António Gomes, inspector da Polícia Judiciária de Guiné-Bissau, coordenador da operação, a 23 de Outubro de 2026. © Filomeno Sambú
Bissau – A Polícia Judiciária da Guiné-Bissau desmantelou, na madrugada de quinta-feira, 22 de outubro, uma alegada rede de tráfico de pessoas e libertou 71 vítimas de várias nacionalidades.
No âmbito da operação denominada "Astra", as autoridades detiveram 15 suspeitos, todos estrangeiros, acusados de envolvimento em crimes de tráfico de pessoas, associação criminosa e burla qualificada. Segundo a Polícia Judiciária, o grupo operava a partir de uma suposta empresa instalada em três bairros periféricos de Bissau: Enterramento, Cupul e Penha.
A investigação, desencadeada com base em informações fornecidas por organizações parceiras da PJ, revelou a existência de uma rede com ramificações em vários países da África Ocidental.
Além de Bissau, o esquema criminoso estaria igualmente activo na região de Gabú, no leste do país.
Questionado sobre a dimensão da rede, António Gomes, coordenador da operação, afirmou que as investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e eventuais ligações internacionais.
"Na verdade, esta rede tem uma dimensão que ultrapassa a cidade de Bissau e os bairros periféricos. Também opera a nível sub-regional. No quadro da cooperação judiciária, vamos solicitar ao Ministério Público que accione os mecanismos da Interpol para identificar outras pessoas que possam estar envolvidas neste esquema criminoso", explicou.
As vítimas, maioritariamente oriundas da Guiné-Conacri, Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim e Senegal, eram atraídas para a Guiné-Bissau com promessas de emprego e oportunidades de emigração para o Canadá, a Europa e os Estados Unidos.
Após chegarem a Bissau, eram alegadamente mantidas contra a sua vontade e sujeitas a ameaças, bem como a abusos físicos e psicológicos. Os sequestradores exigiam ainda pagamentos que podiam atingir os 700 mil francos CFA.
De acordo com a Polícia Judiciária, as vítimas eram igualmente forçadas a participar em esquemas de pirâmide e a recrutar novas pessoas através das redes sociais. As 71 pessoas resgatadas foram, entretanto, entregues aos serviços de Migração e Fronteiras para os procedimentos legais e assistência necessária.
Por Filomeno Sambú
Por: RFI

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