Saif al-Islam fotografado em 2007 em Ghiryan, no sul da Líbia, acabaria por ser assassinado a 3 de Fevereiro de 2026. AFP - MAHMUD TURKIA
Por: RFI
Líbia – O filho de Muammar Kadhafi, Saif al-Islam Kadhafi, foi abatido nesta terça-feira no nordeste da Líbia. O filho do ditador líbio, que governou o país durante mais de 40 anos, era alvo de um mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade.
Considerado como o sucessor do seu pai, o líder de 53 anos tinha sido candidato às eleições presidenciais inicialmente previstas em 2021 mas que nunca chegaram a ser organizadas devido à instabilidade política.
Ele vinha recebendo ameaças há cerca de dez dias, segundo o seu advogado Marcel Ceccaldi que em entrevista com Adélia Teixeira, dá conta do que se conseguiu apurar sobre as circunstâncias do assassínio do seu cliente.
Foi precisamente às 14h30. Ele estava no pátio da sua casa quando quatro homens armados entraram lá e o abateram. Na altura ele estava sentado no pátio de sua casa. As câmaras de vídeovigilância tinham sido previamente desactivadas.
O que é facto é que desde há cerca de dez dias alguns dos seus familiares estavam bastante preocupados com a sua segurança, com muitos boatos e rumores. O chefe da tribo Kadhafa tinha-lhe ligado a dizer que ia enviar-lhe homens para garantir a sua segurança ! Ele recusou, pensando não ter nada a temer.
Foram mercenários que actuaram, não foi um comando recrutado à pressa, eram profissionais a sério.
Em 2015, ele foi condenado à morte pelo tribunal de Trípoli após um julgamento sumário, antes de receber uma amnistia. Vivia desde então na cidade de Zintan, no nordeste do país. Segundo o advogado, ele vivia discretamente, mas não recluso, e viajava frequentemente entre Zintan e o sul da Líbia.
Uma investigação foi aberta pelo Ministério Público de Trípoli. O gabinete do procurador informou que uma equipa de médicos legistas se deslocou ao local na terça-feira para examinar o corpo.
Antes de prometer um banho de sangue para os manifestantes da Primavera Árabe, ele foi considerado durante algum tempo uma esperança progressista e moderada da política líbia.
Desde 2011 e a queda espectacular de Muammar Kadhafi, a Líbia vive uma situação política instável: o Governo de Unidade Nacional (GNU) de Trípoli, liderado por Abdelhamid Dbeibah e reconhecido pela ONU, disputa o poder com o marechal Haftar, que controla o sul e o leste do país.
As eleições presidenciais, nas quais Saif al-Islam Kahafi era candidato, foram adiadas desde 2021 e, até ao momento, não foram realizadas. Segundo o seu advogado, a sua candidatura era motivo de tensão e tornava-o vulnerável:
Há Estados que não tinham qualquer interesse em que o Saif voltasse ao poder. Se o Saif tivesse voltado ao poder, o Catar, que se apoderou de certas zonas de gás líbio, teria sido obrigado a devolvê-las. Há também a Turquia, que apoia o marechal Haftar, e a Rússia, que também o apoia.
Nem o governo de Trípoli nem o clã do general Haftar emitiram comentários sobre o sucedido desde esta terça-feira.

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