Lisboa, 09 out 2026 (Lusa) - O Governo do Senegal manifestou hoje “grande preocupação” com as dificuldades na preparação das eleições gerais na Guiné-Bissau, inicialmente agendadas para 06 de dezembro, e pediu inclusão política, noticia a imprensa local.
Em comunicado do Ministério da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses do Exterior, o executivo de Dakar diz ter “tomado nota” das justificações avançadas pelas autoridades de transição sobre constrangimentos de ordem jurídica, técnica e institucional que colocam em risco o cumprimento do calendário eleitoral.
O primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau anunciou na quinta-feira que não existem condições legais nem operacionais para a realização das eleições gerais agendadas para 06 de dezembro.
A porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Felisberta Moura Vaz, afirmou, igualmente, em declarações aos jornalistas, à saída de uma audiência com Horta Inta-a, que "tecnicamente é improvável" a realização de eleições naquela data.
Reafirmando o compromisso de Dakar com a paz, a estabilidade e “a célere restauração da ordem constitucional” na Guiné-Bissau, o Senegal lembrou que “qualquer alteração” no cronograma das eleições “deve ser pautada por um processo inclusivo, consensual e transparente”, acompanhado por “garantias claras” de que a transição será concluída com brevidade.
Para que as consultas eleitorais ocorram dentro de um “clima propício e de confiança mútua”, o governo senegalês sublinha a necessidade urgente de suspender as restrições impostas às atividades civis e políticas.
Na sequência do golpe de Estado de novembro passado, os militares suspenderam as atividades políticas, encerraram algumas sedes partidárias e proibiram a realização de conferências de imprensa não autorizadas.
No comunicado, o Senegal apela às autoridades de transição para que encetem um “diálogo construtivo” com todas as forças políticas e sociais da Guiné-Bissau, viabilizando as condições para o regresso à normalidade constitucional.
As autoridades de Dakar exortaram igualmente todas as partes envolvidas, incluindo as chefias militares, a demonstrarem “sentido de responsabilidade, moderação” e prioridade ao interesse nacional, prevenindo o agravamento das tensões políticas e salvaguardando a paz civil.
Enquanto país que assume atualmente a presidência em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e mediador oficial da crise guineense, o Senegal garantiu que continuará a articular esforços de mediação e facilitação em articulação com os demais Estados-membros e parceiros, respeitando sempre a soberania da Guiné-Bissau e a vontade democrática do seu povo.
O executivo senegalês concluiu reiterando a sua “solidariedade fraternal” para com o povo da Guiné-Bissau e o empenho em apoiar uma solução política consensual que assegure uma estabilidade institucional duradoura no país.
Os militares guineenses protagonizaram em 26 de novembro de 2025 um golpe de Estado liderado pelo general Horta Inta-a, antigo chefe de segurança na Presidência da República.
A oposição considerou tratar-se de um golpe encenado por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais, que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa.
O general Horta Inta-a marcou para 06 de dezembro próximo as novas eleições legislativas e presidenciais.
*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***
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