Li atentamente os princípios proposto pelo Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, onde expõe soluções consentâneas suscetíveis de gerar a paz duradoura, a estabilidade, isto, numa altura em que o mundo está abraçado com conflitos, tensões geopolíticas e desafios ao desenvolvimento.
Ora, a ideia lançada por Xi Jinping aponta nitidamente caminhos para resolver problemas considerados críticos em África, além de contribuir para enriquecer o debate sobre a paz, a estabilidade e o próprio futuro do continente africano.
Esses princípios vêm à tona, durante um encontro que o Presidente Xi Jinping manteve com o seu homólogo do Togo, Faure Essozimna Gnassingbé, em Beijing. Xi propõe na ocasião, orientações práticas para enfrentar situações adversas que geram conflitos na África.
Julgo ser pertinente, que a esta iniciativa merece uma atenção dos líderes africanos, pois, são princípios que colocam os interesses dos povos africanos na busca de soluções mais duradouras, se não vejamos:
O primeiro princípio fala na defesa da liderança africana, que requer a capacidade dos países e dos povos africanos para determinarem ou seja, escolherem o seu próprio destino.
Além disso, Xi Jinping entende que África não pode ser um espaço de disputa entre potências mundiais e defende que, iniciativas de paz terão maior legitimidade e melhores perspectivas de sucesso quando forem conduzidas com a participação efetiva das instituições africanas e das comunidades diretamente afetadas.
Em relação ao segundo princípio, Xi propõe equidade e a justiça, no qual, incita o respeito pela Carta das Nações Unidas, soberania dos estados, rejeitando a ingerência das grandes potências. Pois, também subscrevo, é que, a estabilidade não pode ser construída sobre a violação da soberania nem sobre a imposição de soluções que não respeitem a vontade dos povos.
Quanto ao terceiro princípio, o Presidente Xi destaca o fim das hostilidades e a construção da paz. Sobre esses dois pressupostos, alinhado inteiramente a ideia do diálogo, visto que qualquer disputa termina na mesa das negociações, por isso, o Presidente Xi Jinping apela ao “diálogo, a negociação, a consulta alargada e o respeito pelas diferenças devem ocupar um lugar central na resolução dos diferendos”. Isto, acho eu, algo extraordinário, porque vai no sentido de fazer pontes entre as partes desavindas.
Neste terceiro princípio, o líder chinês fez saber que a paz exige coragem política, capacidade de compromisso e disponibilidade para encontrar pontos de convergência, mesmo quando existem divergências profundas. Assim, acaba por reduzir as tensões e criar condições favoráveis à reconciliação efectiva entre partes beligerantes.
Finalmente, quarto e último princípio, aponta o caminho para resolver as causas mais profundas dos conflitos em África. Neste particular, Xi Jinping defende combate cerrado à pobreza, à exclusão social, ao desemprego, às desigualdades e, entre outros. Ainda Xi entende que, investimento na educação e criação de emprego devem consubstanciar se à paz.
Por isso, entendo que, esta iniciativa do Presidente Xi Jinping deve interpelar a todos e merece ser valorizada pelo seu apelo à responsabilidade africana, ao respeito pelo direito internacional, à resolução pacífica dos conflitos e, articular a segurança e desenvolvimento.
Embora, tudo isso, dependerá em grande parte, do meu ponto de vista, da vontade e capacidade das lideranças africanas para a implementação destes princípios, ou seja, para serem traduzidos em ações concretas, através das ideias propostas pelo Xi, que indica diálogo, cooperação regional e compromissos efetivos.
Importa também reconhecer que, o mais relevante, ou seja, que ainda alimenta conflitos em África tem a ver com a ingerência externa sobretudo das potências estrangeiras. Daí que, acredito que, a resolução dos conflitos africanos exige a “participação dos próprios países envolvidos, das organizações regionais, da União Africana e das Nações Unidas, bem como de parceiros internacionais dispostos a contribuir de forma construtiva”.
É verdade inequívoca, não há iniciativa externa que possa substituir a vontade política dos povos africanos. O que importa a África, é a cooperação baseada no respeito mútuo, fato que é fundamental para a paz.
De modo geral, os quatro princípios propostos pelo Presidente Xi Jinping devem merecer uma reflexão profunda, pois, interpelam a nossa consciência tendo em conta o contexto africano vigente.
Outrossim, são princípios que devem ser traduzidos em ações concretas que permitam transformar os conflitos existentes em África em oportunidades de diálogo, reconstrução e paz. É que, mais do que nunca, a África precisa de paz para se desenvolver, de justiça para consolidar a estabilidade e soberania para construir o seu caminho e futuro.
E nesta perspectiva que iniciativas do Presidente Xi Jinping devem ser vistas, pois elas desbravam o caminho do diálogo, respeito mútuo e multilateralismo podem desempenhar um papel construtivo na edificação de uma África mais estável, próspera e unida.
Por: Bacar Camará
Jornalista & Docente
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