Rádio Sol Mansi
A presidente do Conselho Fiscal da Associação Nacional de Proteção dos Trabalhadores Domésticos (ANAPROMED), Maria Gomes, ameaçou intensificar as ações de protesto e paralisar as atividades da Cimaf para exigir o pagamento de salários em atraso e indemnizações devidas aos antigos trabalhadores da empresa.
Os manifestantes denunciam que a empresa acumula uma dívida de cerca de 99 milhões de francos CFA junto de 29 antigos funcionários, dos quais um já faleceu. Alguns trabalhadores, com três e quatro anos de antiguidade, continuam à espera do pagamento das respetivas indemnizações.
Maria Gomes falava esta terça-feira, 20 de outubro de 2026, após uma vigília organizada por antigos trabalhadores da SPOTT África (Cimaf), realizada em frente às instalações da empresa, na zona industrial de Bolola, em Bissau, para reivindicar os seus direitos laborais.
Na ocasião, a responsável denunciou que os direitos dos trabalhadores continuam a ser frequentemente desrespeitados na Guiné-Bissau.
Apesar da firmeza das reivindicações, garantiu que os protestos decorrerão de forma pacífica, sem recurso à violência ou atos de vandalismo.
“Continuaremos a acampar em frente à Cimaf, munidos de megafones, até que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados”, afirmou.
Por sua vez, o porta-voz do grupo de antigos funcionários, Germano Ié, denunciou que a SPOTT África, empresa ligada à produção de cimento, mantém uma dívida próxima dos 100 milhões de francos CFA.
Segundo o sindicalista, o montante inclui salários em atraso, férias, subsídios de antiguidade e indemnizações.
“O valor em causa inclui salários, férias, antiguidade e indemnizações. Somos 29 trabalhadores, mas um dos nossos colegas já faleceu. Começou a apresentar problemas de saúde ainda quando trabalhava na empresa”, declarou.
Germano Ié denunciou igualmente as condições de trabalho que, segundo afirmou, eram inadequadas.
“Quando havia visitas, mandavam-nos esconder porque os equipamentos de proteção individual não estavam em condições e não podíamos ser vistos pelos visitantes”, relatou.
O representante dos trabalhadores explicou ainda que o grupo perdeu a confiança no advogado que inicialmente acompanhava o processo e decidiu procurar o apoio da ANAPROMED.
Segundo o porta-voz, os trabalhadores entregaram um pré-aviso de greve que não obteve resposta por parte da empresa. Após uma paralisação de três dias, foram impedidos de regressar aos seus postos de trabalho.
Ié denunciou ainda alegadas agressões por parte das forças de segurança e a suspensão dos trabalhadores envolvidos no movimento reivindicativo.
“Recorremos à justiça e a sentença foi proferida há mais de um ano. No entanto, até hoje a empresa não cumpriu a sua parte. O que queremos é apenas receber o nosso dinheiro”, afirmou.
De acordo com o sindicalista, o juiz responsável pelo processo terá admitido limitações na execução da decisão judicial devido à complexidade do caso.
Após cerca de duas horas de vigília, os antigos funcionários e representantes da ANAPROMED reuniram-se à porta fechada com a direção da empresa.
À saída do encontro, Maria Gomes afirmou que receberam garantias de que serão recebidos em audiência pelo responsável da Cimaf, atualmente no estrangeiro, logo após o seu regresso ao país.
O jornal O Democrata tentou obter uma reação da empresa, mas não recebeu resposta até ao fecho desta edição.
Por: Jacimira Segunda Sia
odemocratagb.


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