A Guiné-Bissau está a dar passos para apresentar a candidatura da paisagem de Jeta, Pecixe e Cacheu (JPC) à UNESCO, com o objetivo de a classificar como Reserva da Biosfera, valorizando os seus recursos naturais e reforçando os benefícios para as comunidades locais que dependem deste ecossistema.
A coordenadora da iniciativa Wetlands for Resilience (W4R) no país, Sandra Nandigna, destacou que a abordagem integrada da paisagem pretende potenciar os seus recursos ecológicos e fortalecer as parcerias existentes naquele corredor ambiental. Nesse sentido, defende a mobilização de todos os intervenientes em torno de uma visão comum.
“A paisagem foi considerada um dos corredores de mangal mais extensos da África Ocidental, além de outros importantes recursos naturais que a zona disponibiliza”, afirmou.
Sandra Nandigna falava à imprensa, esta quarta-feira, 24 de junho de 2026, à margem de um workshop que reuniu diferentes atores da paisagem JPC, com o objetivo de reforçar a sinergia entre as intervenções no terreno.
Segundo a responsável, mais de 200 parceiros já foram identificados e cartografados, integrando uma plataforma criada em 2023 para congregar todos os intervenientes, incluindo organizações não-governamentais, sociedade civil, líderes religiosos, estruturas governamentais e líderes comunitários.
Durante o encontro, os participantes debateram uma visão partilhada e o papel de cada ator nos respetivos setores, com vista à concretização dos objetivos comuns. Nandigna sublinhou que o nível de alinhamento alcançado tem sido significativo, permitindo consolidar progressivamente a visão para a paisagem JPC.
“Há três anos, havia poucas organizações envolvidas. Atualmente, contamos também com parceiros como o projeto Oceans-5, que apoia fortemente a iniciativa W4R. Trabalhamos numa lógica de colaboração e complementaridade, nomeadamente na elaboração de planos de gestão de conservação”, explicou.
A coordenadora referiu ainda que a paisagem integra atualmente cinco núcleos de conservação, entre os quais o complexo Tame-Canhobe-Djita, Jeta, Pecixe, Cacheu (Parque Natural dos Tarrafes de Cacheu) e o Complexo Ecológico da Mata de Ucó. Algumas dessas áreas já dispõem de estatutos próprios de proteção, como é o caso das florestas comunitárias.
De acordo com Nandigna, estas experiências servirão de base para reforçar boas práticas e expandir o modelo de conservação, tendo em vista a futura classificação como Reserva da Biosfera.
Fazendo referência ao processo do Arquipélago dos Bijagós, a responsável considerou que a classificação pode ser mais célere, mas alertou para a importância de assegurar a participação ativa das comunidades locais.
“O nosso objetivo não é acelerar o processo, mas garantir que todos compreendam os benefícios de viver numa Reserva da Biosfera, sobretudo as comunidades”, afirmou.
Para Nandigna, a convivência harmoniosa com a natureza não impede o desenvolvimento, antes promove um modelo sustentável. “É essencial pensar nas gerações futuras e implementar práticas que conciliem conservação e desenvolvimento”, acrescentou.
Por sua vez, o responsável do programa Wetlands International na Guiné-Bissau, Adulay N’djai, reconheceu os avanços alcançados, mas salientou que ainda é necessário concluir a recolha de dados e formalizar a candidatura à UNESCO.
“Com os estudos já realizados, será possível apresentar a candidatura ao estatuto de Reserva da Biosfera. Neste momento, trabalhamos em estreita colaboração com parceiros nacionais e internacionais, todos alinhados com este objetivo”, concluiu.
Por: Jacimira Segunda Sia
Imagem: WIACO GB
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