A antiga ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Magda Robalo, disse que as pessoas não devem confundir o protocolo de estudo submetido pelo Projeto de Saúde de Bandim para avaliar os efeitos inespecíficos da vacina contra a hepatite B com a necessidade de vacinar as crianças guineenses à nascença, uma responsabilidade do Governo, nomeadamente do Ministério da Saúde Pública. ela disse que o Governo deve ser encorajado a introduzir a vacina contra a hepatite B o mais rapidamente possível.
Estas afirmações foram feitas ontem, numa publicação na sua página do Facebook, intitulada «Polémica sobre a vacina da hepatite B: dez esclarecimentos».
A médica, especialista em saúde pública e doenças infecciosas, e igualmente antiga Alta-Comissária para a resposta à COVID-19 na Guiné-Bissau, avança que se trata de dois objetivos muito diferentes, sendo que um deles pretende satisfazer uma curiosidade científica questionada por muitos cientistas, decisores e peritos de saúde, apesar do financiamento do Governo americano.
Magda Robalo sustenta ainda que a ideia que circula de que a vacina vai ser testada em crianças guineenses é falsa, uma vez que, segundo ela, a vacina contra a hepatite B foi amplamente testada e revelou ser segura e eficaz.
A vacina é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para proteger a população da infecção pelo vírus da hepatite B. Segundo Magda Robalo, o que o Projeto de Saúde de Bandim (PSB) pretendia ou pretende fazer é avaliar se a vacina confere benefícios adicionais, tendo como população-alvo os recém-nascidos guineenses.
"E julgo que é daqui que nasce toda a confusão", enfatiza Magda Robalo, que considera ser necessário não confundir a proposta do PSB de estudar a vacina contra a hepatite B em crianças recém-nascidas com a possível decisão do Governo de introduzir a vacina no calendário nacional de vacinação, para imunizar os recém-nascidos contra a doença.
A antiga ministra disse também que o Governo da Guiné-Bissau deve ser encorajado a introduzir a vacina contra a hepatite B o mais rapidamente possível e que as mães guineenses devem ser incentivadas a vacinar os seus bebés à nascença, assim que a vacina passe a fazer parte do calendário nacional de vacinação.
Segundo Magda Robalo, o outro objetivo visa responder a um problema de saúde pública universal e nacional: a proteção da saúde das crianças guineenses e dos adultos, a médio e longo prazo, através de uma vacina comprovadamente eficaz e segura.
A possível administração da vacina contra a hepatite B está a gerar polémica e críticas no país. Esta semana, o Governo informou que, até ao momento, não autorizou a administração da vacina aos recém-nascidos guineenses.
Segundo a publicação da médica, um dos maiores desafios dos tempos atuais está relacionado com a velocidade com que a desinformação entra pela porta adentro e deixa confusa a maior parte das pessoas, sobretudo as mais "incautas".
Magda Robalo esclarece que a intenção da sua publicação é tentar esclarecer a opinião pública guineense sobre o que está em causa relativamente à vacina contra a hepatite B, uma vez que, segundo afirmou, tem lido e ouvido nas redes sociais posicionamentos "inflamados", mas baseados numa má compreensão do assunto.
Segundo a antiga ministra, o que está em causa é um estudo proposto pelo Projeto de Saúde de Bandim (PSB) para avaliar os efeitos inespecíficos da vacina contra a hepatite B quando administrada à nascença.
"Este protocolo foi submetido pelo PSB (e não pelo Governo da Guiné-Bissau) e aprovado para financiamento pelo Governo americano", lê-se na mesma publicação, na qual a antiga ministra esclarece que a vacina contra a hepatite B é "extremamente" segura e eficaz e está a ser comercializada a nível mundial desde 1981, tendo já sido administrada a mais de mil milhões de pessoas.
Outro esclarecimento apresentado por Magda Robalo é que a vacina já é administrada a crianças guineenses e que os fundos foram solicitados e deveriam ser atribuídos ao PSB, e não ao Governo da Guiné-Bissau.
"O protocolo de estudo do PSB, amplamente discutido em janeiro de 2026, foi duramente criticado por atores internacionais e nacionais — entre os quais me incluo — por não obedecer, devido ao seu desenho, a padrões universais de ética, por falta de mérito científico e, entre outras razões, por não responder aos critérios científicos que permitiriam a sua aprovação por comités de ética europeus ou americanos, apesar de ter sido aprovado pelo Comité de Ética da Guiné-Bissau", afirmou.
Segundo Magda Robalo, o protocolo de estudo revisto, avance ou não, não deve impedir ou atrasar a "urgente" necessidade de introduzir a vacinação dos recém-nascidos guineenses contra a hepatite B, tendo em conta a elevada prevalência da infeção no país.
A médica reconhece que a hepatite B é uma doença muito frequente na Guiné-Bissau e que «não se cura com doses diárias de óleo de palma».
«A doença tem efeitos a curto, médio e longo prazo que podem levar à morte», alerta a médica, que questiona ainda se será crime negar às crianças guineenses, com a maior urgência possível, a proteção conferida pela vacina contra a hepatite B administrada à nascença.
RSM: 15 10 2026
Imagem: Facebook/Magda
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