga, o tráfico de armas, conflitos ou tensões étnicas, há um elemento que une tudo isto, que é a cultura de masculinidade", disse a investigadora luso-guineense.

Em entrevista à Lusa a propósito do seu livro "Matchundadi: Género, Performance e Violência Política na Guiné-Bissau", cuja segunda edição foi recentemente lançada, a historiadora, ativista e ex-deputada à Assembleia da República Portuguesa defendeu que a "enorme instabilidade política e governativa" guineense está relacionada com a cultura de `matchundadi`.

No entanto, esse espírito de guerrilha não terminou com o alcançar da independência e foi transposto para a edificação do Estado independente, mantendo-se até hoje, o que constitui o foco de conflitos, instabilidade e violência, em que impera a lei do mais forte e do mais violento.

Nesse contexto, o adversário é olhado como inimigo, como um obstáculo a abater, porque enquanto ele existir o poder do líder está ameaçado.

E, segundo o conceito de `matchundadi`, a única maneira de um homem recuperar a sua masculinidade é afetar a masculinidade do indivíduo que afetou a sua, o que normalmente se faz "através da eliminação física do outro".

Mas, para Katar Moreira, a origem desta cultura "é a ilusão do sistema de justiça".

"Só existe cultura de `matchundadi` porque não existe sistema de justiça, porque existe um ambiente de impunidade em que, entre dezenas e dezenas de assassínios de figuras políticas nunca houve um julgamento na Guiné-Bissau. Foi assassinado um Presidente da República, ao mesmo tempo que o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, foram assassinados ministros, desapareceram governantes e, em 48 anos, nunca houve acusação, muito menos julgamento".

A erosão do sistema de justiça contribui para que, quem tem mais energia, mais capacidade de intimidação e mais força, mais facilmente tem acesso ao poder político.

Enquanto antes no início da construção do Estado independente esse papel era assumido por quem tinha armas, hoje há outra maneira de afirmação das masculinidades: o acesso ao dinheiro.

"Quem tem dinheiro tem capacidade de redistribuição, que é um elemento constituinte da masculinidade", disse a investigadora, sublinhando que esta é uma caraterística, não só da Guiné-Bissau, mas de África, da Europa, do Ocidente...

Para a historiadora luso-guineense, se desaparecesse a `matchundadi`, desapareceria também "o sumo que tem regado a política guineense" e a única forma de quebrar o ciclo de instabilidade no país é reforçando o sistema de justiça, sem o qual não existe "Estado de direito", e investir na Educação, desde a básica à universitária.

O conceito, conhecido de "todos os guineenses", é definido pela autora como "uma masculinidade exacerbada, hiperbolizada, com o objetivo de capturar o poder e manter o poder".

"Captura-se antes, mas imediatamente é necessário encontrar mecanismos de manutenção do poder, porque o mais difícil na política guineense não é uma pessoa aceder ao poder, é manter-se lá", disse, lembrando que nenhum executivo, em 48 anos de independência, conseguiu concluir os quatro anos de mandato.

No livro, que resulta da sua tese de doutoramento, Katar Moreira recupera a história dessa `matchundadi` e explica-a com a época da luta pela independência, quando foi preciso unir mais de 20 etnias que coabitavam "num espaço pouco maior do que o Alentejo".

"Havia uma grande diversidade étnica que impossibilitava dizer-se `somos um único Estado, uma única nação`. Mas havia um elemento unificador: a masculinidade".

Perante os ataques que o sistema colonial fazia às masculinidades dos homens africanos, os independentistas diziam: `Vai admitir que o português ocupe a sua terra, leve as suas filhas, pegue a sua mulher?`, exemplificou.

Amílcar Cabral e o seu Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) conseguiram assim "algo único: a união, não apenas das várias etnias, mas das várias classes" sociais do país.

Esta exacerbação das masculinidades étnicas guineenses "originou guerrilheiros implacáveis, violentos" que levou a que a Guiné fosse a única colónia a vencer a guerra colonial e a declarar unilateralmente a independência.

Conosaba/Lusa

Guiné-Bissau recuperou soberania e credibilidade internacional - Presidente Guineense

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, afirmou hoje que nos dois últimos anos o país recuperou a soberania e a credibilidade internacional num discurso à Nação por ocasião da celebração do 49.º aniversário da independência.

"Em pouco mais de dois anos de mandato presidencial, a Guiné-Bissau conseguiu fazer um percurso internacional notável. De facto, nós restaurámos plenamente a imagem do nosso país em África, e no conjunto da comunidade internacional", afirmou o Presidente guineense.

Para Umaro Sissoco Embaló, resolver os "problemas e atrasos" que o país acumulou exigia que "fosse reabilitado o próprio Estado na sua soberania e credibilidade internacional, na sua capacidade de falar e de ser ouvido".

Segundo o Presidente, os esforços diplomáticos tiveram impacto na forma de governação, que conseguiu diversificar o seu programa para "mudar o país no bom sentido".

"Num setor verdadeiramente estratégico como é o setor da energia, a Guiné-Bissau vai conhecer, dentro de poucos meses, um salto qualitativo de largo alcance. A Rede Elétrica sub-regional que vai concretizar o Projeto Energia da OMVG é uma obra ímpar", afirmou Umaro Sissoco Embaló.

O chefe de Estado referia-se ao projeto de energia que envolve também o Senegal, a Gâmbia e a Guiné-Conacri e vai permitir trazer energia elétrica a todo o país, salientando que o seu impacto económico e social será estruturante.

Referindo-se à crise energética mundial, o Presidente disse que provocou uma inflação global que desestabilizou "os cenários macroeconómicos de muitos países e, na verdade, a Guiné-Bissau não poderia ser exceção".

"O Governo, por via de medidas fiscais, está a perder parte de receitas que deveria arrecadar, procurando, assim, na medida do possível, regular os preços dos produtos alimentares de primeiras necessidades, bem como o custo de serviços que são essenciais para o dia-a-dia dos guineenses. Além dessas medidas fiscais do Governo, espera-se que a intensificação da produção agrícola de alimentos pelas próprias famílias contribua para atenuar o impacto social da inflação no mercado de produtos alimentares", afirmou.

No discurso, Umaro Sissoco Embaló felicitou também todos os desportistas guineenses que têm conquistado medalhas na prática das suas modalidades e os jovens que se têm destacado em áreas como a tecnologia e o empreendedorismo.

Salientando que o dia da independência deve ser um "momento de reflexão", o chefe de Estado convidou todos os guineenses a fazerem aquele exercício para que seja construída uma "visão ambiciosa, mas realista do futuro" e "concentrar os esforços" na sua concretização.

A Guiné-Bissau proclamou a sua independência unilateralmente de Portugal em 24 de setembro de 1973.

Conosaba/Lusa