1. Quando se viu encurralado em 2022 com uma forte oposição parlamentar ao acordo secreto sobre uma suposta Zona de Exploração Conjunta com o Senegal, então nas mãos do seu cúmplice Macky Sall, Umaro Sissoco Embaló inventou cenários que apagassem essa derrota política. Fabricou uma tentativa de golpe de Estado para caçar os militares que não lhe eram convenientes e para silenciar os efeitos da derrota política que lhe era a resolução do parlamento a anular o acordo às escondidas com o governo senegalês.
2. Após a retumbante derrota da sua família política nas legislativas de 2023, o ditador Sissoco foi obrigado a baixar a guarda e procurar um momento oportuno para, depois de esfriar a revolta popular traduzida na maioria absoluta parlamentar para a PAI-Terra Ranka, aplicar a esta coligação o golpe que só uma oposição ingénua e iludida com o legalismo face a um ditador não antevia. Seis meses depois daquelas eleições, voltou a fabricar uma ridícula tentativa de golpe de Estado que culminou, de novo, com uma caça às bruxas nas forças armadas e na dissolução contra-constitucional do parlamento.
3. Em Novembro de 2025, diante do histórico capote que levou nas presidenciais em que o povo elegeu Fernando Dias da Costa Presidente logo na primeira volta, combinou o golpe cerimonial com aqueles a quem entregaria o poder: militares e políticos ao serviço da sua ditadura sanguinária de seis anos. A partir daqui ele aprendeu a lição capital: sempre que as eleições forem transparentes, perderá mesmo que contra um Zé Qualquer. Por isso, mandou os seus capangas no exercício do poder prepararem o terreno para o seu regresso com a garantia de voltar ao comando sem grandes obstáculos. E a solução foi a alteração cuidadosamente pensada da Constituição da República e da Lei Eleitoral.
4. Umaro Sissoco Embaló sabe que não conseguiu vender à opinião pública guineense e internacional que fora vítima de um golpe de Estado, quando todos sabiam e sabem que levou uma grande paulada eleitoral do povo. Desta vez a inventona morreu à nascença e foi o Goodluck Jonathan a fixar o epitáfio: foi apenas um golpe cerimonial. Para contornar esta derrota na opinião pública, Umaro Sissoco Embaló não deixará de imaginar novas fintas que lhe permitam entrar nas próximas eleições como vítima (bem nos alerta o Professor Fode Mané) e não como o vilão que é.
Mais pistas que justifiquem os meus pé e meio atrás não consigo dar, porque não entro em exercícios de gurus e nunca tentei ser djambakus. Perguntam-me: então o que explica o meio pé à frente? Explico-me a seguir.
5. Não devemos ignorar o comunicado do Alto Comando Militar golpista que diz não haver segurança para o regresso do seu chefe. Até pelo facto de o Sissoco não voltar hoje a Bissau, contrário do que anunciara. E é aqui que nasce outra reserva aguda da minha parte. Falta ao Comando Militar golpista dizer-nos: O que continuam a fazer os militares presos na sequência das inventonas de 2022 e 2023 nas celas da ditadura sissoquista, se há sentenças a provar as suas Inocências? Desarmou ou não a milícia sissoquista corpo do esquadrão de raptos, espancamentos e assassinatos dos últimos sete anos? Em que condições são organizadas as próximas eleições no sentido de garantir a segurança, justiça e transparência ao processo?
Antes de o Comando Militar ter posições públicas sobre estas três questões de fundo, continuamos no terreno de especulação, onde não sei navegar. Por isso, manter a resistência ao golpismo cerimonial e reforçar cada vez mais o nosso combate pelos meios ao nosso dispor é a melhor forma de responder às suas movimentações especulativas. Uma ruptura com o Umaro Sissoco Embaló não assumida publicamente pelos militares golpistas é uma casca de banana no nosso caminho.

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