sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

PUN QUER CONSULTA NACIONAL E TRANSIÇÃO LIDERADA POR CIVIS





O Partido da Unidade Nacional (PUN) defende uma “Refundação Pacífica do Estado”, assente no diálogo nacional, em reformas institucionais profundas e na promoção do desenvolvimento humano, como via para ultrapassar a crise política na Guiné‑Bissau.

Em comunicado intitulado “Guiné‑Bissau: Proposta para a Saída da Crise”, o partido propõe a realização de uma consulta nacional inclusiva e soberana, envolvendo partidos políticos, organizações da sociedade civil, líderes tradicionais e religiosos, bem como as Forças de Defesa e Segurança.

O PUN, liderado por Idriça Djaló, considera que o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025 agravou a instabilidade crónica que o país enfrenta desde a independência, em 1973. Segundo o partido, as sucessivas crises político‑militares fragilizaram as instituições, minaram a confiança dos cidadãos e comprometeram a coesão nacional.

O comunicado alerta ainda para sinais considerados preocupantes, como a incitação a confrontos interétnicos durante a última campanha eleitoral e tentativas de instrumentalização das Forças Armadas para fins políticos. Para o PUN, tais práticas constituem ameaças diretas à unidade nacional e à estabilidade do Estado.

O documento aponta riscos como a evolução para uma violência interétnica descontrolada, a divisão e eventual implosão das Forças Armadas, a perda de legitimidade das instituições políticas e eleitorais, bem como a desestabilização da África Ocidental, criando um vazio de segurança propício ao tráfico e ao crime transnacional.

Como saída para a crise, o partido propõe que a gestão do período de transição seja confiada a uma equipa de civis competentes, sem ligação à anterior gestão do poder, salvaguardando o papel republicano das Forças Armadas enquanto último garante da estabilidade nacional.

Entre as principais reformas defendidas constam a reforma constitucional, com a definição clara entre um sistema presidencial ou parlamentar; a reforma do sistema judicial, assegurando a sua independência e credibilidade; a clarificação do papel das Forças Armadas na ordem republicana; a gestão da diversidade étnica e o combate ao discurso de ódio; a definição de uma estratégia de desenvolvimento económico a 25 anos, abrangendo setores como agricultura, pescas, turismo e iniciativa privada; bem como investimentos estruturantes na educação e na saúde.

O PUN recomenda ainda que as conclusões da consulta nacional sejam submetidas a referendo, como forma de garantir legitimidade democrática, culminando na assinatura de um Pacto Nacional de Estabilidade, a ser depositado junto de organizações internacionais, nomeadamente a CEDEAO e a União Africana.

Por fim, o partido sublinha que a saída para a crise passa, “imperativamente”, por uma refundação pacífica do Estado, condição essencial para a construção de um país estável, justo e orientado para o desenvolvimento.

Por: Tiago Seide
odemocratagb

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