quinta-feira, 15 de outubro de 2026

RGB apela ao diálogo entre forças políticas e militares para restaurar estabilidade



A Resistência da Guiné-Bissau Movimento Ba-fatá (RGB/MB), partido da oposição guineense, apelou aos militares que exercem o poder desde 26 de novembro de 2025 para criarem condições favoráveis a um diálogo político inclusivo.

Para a RGB/MB, qualquer processo de transição ou definição do futuro político do país deve assentar na auscultação de todas as “forças vivas da nação”, considerada pelo partido como a via mais eficaz para alcançar um amplo consenso nacional e identificar as áreas prioritárias para a construção de um pacto nacional.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, consultado por O Democrata, o partido exortou as forças de defesa e segurança a permanecerem fiéis ao seu papel republicano de garantes da ordem pública, da integridade territorial e da proteção de todos os cidadãos.

Na mesma nota, a RGB/MB sublinhou a necessidade de as estruturas militares se manterem afastadas das disputas político-partidárias.

“A Guiné-Bissau não pode ficar refém da instabilidade. Por isso, preconizamos a construção de um pacto nacional duradouro que coloque a justiça, o respeito pelos direitos humanos e o bem-estar da população no centro de todas as prioridades”, defende o partido.

A Resistência da Guiné-Bissau desafiou igualmente os líderes políticos e as instituições do Estado a alinharem as suas ações com o interesse superior do país.

“Apelamos a que privilegiem a concertação e a negociação em detrimento dos confrontos”, lê-se no documento.

O comunicado destaca ainda a importância de as atuais autoridades garantirem o livre exercício dos direitos cívicos e políticos, criando um ambiente propício à definição de um novo calendário eleitoral.

Neste contexto, o partido, criado em 1986 e atualmente liderado pelo engenheiro Fernando Mendes, apelou aos cidadãos para rejeitarem qualquer forma de instrumentalização do extremismo ou de incitamento à violência étnica e religiosa.

Por fim, a formação política solicitou a continuidade do apoio e da mediação da comunidade internacional, nomeadamente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e das Nações Unidas (ONU), com vista ao regresso da plena normalidade democrática no país.

O Presidente da Transição auscultou, na semana passada, o Governo, a Comissão Nacional de Eleições e o Conselho Nacional de Transição sobre a viabilidade da realização das eleições gerais, inicialmente previstas para 6 de dezembro próximo. Os intervenientes consultados afirmaram, de forma unânime, não existirem condições processuais para a concretização do escrutínio nessa data.

Por: Filomeno Sambú
odemocratagb

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