O politólogo guineense Rui Jorge Semedo considera que as recentes mexidas no Governo só poderão produzir impacto político caso o Alto Comando Militar assuma uma transição inclusiva e seja feita uma reconfiguração política que permita o livre exercício da atividade política no país.
Rui Jorge Semedo falava hoje, em análise à Rádio Sol Mansi, horas depois de o Presidente da Transição ter anunciado novas mexidas no Governo, com a nomeação dos novos ministros do Interior e da Pesca e Economia Marítima, além de movimentações feitas pelo executivo na Presidência da Câmara Municipal de Bissau, na Direção-Geral das Contribuições e Impostos e no Centro de Formalização de Empresas.
Segundo o analista de assuntos políticos da Rádio Sol Mansi, o contexto político do país permanece inalterado, considerando que as recentes nomeações podem representar apenas ajustes dentro da estratégia do próprio Alto Comando Militar.
Rui Jorge Semedo sustenta que o atual momento político está a ser marcado por especulações, devido à ausência de comunicações oficiais sobre alegados desarmamentos no Palácio da República, bem como sobre o eventual afastamento de elementos das forças de segurança da Presidência da República ou de políticos próximos do antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló.
O politólogo lembra ainda que não foi iniciado um diálogo entre diferentes personalidades políticas com vista à criação de condições para um entendimento sincero e franco sobre a situação do país.
Sobre o recente comunicado do Alto Comando Militar, segundo o qual não estão reunidas condições de segurança para o regresso de Umaro Sissoco Embaló ao país, Rui Jorge Semedo aponta contradições na comunicação das autoridades militares.
Na sua análise, o momento político continua confuso e precisa de ser melhor esclarecido. O politólogo lembra que, desde a saída de Sissoco Embaló do país, não foi apresentado um documento público que explique em que condições ocorreu a sua saída e em que condições poderá regressar.
Rui Jorge Semedo recorda ainda que, em situações anteriores envolvendo os antigos Presidentes João Bernardo “Nino” Vieira e Kumba Ialá, foram produzidos memorandos destinados a esclarecer a população sobre a situação política dos dois antigos chefes de Estado.
Na mesma entrevista à Rádio Sol Mansi, o analista afirma que a Guiné-Bissau vive atualmente um ambiente de incerteza e insegurança. Para Rui Jorge Semedo, é necessário ultrapassar esta situação e criar um ambiente propício à reconstrução do país, com vista a uma Guiné-Bissau de pz e sem violência.
RSM: 07 10 2026
Sem comentários:
Enviar um comentário