O Conselho Nacional de Transição qualificou como desrespeitosas, condescendentes e uma ofensa à dignidade da população guineense as declarações emitidas pelo líder timorense Xanana Gusmão durante a conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.
Num comunicado assinado pelo porta-voz, Fernando Vaz, o CNT classificou as declarações do líder timorense como “insultuosas, paternalistas” e como uma afronta à dignidade do povo guineense.
Segundo o CNT, as palavras de Xanana Gusmão representam uma “ingerência grosseira” nos assuntos internos de um Estado soberano.
O conselho sublinha que a Guiné-Bissau é membro fundador da CPLP e rejeita qualquer tentativa de tutela política ou institucional sobre o país, e acusa ainda a CPLP de adotar critérios políticos seletivos em relação aos seus Estados-membros.
O CNT questiona, em particular, o que considera ser um “duplo critério” no funcionamento da organização lusófona, referindo-se à decisão de atribuir a presidência da CPLP a Timor-Leste em detrimento da Guiné Equatorial.
Para Fernando Vaz, essa escolha reflete “jogos de bastidores” e uma orientação que, segundo afirma, não serve os interesses dos países africanos.
O comunicado critica também a suspensão da Guiné-Bissau da CPLP, considerando a medida “abusiva” e “antiestatutária”.
O CNT compara a actuação da CPLP com a da Organização Internacional da Francofonia, da qual a Guiné-Bissau também faz parte, afirmando que esta última tem demonstrado maior respeito pela soberania dos seus membros.
Sobre o processo político interno, o Conselho Nacional de Transição garante que a Guiné-Bissau irá realizar eleições soberanas, financiadas com recursos próprios do Estado.
O organismo frisa que a CPLP não tem autoridade para impor calendários eleitorais ao país.
“A CPLP não manda no calendário da Guiné-Bissau. As eleições serão realizadas de acordo com a Constituição e com a vontade soberana do povo guineense”, sustenta o comunicado.
O CNT acrescenta que caberá ao vencedor das próximas eleições decidir, em nome do povo, sobre a continuidade ou não da Guiné-Bissau na CPLP.
Na mesma nota, Fernando Vaz defende que a Guiné-Bissau possui importantes recursos naturais, como petróleo, bauxite e fosfato, cujo aproveitamento poderá reforçar a posição económica e diplomática do país no plano internacional.
CNT

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