sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Irão adverte a ONU que responderá "de forma decisiva" em caso de ataque dos EUA


Ilustração: Washington e Teerão iniciaram negociações sobre o programa nuclear do Irão em Omã a partir de 5 de Fevereiro de 2026. AFP - -,SAUL LOEB

Issy les Moulineaux, França – Interação entre os EUA e o Irão, pautada por troca de ameaças recíprocas sob fundo de desdobramento de importantes forças militares americanas no Médio Oriente e apelos às Nações Unidas por parte do Irão.

Pouco depois de Donald Trump ter afirmado que esperaria dez dias para chegar a um acordo sobre o programa nuclear do Irão, Teerão pediu ao secretário-geral da ONU que inste os EUA a “cessar de imediato as suas ameaças ilícitas do uso da força” e, alerta que responderá de “forma decisiva” em caso de ataque, passando a considerar as bases norte-americanas na região como alvos legítimos.

Numa carta enviada a Guterres na quinta-feira, a Missão Permanente do Irão junto da ONU afirmou que a retórica do Presidente dos EUA “sinaliza um risco real de agressão militar” e que convinha “actuar sem demoras, antes que seja demasiado tarde”, realçando que o seu país não procurava iniciar uma guerra.

O Presidente americano reiterou na quinta-feira que sem um acordo “pertinente”, poderiam acontecer “coisas más”, numa altura em que o seu país vem desdobrou uma imponente força de ofensiva naval e aérea.

Recorde-se que os EUA e o Irão levaram a cabo duas sessões de discussões indirectas, primeiro em Oman e depois na Suiça, mas tudo indica que esses encontros não desembocaram de imediato num reaproximar substancial das respectivas posições.

Washington exige em particular um acordo que vá além do programa nuclear iraniano e englobe também as capacidades balísticas, algo que o Irão rejeita.

Considerável destacamento militar

O poderio militar dos EUA está presente no Golfo, num desdobramento massivo de forças não visto desde a invasão do Iraque em 2003. Imagens satélite de livre acesso confirmam: nos últimos dias a força aérea americana distribuiu entre 150 a 200 mil aparelhos de todos os tipos por entre as suas diferentes bases militares no Médio Oriente, de acordo com o especialista em defesa da RFI, Franck Alexandre.

Caças F-22, F-15 e F-16 visando a superioridade aérea, assim como bombardeiros, incluindo vários B-52 alinhados na base de Al Udeid no Catar, apoiados por váarias dezenas de aviões de aprovisionamento.

Estes recursos adicionais somam-se a um total de 12 navios já presentes no Mar Arábico, no Estreito de Ormuz, em torno do porta-aviões Abraham Lincoln.

Os contratorpedeiros desta armada estão todos equipados com mísseis de cruzeiro Tomahawk. E um porta-aviões adicional, o Gerald Ford, o maior da frota americana, acompanhado por quatro navios, deverá chegar perto da costa israelita já a 22 de Fevereiro. Perante tal armada, o Irão não tem força aérea. A sua defesa terra-ar, complementada por equipamento chinês, mantém-se limitada.

A nível naval, a sua frota de superfície não representa uma ameaça real.

No entanto, o Irão possui três submarinos da classe Kilo de origem russa e uma frota de mini-submarinos que poderia limitar a frota americana às margens. Acima de tudo, poderia minar o Estreito de Ormuz e tentar saturar o espaço aéreo com ataques de drones.

Por: Nelson Nascimento com RFI

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