segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

PAIGC questiona justiça guineense sobre impedimento de viajar de Domingos Simões Pereira

O coordenador do coletivo de advogados do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Carlos Pinto Pereira, questionou hoje a justiça guineense sobre os motivos de "impedimento sistemático" de viajar do seu líder, Domingos Simões Pereira.

Em conferência de imprensa, Pinto Pereira dirigiu-se ao Ministério Público, Tribunal de Relação e ao Supremo Tribunal de Justiça para saber quem tem determinado a ordem de impedimento de viajar do líder do PAIGC, por duas vezes, para Portugal.

O coordenador do coletivo de advogados classificou que tal ordem é ilegal, recordando que existe uma decisão do Tribunal de Relação que declarou, em 2021, que não há nenhum motivo para impedir de viajar o também antigo primeiro-ministro.

A última ordem de impedimento contra Simões Pereira foi declarada no passado dia 18, quando o presidente do PAIGC tentava embarcar no aeroporto internacional Osvaldo Vieira para Portugal.

Carlos Pinto Pereira referiu ainda que existe um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que determina que o Ministério Público passa a não ter competências para aplicar algumas medidas de coação, entre as quais a obrigação de permanência dos cidadãos.

"A medida de coação de restrição de liberdade dos cidadãos só pode ser aplicada por um juiz", observou o líder do coletivo de advogados do PAIGC.

No passado mês de agosto, o Tribunal de Relação atendeu um pedido de Domingos Simões Pereira que contestou uma ordem, pronunciada pelo então procurador-geral da República (PGR), Bacari Biai, que o impedia de viajar para Portugal.

Na altura, o Tribunal de Relação considerou como nulo e sem efeito o despacho do PGR, o que permitiu a Domingos Simões Pereira viajar.

O coordenador do coletivo de advogados do PAIGC defende ser um ato criminoso que elementos do poder judicial não estejam a respeitar uma ordem do tribunal, o que motivou o pedido de esclarecimento dos responsáveis.

Conosaba/Lusa

Diplomacia/“Até ao momento não houve nenhum caso de falsificação da nova gama de passaportes”, diz Suzi Barbosa

Bissau, 30 Dez 22 (ANG) - A ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades revelou, quinta-feira, que , pelo menos até a altura em que falava à imprensa, não se deparou com nenhum caso de falsificação da nova gama de passaportes, em vigor no país.

Suzi Carla Barbosa falava aos quatro órgãos públicos de comunicação social do país, nomeadamente a Agência de Notícias da Guiné (ANG), o Jornal Nô Pintcha (JN), a Rádiodifusão Nacional (RDN) e Televisão da Guiné-Bissau (TGB), em jeito de balanço das atividades desenvolvidas pela instituição durante 2022.

“A antiga gama de passaportes teve algumas situações que não nos agradava enquanto governo, por isso, entendemos que podemos a melhorar, razão pela qual pedimos a sua mudança para a nova gama que realmente tem mais segurança, maior credibilidade, e que permitirá com que tivemos maior facilidade de acesso aos vistos”, explicou Carla Barbosa.

A ministra informou que, na semana passada, teve uma reunião no seu Gabinete com o Diretor Nacional de Polícia Judiciária na qual este lhe confirmou que, até o preciso momento, não foi descoberto nenhum passaporte de nova gama falsificado.

“Evitar a falsificação e dar maior credibilidade à passaportes da Guiné-Bissau são alguns pontos que nos obrigaram a mudar a antiga gama para a nova. Pelos vistos, a mudança está a ter efeitos, porque até ao momento não conseguiram falsificar a nova gama”,disse a governante.

Acrescentou que pretende-se imprimr maior rigor na utilização de passaportes , “porque na realidade, o rigor é que lhes permite negociar com os parceiros sobre a supressão de vistos” e diz que que isto levou a Guiné-Bissau a negociar vários acordos de supressão de vistos.

“Já não é necessário ter um visto para os passaportes diplomáticos para a Rússia, Marrocos, Turquia e queremos ir mais longe ainda. Neste momento estamos a negociar a supressão de visto com a França”, contou Carla Barbosa.

A governante disse que, a nova gama de passaportes está sendo utilizada no país há 18 meses, mas que já produz efeitos positivos, por estar a dar mais credibilidade ao documento da Guiné-Bissau, tendo alertado que no final deste ano(2022) a antiga gama de passaportes será extinta.

Questionado sobre as diligências feitas pelo ministério no sentido de colocar a nova gama de passaporte à disposição da diáspora guineense, Suzi Carla Barbosa respondeu que, a Guiné-Bissau tem várias embaixadas que produzem os passaportes diretamente e que quando mudaram a gama de passaporte, mandaram também as máquinas de emissão de passaportes nestas embaixadas.

“Para países que não fazem a produção directa de passaportes, organizamos várias emissões de modo à evitar que os nossos cidadãos ficassem sem passaportes no estrangeiro. Neste momento, estamos no fim destas emissões”, disse.

A ministra adianta que no próximo ano nova campanha de emissões de passaportes na diáspora terá lugar, para dar oportunidade aos que não tinham feito anteriormente..

“O objetivo do Ministério é de fazer com que todos os guineenses tenham passaporte, independentemente da parte do mundo em que se encontram”, declarou, Suzi Barbosa.

Conosaba/ANG/AALS/ÂC//SG

Diplomacia/Ministério de Negócios Estrangeiros prevê construção de edifício próprio para sede da instituição em 2023


Bissau, 30 Dez 22 (ANG) - A ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades revelou, quinta-feira, que o ministério que dirige perspetiva a construção de um edifício de três pisos, logo no início de 2023, que servirá de sede da instituição.

Suzi Carla Barbosa falava aos quatro órgãos públicos de comunicação social do país, nomeadamente a Agência de Notícias da Guiné (ANG), o Jornal Nô Pintcha (JN), a Rádiodifusão Nacional (RDN) e Televisão da Guiné-Bissau (TGB), em jeito de balanço das actividades desenvolvidas durante 2022.

“No próximo ano, será feita uma construção de raiz de novo edifício que vai albergar o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Isso permitirá agrupar todos os departamentos afectos ao ministério num só local, uma vez que estam dispersos”, explicou a ministra.

Suzi Carla Barbosa salientou que a entrada em vigor do acordo de mobilidade da Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP), teve um grande” impacto, na medida em que, todos os beneficiários de passaportes diplomáticos e de serviço guineense passaram a poder entrar em Portugal sem um visto, evitando assim o recurso à Embaixada para obtenção do visto.

A Governante informou que, ao mesmo tempo, o acordo de mobilidade na CPLP, prevê um regime especial de atribuição de vistos para os concidadãos guineenses com passaporte ordinário.

“A Guiné-Bissau deixou de beneficiar de apoio orçamental nos últimos anos, devido a situação de instabilidade política do país. Mas, com a retoma da confiança de alguns parceiros internacionais, a nação guineense voltou a beneficiar desse apoio importante”, disse Suzi Barbosa.

A ministra referiu que, ao longo do ano 2022, o Ministério de Negócios Estrangeiros conseguiu assinar vários acordos de apoio institucional ou orçamental com as Repúblicas portuguesa e francesa.

Acrescentou que a assinatura do Acordo de Apoio Orçamental permitiu que o país beneficiasse de 05 milhões de euros por parte de Portugal, o que diz estar a ser usado nas áreas de Saúde, Educação e fortificação da democracia.

“Também com a França o país beneficiou igualmente de 05 milhões de euros que permitirão fortificar a democracia guineense, e estão ser usados nas áreas prioritárias da Guiné-Bissau”, disse.

Suzi chamou de “Algo Inesperado de 2022”, a assumpção pelo Chefe de Estado guineense da Presidência rotativa da Conferência de Chefes de Estados e de Governos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO), funções pela primeira vez assumida por um chefe de Estado lusófono.

“No âmbito de cooperação bilateral com a República Popular da China, está sendo reabilitado o edifício que foi o Ministério de Negócios Estrangeiros.Após a sua reabilitação, passará a ser um “Salão de Conferências”, para reuniões internacionais”, referiu aquela governante.

Suzi Carla Barbosa considerou que a diplomacia guineense está no “grande auge”, graças a magistratura de influência, sobretudo do chefe de Estado da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, que diz apostar , tanto na política externa como na forma de melhorar a qualidade de vida do povo guineense.

“As obras que estão a decorrer no centro de cidade de Bissau, nomeadamente de reabilitação das estradas de Bissau Velho, da Avenida Amilcar Cabral e a construção da autoestrada do Aeroporto à Safim são resultados de esforços de procura de apoios externos para se aplicar internamente”, disse a governante.

A ministra considerou de “bastante positivas”, as realizações feitas pelo ministério no decorrer de 2022, e diz que sempre que são convidados para eventos internacionais trazem algum benefício para o país.

Referindo-se à dificuldades enfrentadas no decurso do ano preste a terminar, a chefe da diplomacia guineense disse que reorganizar o ministério não foi fácil, “por ser uma instituição com uma estrutura envelhecida, com necessidade de renovar os diplomatas, numa altura em que a Função Pública impõe limitação na contratação de quadros.

“Estamos a trabalhar no sentido de fazer um recrutamento interno de jovens estagiários para que possam progredir na carreira e assim contribuir com as novas tecnologias para melhorar eficácia e desempenho do Ministério de Negócios Estrangeiros”, disse Suzi Carla Barbosa.

Conosaba/ANG/AALS/ÂC//SG

Figura da semana: SIDÓNIO PAIS CELEBRA MEIO SÉCULO DE CARREIRA ENTRE ORQUESTRA E CARREIRA A SOLO

 

[SEMANA 52_2022] O conceituado músico guineense, Sidónio Pais do Vale Quaresma(Sidó), celebrou no passado dia 23 de dezembro, 50 anos de carreira musical com uma história entre orquestras e carreira a solo. O músico celebrou os seus  50 anos de carreira num ambiente de festa num dos hotéis de Bissau.  

Em entrevista ao Jornal O Democrata, Sidó, como é conhecido no mundo da música, explicou que os 50 anos de carreira representam 50 anos de experiência musical, social, de responsabilidade como pioneiro da música moderna guineense, como também cinquenta anos de muito amor e carinho do público.

“Estes 50 anos de carreira mostraram-me o quanto os guineenses não me esqueceram e gostam de mim e das minhas músicas. Elas atravessaram duas gerações sucessivas. São 50 anos de gratidão que devo aos meus fãs”, disse. 

BIOGRAFIA

Nascido na Guiné-Bissau a 17 de novembro de 1954 em Tite, Sidó vem ocupando, ao longo dos anos, um lugar de destaque no panorama musical nacional e internacional. Em 1972, enquanto estudante forma com colegas, a Orquestra Capa Negra. Com o tema «Kilis Ku Kata Murri» (os Imortais), escrito e interpretado por Sidó. A Orquestra atinge um lugar de grande destaque na cena musical guineense.

Em 1976, Sidó chega a Lisboa para continuar os estudos. Incentivado por vários melómanos, entre os quais Infali Dabó e Erasmo Robalo, forma a Orquestra Saba Miniamba, com a qual gravou dois álbuns, que seria censurado pelo então poder na Guiné-Bissau.

Em setembro de 1979, em busca de novos horizontes musicais, Sidónio parte para a França e os membros da Orquestra juntam-se a ele, sendo-lhes concedido o estatuto de refugiados políticos. Em 1980, a Orquestra Saba Miniamba dissolveu-se e iniciou a carreira a solo. Em maio de 1981 lançou o seu primeiro álbum intitulado “Guiné Nha Terra” e em 1984, produz pela primeira vez um disco: “Camba Mar”, para imortalizar a sua odisseia Atlântica de 1976, editado pela Label Baloba.

Anos depois criou outro grupo denominado “Tamba Kumba” com o qual de 1985 à 1993, participou em diversos festivais na Suíça, Bélgica e França. Produziu o seu segundo álbum “Bola” em 1989. Em dezembro de 1992, com a sua nova Editora label discos Sidó Lda, apresentou o álbum “20 Anos de Capa Negra” no Centro Cultural Francês em Bissau.

Em 2005, o primeiro DVD “Sidó en Live, Carnaval à Paris”. O DVD Best Of “Guiné-Bissau Nó Terra”, produzido em 2010, leva-o à Guiné-Bissau, Portugal, Guadalupe e França. Em setembro de 2011 o maxi single Dia “i”, dia da independência. Brindou os seus fãs com o terceiro álbum “Symbioses” em 2014. Em 2013, “Fusão”, uma viagem ao universo do fandango português, brosca guineense, semba angolano, singa, música popular brasileira e gumbé.

Em 2017 lançou o álbum “Esperança” no qual homenageou o antigo revolucionário de Burkina Fasso, Thomas Sankara, com o tema “Sankara”. Atualmente Sidónio é reformado e vive mais tempo no país tendo empreendido no ramo turístico.

Por: Epifânia Mendonça

Conosaba/odemocratagb

POLÍTICA PRS PROMETE USAR MEIOS LEGÍTIMOS PARA COMBATER RAPTOS E ESPANCAMENTOS DE CIDADÃOS

O Partido da Renovação Social (PRS) avisou que se reserva no direito de usar todos os meios legítimos disponíveis para combater intransigentemente os sucessivos raptos e espancamentos de cidadãos na Guiné-Bissau, sublinhando que estas práticas são típicas dos regimes ditatoriais.

“Diante de um contexto político de muitas adversidades caracterizado por sucessivos raptos e espancamentos de cidadãos e perante sinais evidentes da sua continuidade, particularmente contra dirigentes políticos e líderes de opinião, o PRS deixa claro à opinião pública nacional e internacional de que se reserva no direito de usar todos os meios legítimos disponíveis para combater intransigentemente estas práticas desviantes em democracia típicas dos regimes ditatoriais” lê-se na resolução final da reunião da comissão política nacional do partido lida por Hotna Cufuck Na Doha.

Sobre a caducidade dos membros do secretariado executivo da Comissão Nacional das Eleições (CNE), os renovadores acusam o Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Cipriano Cassamá, e demais atores políticos que supostamente optaram pela via do bloqueio de quererem conduzir o país a um cenário de conflito eleitoral sem precedentes e ainda com consequências imprevisíveis.
“O senhor Presidente da ANP decidiu pensar unilateralmente ter dar por encerrada a questão, quando sabia perfeitamente e o povo guineense também sabe que a mesma nunca se encerrou de modo algum e deve ser resolvida pela entidade competente, de forma a permitir a realização com transparência das eleições marcadas para o dia 4 de junho de 2023” disse o partido, exigindo ao Cipriano Cassamá uma explicação cabal sobre o seu entendimento de que a Comissão Permanente (CP) não é competente para solucionar o imbróglio, tendo lembrado que “a luz da ordem jurídica nacional não existe nenhum outro órgão nacional de soberania com competência nesta matéria”.

“Repudiar e lamentar fortemente as declarações do Cipriano Cassamá sobre a CNE que configuram uma clara fuga à responsabilidade porquanto foi mandatado pela CP para encontrar pressupostos legais que lhe permitissem poder deliberar sobre o assunto com a segurança” repudiou.

Os membros da Comissão Política Nacional exigiram também a “imediata” libertação dos detidos no caso 1 de fevereiro sem culpa formada e apelaram ao julgamento célere dos acusados no mesmo caso no tribunal competente.

O PRS exigiu ainda o escrupuloso cumprimento do regimento da ANP no que diz respeito à perda do mandato dos deputados que renunciaram à militância no PRS e já se inscreveram noutras formações políticas.

Os comissários ratificaram o fim do acordo de incidência parlamentar e governativa, adotaram os regulamentos de quota e de eleição de candidatos a deputado da nação, tendo recomendado à Direção superior do partido a convocação “o mais breve possível” do Conselho Nacional para aprovação final dos mesmos.

Por fim, o PRS apela aos seus dirigentes, militantes e povo guineense em geral a recensearem-se cumprindo o dever cívico.

Por: Tiago Seide
Conosaba/odemocratagb

Lula da Silva empossado Presidente do Brasil



1 jan 2023 18:21

O líder progressista Luiz Inácio Lula da Silva foi empossado como o 39.º Presidente da República Federativa do Brasil numa cerimónia solene no Congresso Nacional, em Brasília.

"Prometo manter, defender e cumprir a constituição, observar as leis e promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil", disse Lula da Silva.

O novo presidente brasileiro já havia assumido o cargo por dois mandatos (2003 a 2010).

Lula da Silva foi recebido no Congresso pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respetivamente.

A sessão solene de posse começou com uma breve intervenção do presidente do Senado, que homenageou o futebolista Pelé e o papa Bento XVI, recentemente falecidos, pedindo um minuto de silêncio.

Depois, seguiu-se o hino nacional e, em seguida, Lula da Silva confirmou o Compromisso Constitucional e assinou o termo de posse juntamente com o vice-presidente, Geraldo Alckmin.

Na assinatura, Lula da Silva quebrou o protocolo e explicou publicamente que utilizou uma caneta que lhe fora oferecida por um apoiante do pequeno estado do Piauí, em 1989 (primeiras eleições democráticas pós-ditadura), e recordou que, na sua primeira cerimónia de posse (em 2003), utilizou uma outra caneta do então senador Ramez Tebet, pai de Simone Tebet, sua atual ministra e antiga adversária nas eleições de outubro deste ano.
O primeiro discurso

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu hoje um governo de esperança e reconstrução no seu primeiro discurso no Congresso do país, onde tomou posse.

Emocionado, o líder brasileiro falou sobre o regresso do flagelo da fome no país e disse que fará um Governo focado na reconstrução das estruturas governamentais que considera terem sido destruídas pelo seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Pela terceira vez compareço a este Congresso Nacional para agradecer o voto de confiança", começou por dizer.

"Se estamos aqui hoje é graças à consciência política da sociedade brasileira e à frente democrática que formamos ao longo dessa histórica campanha eleitoral. Foi a democracia a grande vitoriosa, superando a maior mobilização de recursos públicos e privados que já se viu, as mais violentas ameaças à liberdade do voto", apontou Lula da Silva.

Lula referiu também que enfrentou na campanha "a maior mobilização de recursos públicos e privados que já se viu", bem como "a mais objeta campanha de mentiras e ódio tramada para manipular e constranger o eleitorado brasileiro".

"Nunca os recursos do estado foram tão desvirtuados em proveito de um projeto autoritário de poder", atirou.

A “nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução. O grande edifício de direitos, de soberania e de desenvolvimento que esta nação levantou vinha sendo sistematicamente demolido nos anos recentes. É para reerguer este edifício que vamos dirigir todos os nossos esforços”, acrescentou.

O governante lembrou que em 2002, quando venceu a primeira eleição presidencial, ele e os seus apoiantes diziam que a esperança tinha vencido o medo, no sentido de superar os temores diante da inédita eleição de um representante da classe trabalhadora.

E "ficou demonstrado que um representante da classe trabalhadora podia, sim, dialogar com a sociedade para promover o crescimento económico de forma sustentável e em benefício de todos, especialmente dos mais necessitados”, recordou.

Agora, porém, Lula da Silva disse ter recebido um diagnóstico assustado por parte do gabinete de transição.

"Esvaziaram os recursos da Saúde. Desmontaram a Educação, a Cultura, Ciência e Tecnologia. Destruíram a proteção ao Meio Ambiente. Não deixaram recursos para a merenda escolar, a vacinação, a segurança pública", afirmou.

"É sobre estas terríveis ruínas que assumo o compromisso de, junto com o povo brasileiro, reconstruir o país e fazer novamente um Brasil de todos e para todos", acrescentou.

Lula da Silva anuncia revogação de lei das armas no Brasil

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que vai revogar decretos legais assinados pelo seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que facilitaram o porte, a posse e a venda de armas no país.

“Estamos revogando os criminosos decretos de ampliação do acesso a armas e munições, que tanta insegurança e tanto mal causaram às famílias brasileiras. O Brasil não quer mais armas, quer paz e segurança para seu povo”, anunciou Lula da Silva, no seu primeiro discurso como chefe de Estado após assinar o termo de posse no Congresso.

Lula da Silva prometeu que o Ministério da Justiça e da Segurança Pública “atuará para harmonizar os poderes e entes federados no objetivo de promover a paz onde ela é mais urgente: nas comunidades pobres, no seio das famílias vulneráveis ao crime organizado, às milícias e à violência, venha ela de onde vier”.

O novo Presidente brasileiro criticou o antecessor ao afirmar que “foi a democracia a grande vitoriosa nesta eleição” já que considera ter superado “a maior mobilização de recursos públicos e privados que já se viu, as mais violentas ameaças à liberdade do voto, a mais abjeta campanha de mentiras e de ódio tramada para manipular e constranger o eleitorado.”

“Nunca os recursos do estado foram tão desvirtuados em proveito de um projeto autoritário de poder. Nunca a máquina pública foi tão desencaminhada dos controles republicanos. Nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder económico e por mentiras disseminadas em escala industrial”, disparou Lula da Silva.

Falando sobre a má gestão do Governo de Bolsonaro na área da saúde durante a pandemia, o chefe de Estado frisou considerar que período que se encerra foi marcado por uma das maiores tragédias da história e que “em nenhum outro país a quantidade de vítimas fatais foi tão alta proporcionalmente à população quanto no Brasil, um dos países mais preparados para enfrentar emergências sanitárias, graças à competência do nosso Sistema Único de Saúde.”

Este “paradoxo só se explica pela atitude criminosa de um governo negacionista, obscurantista e insensível à vida. As responsabilidades por este genocídio hão de ser apuradas e não devem ficar impunes”, atacou Lula da Silva.

“O que nos cabe, no momento, é prestar solidariedade aos familiares, pais, órfãos, irmãos e irmãs de quase 700 mil vítimas da pandemia”, completou.

O Presidente brasileiro também prometeu recompor os orçamentos da saúde para garantir a assistência básica a população, o acesso a remédios e promover o acesso à medicina especializada.

Conosaba/Lusa












Muitas horas de espera para despedida ao 'rei' Pelé

O cortejo fúnebre passará em frente à casa da mãe centenária de Pelé, Celestes Arantes, que não foi informada da morte do filho, de acordo com Maria Lúcia do Nascimento, uma das irmãs do antigo futebolista.

Adeptos do Santos e de outros clubes brasileiros enfrentaram até 23 horas de espera para entrar no velório do antigo futebolista Edson Arantes do Nascimento, conhecido por Pelé, que acontece hoje no estádio da Vila Belmiro.
Enquanto aguarda para ter acesso ao estádio e poder dizer adeus ao ‘rei’, João Correia, de 64 anos, contou à agência Lusa que chegou ao local perto das 03:00 locais (06:00 em Lisboa) de hoje para participar da despedida.

“Eu cheguei às 03:00 e nós, pelas informações, sabíamos que ia ter mais ou menos um milhão de pessoas nesses dois dias para se despedir do ‘rei’ do futebol”, afirmou.

O adepto referiu que chegou a ver Pelé jogar ao vivo e lembrou alguns momentos inesquecíveis.

"Eu vi o Pelé jogar desde 1967 até 1974 e eu conheci ele aqui na Vila Belmiro, num evento, em 2014 (…) Um dos principais jogos que eu presenciei foi no Pacaembu, num domingo. O Santos estava a perder 2-0 com a Portuguesa e venceu por 3-2, inclusive ele fez o terceiro golo da virada. Um golaço. Tinha 75.000 pessoas no Pacaembu”, acrescentou.

Adepto do Santos, João Correia disse que a “magia do futebol do Pelé é imensa.”

Já, João Batista Caixeta, de 65 anos, que também espera para se despedir, contou que tinha 12 anos quando viu Pelé jogar.

“Foi na Copa [Mundial] de 1970, na minha casa não tinha televisão e juntava os coleguinhas e eu na casa de quem tinha televisão. Então eu lembro perfeitamente disso. Não entendia muito futebol, mas eu lembro que vi o Pelé a jogar pela televisão”, ressaltou.

Apesar de não ser adepto do Santos, João Batista Caixeta fez questão de se despedir do antigo futebolista, que morreu na quinta-feira, aos 82 anos, no hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, na sequência da “falência de múltiplos órgãos, resultado da progressão do cancro do cólon associado à sua condição clínica prévia”.

“Não sou torcedor santista, mas eu sou um admirador do bom futebol (...) Estou aqui desde às 19:00 de ontem [de domingo]”, completou.

Adepto do Corinthians, equipa de São Paulo rival do Santos de Pelé, Marcos Ribeira, de 47 anos, viajou da cidade de Curitiba, no estado do Paraná, no sul do Brasil, conduzindo durante cerca de 500 quilómetros e mais de oito horas.


“Decidi vir ao velório do Pelé porque ele representa o nosso maior orgulho nacional, não somente nacional, mas mundial também, reconhecido pelo seu talento no futebol. Mas enquanto pessoa também sou corinthiano. Estou com camisola do Corinthians aqui, mas com todo respeito à nação santista”, declarou.

“Uma das maiores coisas que Pelé ensinou foi isso, a questão do respeito, a questão da alegria do futebol. E isso não é rivalidade, não é violência, não é nada disso não. Futebol é união então nós estamos aqui nesse momento para prestigiar, para prestar nossa homenagem ao rei do futebol, que era, acima de tudo, um brasileiro negro”, acrescentou.

Vestido com a camisola ‘canarinha’ de Pelé e ostentando uma taça, António da Paz, de 67 anos, foi um dos primeiros a chegar ao estádio.

“Cheguei no domingo às 11:00 e estou hoje aqui na segunda-feira para ser o primeiro da fila e fazer o meu reconhecimento ao rei do futebol. Pelé é uma referência no mundo (…) Nunca você vai ver um jogador que nem [como o] Pelé. Pelé deixou saudade. Pelé foi embora. Edson Arantes do Nascimento foi embora, mas o nome Pelé vai ficar no Brasil para sempre”, concluiu.

A entrada no estádio será permitida até às 10:00 de terça-feira (13:00 em Lisboa), altura em que sairá do recinto uma procissão que percorrerá as ruas de Santos, cidade localizada a 75 quilómetros de São Paulo, antes do enterro de Pelé, reservado à família.

Pelé estava internado desde o dia 29 de novembro no naquele hospital para tratamento de quimioterapia a um tumor no cólon e tratamento de infeção respiratória, e o seu estado de saúde agravou-se.

Pelé, nascido a 23 de outubro de 1940 na cidade Três Corações, em Minas Gerais, foi o único futebolista três vezes campeão do mundo, em 1958, 1962 e 1970, marcou 77 golos nas 92 internacionalizações pela seleção brasileira e jogou pelo clube brasileiro Santos e pelo Cosmos, dos Estados Unidos.

Foi ainda ministro do Desporto no governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, e eleito o desportista do século pelo Comité Olímpico internacional (1999) e futebolista do século pela FIFA (2000).

Conosaba/Lusa