Estudou Relações Internacionais e Ciência Política, ocupou vários cargos públicos e fez um 'jejum' político de mais de uma década após ter perdido para António Costa nas eleições primárias do PS. Leia (ou recorde) o perfil do novo Presidente da República - que toma posse daqui a um mês.
Após uma primeira volta com o eleitorado de Esquerda muito disperso e uma campanha para a segunda volta mais atípica, marcada pelas tempestades que assolaram o país, António José Seguro foi eleito Presidente da República, no domingo, com um resultado histórico.
António José Seguro, antigo líder socialista, quebrou uma década de interregno político com a candidatura presidencial, que assegurou, por diversas vezes, ser "sem amarras" apesar do apoio do PS quatro meses depois, posicionando-se na "Esquerda moderada e moderna" após ter recusado gavetas.
Seguro avançou para as eleições presidenciais sem esperar pelo partido que liderou e, em 15 de junho, apresentou a sua candidatura "sem amarras", apartidária e aberta a todos os democratas. Só quatro meses depois é que o PS formalizou o apoio.
As primeiras sondagens, há cerca de um ano, não lhe chegavam a dar dois dígitos, mas, este domingo, acabou por ser eleito com dois terços dos votos expressos, cerca de 3,48 milhões, quando faltam apurar 20 freguesias, de oito municípios.
"Serei o Presidente de todos, todos, todos os portugueses - dos que votaram em mim, dos que fizeram outra opção, dos que ainda não votaram e dos que optaram por não votar - a todos saúdo por igual", declarou no discurso de vitória, no domingo.
Da ascensão rápida aos 12 anos longe da vida política
António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor, é mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, e licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa. É casado e tem dois filhos.
Depois de ocupar vários cargos públicos - membro do Governo, deputado ou eurodeputado, entre outros - Seguro afastou-se da vida política após a demissão de secretário-geral do PS, em setembro de 2014, na sequência da derrota das eleições primárias contra António Costa.
Remetendo-se à condição de "militante de base" depois de deixar a liderança do PS, que ocupou entre 2011 e 2014, o agora Presidente da República eleito dedicou-se às aulas na universidade e aos seus negócios e manteve-se quase em silêncio sobre as questões políticas ao longo da última década, com raríssimas exceções.
Líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, conheceu, pela mão de António Guterres, uma ascensão rápida: chefe de gabinete do secretário-geral, foi eleito deputado nas legislativas de 1991 e a partir de 1994 fez parte do núcleo duro do "guterrismo" e secretário de Estado do Desporto.
Em 1999, foi número dois de Mário Soares na lista do PS às europeias, regressando a Lisboa dois anos depois ser ministro-adjunto do primeiro-ministro.
Durante a governação de Sócrates, Seguro esteve sempre na segunda linha, apesar de ter sido cabeça de lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011, tendo coordenado a reforma do Parlamento em 2007.
Com esta vitória, Portugal volta a ter um Presidente da República militante do Partido Socialista, após os mandatos de Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos 20 anos e numa altura em que o Partido Social Democrata está no poder e os partidos à direita dos socialistas dominam dois terços do Parlamento.
O Presidente da República eleito alcançou uma percentagem próxima dos 67%, enquanto o líder do Chega superou os 33%.
A tomada de posse do novo chefe de Estado realiza-se a 9 de março.
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