sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

APOIANTES DE SISSOCO EMBALÓ PEDEM SEU REGRESSO E MANIFESTAM APOIO AOS MILITARES

Os mandatários do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló defenderam o seu regresso ao país e elogiaram a atuação dos militares que tomaram o poder. Os representantes de Embaló reuniram-se, esta sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026, com o Presidente de Transição, general Horta Inta‑a.

Umaro Sissoco Embaló esteve representado no encontro por Marciano Barbeiro, mandatário nacional às eleições presidenciais de novembro, Soares Sambu, diretor de campanha, e José Paulo Semedo, porta‑voz da candidatura.

No final da audiência, José Paulo Semedo elogiou a atuação dos militares que assumiram o poder a 26 de novembro de 2025 e apelou à criação de condições para o regresso ao país do Presidente deposto. O mesmo pedido foi feito em relação a outros apoiantes de Sissoco Embaló atualmente no exílio, nomeadamente os antigos primeiros‑ministros Braima Camará e Nuno Gomes Nabiam, bem como o ex‑ministro do Interior Botche Candé, que se encontra em Portugal.

Falando em nome da direção da campanha de Umaro Sissoco Embaló às eleições presidenciais de 23 de novembro, interrompidas pelo golpe de Estado, José Paulo Semedo explicou que o encontro com o general Horta Inta‑a serviu igualmente para manifestar solidariedade com o Alto Comando Militar.

Segundo Semedo, os militares “evitaram um banho de sangue” que poderia ter sido desencadeado com a divulgação, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), de qualquer resultado das presidenciais.

Nesse sentido, o porta‑voz indicou que o grupo político que apoia Sissoco Embaló defende o regresso ao país de todos os dirigentes políticos exilados após o golpe de Estado, para que possam contribuir com o Alto Comando Militar durante o período de transição, previsto até dezembro.

Entre os dirigentes citados estão o próprio Umaro Sissoco Embaló, os antigos primeiros‑ministros Nuno Gomes Nabiam e Braima Camará, e o ex‑ministro do Interior Botche Candé. De acordo com a agência Lusa, Embaló encontra‑se a viver em Marrocos desde que deixou Bissau.

Os militares tomaram o poder na Guiné‑Bissau a 26 de novembro de 2025, três dias após as eleições gerais, impedindo a divulgação dos resultados. O general Horta Inta‑a foi nomeado Presidente da República de Transição e o parlamento foi substituído por um Conselho Nacional de Transição. As autoridades militares procederam ainda à revisão da Constituição e convocaram novas eleições presidenciais e legislativas para 6 de dezembro.

Na altura, a tomada de poder foi considerada pela oposição e por organizações da sociedade civil como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados das presidenciais, cuja vitória foi reclamada por Fernando Dias da Costa, candidato apoiado pelo líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, impedido de concorrer.

No dia do golpe, o então Presidente Umaro Sissoco Embaló denunciou à comunicação social internacional, nomeadamente à Jeune Afrique, a ocorrência de um golpe de Estado, mas acabou por sair do país. Já os seus opositores, como Domingos Simões Pereira, foram detidos e permaneceram mais de dois meses na Segunda Esquadra de Bissau, enquanto Fernando Dias da Costa se refugiou na embaixada da Nigéria.

Por: redação
O Democrata / RFI

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